O tempo das coisas

Thursday, June 08, 2006 | 0 Comments

Mãos de fada cozinham para mim.
Orquestram uma sonata que só as ondulações dos seus gestos conhecem o caminho.
Fico deslumbrada. Lembro-me dos pé descalços sobre a pedra, saltitantes, enquanto desvias o cabelo com o dedo mindinho para não o sujar com o sumo das frutas que cortas cuidadosamente como se fossem tiras transparentes de cetim. É um final de tarde de verão e temos as portadas abertas para o terraço sobre a cidade que começa a acordar para a noite.

Mãos de fada cozinham para mim.
Seguram a colher com que embalam cada alimento como se fosse uma flôr muito rara, daquelas que apenas se encontram nas escarpas mais íngremes do fim do mundo.
Fico sem palavras. Contas-me como fazes iogurte. Como isso demora o seu tempo. Como deixas que o tempo coalhe em néctar rico aquilo que antes não passava de quase nada. Deixas que o tempo passe. Fazes do tempo a tua estufa.

Mãos de fada cozinham para mim.
Escolhem com carinho tudo aquilo em que tocam, com um encantamento que transforma tudo à sua passagem em tempo de nunca. Esse é o teu reino. Rainha és e com mãos aladas transformas as vagas rudes na mais cristalina cascata, a nuvem mais negra em tranquila claridade e a minha existência mortal em eterna companhia de voos.

Mãos de fada tecem o tempo das coisas.

Take my breath away...

Thursday, June 08, 2006 | 1 Comments


"LIFE IS NOT MEASURED
BY THE NUMBER OF BREATHS WE TAKE,
BUT BY THE MOMENTS
THAT TAKE OUR BREATH AWAY"

Fall into myself

Wednesday, June 07, 2006 | 3 Comments

















Cair - do Lat. cadere
v. int., ir abaixo; pender; tombar; desabar; abater-se; inclinar-se; curvar-se; acontecer; suceder; abrandar; amainar; sujeitar-se; incorrer; cometer; descer; baixar; ajustar-se; combinar-se; harmonizar-se; ser enganado, surpreendido - em si: ter grande decepção; aperceber-se; loc. adv., a -: a não se suster.

Sonhamos que caímos ou caímos pensando que sonhamos? Se sonhamos que caímos, isso significa alguma coisa?
Porque é mais inquietante sonhar com a queda do que cair realmente?
O que é cair?
É não se suster.
Mas quando não nos sustemos não parece que sonhamos?
E se a realidade é uma imagem invertida como os espelhos estranhos que sempre me assustaram?
Quando cais o que sentes é diferente de quando sonhas que cais? Não sentes a mesma vertigem, não te perdes de ti? É menos assustador? É menos angustiante? Será que não coxeias depois? Será possível cair dentro de si? Como levantar-te de ti, se não tens pernas por dentro?
Quem dera que caíssemos sempre acordados.

Dedicated to Another Soul Writer

First steps

Wednesday, June 07, 2006 | 0 Comments

O mais difícil não é fazer um gesto difícil com um sorriso nos lábios, como se fosse fácil... o mais difícil é fazer um gesto simples com tal graciosidade e beleza que pensamos estar perante do próprio deslumbramento.

Palcos Inesperados

Tuesday, June 06, 2006 | 1 Comments



"Porque gostas tanto de ser assim, tão delicada e celestial em todos os momentos?" Podemos bem estar num nenúfar lilás a deslizar no meio de um lago perfumado mesmo que à primeira vista possa parecer apenas mais um charco. Depende de nós salpicá-lo de beleza. Esta esconde-se onde menos esperamos e revela-se no pestanejar efémero de um bater de asas.

Dissolvente

Tuesday, June 06, 2006 | 0 Comments

"Regressamos sempre aos velhos lugares onde amámos a vida.
E, só então, compreendemos que não voltarão jamais todas as coisas que nos foram queridas. O Amor é simples, e a vida devora as coisas simples."
(Mia Couto)

Friends

Monday, June 05, 2006 | 1 Comments















Vem comigo,
não estremeças, não tenhas medo.
Vamos!
Descobrir novos caminhos,
Flutuar.

Vem comigo,
De mão dada,
Apertada
Para que as diferenças
Não sejam mais que quase nada
e o mundo inteiro
para inaugurar.

Vem comigo,
No sopro da vertigem,
No sussurro da noite,
Lentamente,
Minha capa,
meu abrigo.
Tantas vezes reinventada
Esta breve palavra
Por quem a vida
é mais vida:
amigo...
"O submarino" é uma peça cheia de emotividade. Uma peça muito física com uma grande cumplicidade e intimidade entre os actores e partilhada pelo público. Parte da ideia da inconstância do ser humano em oposição à constância do amor que permanece contra esse modular da vida e de quem somos. Com um humor simples, mas brilhante, os actores traçam um retrato divertido, emocionante e mordaz sobre a impossibilidade de se manter um casamento ou de se viver sozinho numa grande cidade. Do outro lado nós, como se pela fechadura espreitássemos, assistimos ao desfiar da intimidade de César e Rita, no revolver dos dias e da sua unicidade e dualidade. O espectáculo fica, algumas semanas em cena no Tivoli em Lisboa seguindo depois em digressão pelo país. Vão lá espreitar, serão agradavelmente surpreendidos por uma gargalhada fácil ou com uma caricatura estranhamente próxima das nossas caras de futuro.

p.s - Bigada Patrícia e Olavo por este bocadinho de noite tão delicioso!

Do you care?

Friday, June 02, 2006 | 0 Comments

Estranhos gestos de amor estes de pensar em quem não se conhece, proteger quem nunca abraçámos.
Estranhos gestos de amor estes que quebram as correntes do comodismo e do receio.
Estranho gesto de amor esse que é importarmo-nos, simplesmente essa dádiva tão singela.
Estes são laços de sangue que nunca saberemos onde serão tecidos, mas para além do anonimato, existe o meu sangue a pulsar nos teus pulsos e a minha vida, este meu fôlego, este meu riso serão parte de força da tua vida, do teu fôlego, dos teus lábios lívidos a desabrocharem em sorriso.
Há tantos heróis nos livros, nas telas, nas histórias... mas aqui hoje, apenas tu contas, apenas a tua escolha, apenas a tua coragem fará de ti o herói de uma vida da qual nunca conhecerás mais do que o teu estranho gesto de amor, mas isso é tudo!
http://www.ipsangue.org/

1 de JUNHO - Dia da Criança

Thursday, June 01, 2006 | 0 Comments

O dia amanheceu com sol tímido salpicado por algumas nuvens.
Um passeio pela praia sabia mesmo bem, mas era o trabalho que me esperava!Fiz-me à estrada por entre prédios esguios e gente cabisbaixa.
Olhei para o céu azul e comecei a brincar com as nuvens suspensas lá em cima:
Um avião! Não, não é um pássaro!Aquela que parece um combóio...Pouca Terra...Pouca terra...piiih!Aquela parece um bicho da seda todo esticado...
A brincadeira continua por breves minutos até o relógio do carro me despertar. É tão fácil ser criança sob um céu assim

Com um beijinho especial para a Filipa, a Joaninha, o André e a Pipinha pelo sorriso traquina e doçura deliciosa.

Timidez

Wednesday, May 31, 2006 | 3 Comments

Este sorriso é para quem me dá asas,
é para ti que me agarras,
é para ti que danças comigo
de pés descalços
na erva orvalhada,
na estrada deserta,
sob a chuva,
na noite incerta.



Este sorriso em jeito de flor,
em jeito de quase nada,
assim tão timidamente
simples gesto de amor
é para ti tão somente.

Momentos Inesquecíveis

Tuesday, May 30, 2006 | 1 Comments

Da última vez que a minha respiração se susteve assim estava na Gulbenkian, no Grande Auditório num concerto de Sequeira da Costa. Ontem esse momento repetiu-se. E com ele de novo.
A doçura é de tal forma frágil e efémera que qualquer ruído inevitavelmente a rasgaria.
A beleza com que nos preenche é de tal forma arrebatadora que só o facto de respirar parece insuportável.
Há quem consiga este maravilhoso efeito de curar o nosso dia, de abrandar o ritmo dos minutos e tudo suspender à sua passagem.
Não posso recriar esse momento pois os meus pés mal tocariam nos pedais desse piano imenso que é o deslumbramento por isso vou esperar pacientemente que regresse à nossa presença com os seus dedos mágicos de afinador de almas.

Gladíolo Púrpura

Monday, May 29, 2006 | 0 Comments














Inusitado
do Lat. inusitatu (adj)
desusado;
desconhecido;
estranho;
novo;
extraordinário; invulgar...


Não tenho nada.
Vim fazer nascer o meu corpo das pedras da calçada.
Não tenho nada.
Nesta estrada mais adiante, há apenas o asfalto
o princípio, a estranheza
a filosofia dissolvente
dos conceitos desmontados
a loucura crua
das lutas dilacerantes
palavras esventradas


Uma flor inusitada
Púrpura
Luz
Enraizada
Um punho a segurar-nos no nada

By your side

Monday, May 29, 2006 | 0 Comments

you think i'd leave your side baby
you know me better than that
you think i'd leave you down when you're down on your knees
i wouldn't do that
i'll tell you you're right when you want
ha ah ah ah ah ahand
if only you could see into me

oh when you're cold
i'll be there
hold you tight to me

when you're on the outside baby and you can`t get in
i will show you you're so much better than you know
when you're lost and you're alone and you cant get back again
i will find you darling and i will bring you home
and if you want to cry
i am here to dry your eyes
and in no time you'll be fine

you think i'd leave your side baby
you know me better than that
you think id leave you down when you're down on your knees
i wouldn't do that
i'll tell you you're right when you wrong
ha ah ah ah ah ahand
if only you could see into me

oh when you're cold
i'll be there hold you tight to me
when you're low
i'll be thereby your side bab
yoh when you're cold
i'll be there hold you tight to me
oh when you're low
i'll be there by your side baby

(ilustração por Luís Royo em www.luisroyo.com)

Fallen angel II

Friday, May 26, 2006 | 0 Comments

Perguntas por mim e não há na sombra onde adormeço um rasgo sequer do teu calor. O meu perfume desprendeu-se do corpo quando nele se perdeu a vontade de caminhar. O dia faz-me avançar com empurrões bruscos pelas horas a dentro e sem ter onde me agarrar a pele rasga-se no gumes acutilantes da descida. Não sei porque me movo, não sei porque respiro ou como rasgar a fina filigrana cinzenta que me asfixia.
Esperei tantas vezes por ti, mas tu também não vieste. E é tão fácil desaprender todos os gestos e as formas mais ténues de sorrir no silêncio.
Pode um anjo cair e aprender o caminho das estrelas?
Podem todos os voos serem improvisados no pó da terra?
Podes aprender a escrever o teu nome prender nele o teu rosto anónimo?
Eu não sei quase nada, o pensamento pesa como um saco de pedras e as cordas que me seguravam os braços descarnaram-se em membros frouxos.

Tenho medo do escuro mana, não sei como não ter medo do escuro. Costumava esticar os braços e sentir-te aí e esse breve roçar da ponta dos dedos no ar era suficiente para me sossegar. O poder deixar cair-me de costas e saber que o teu amor essa esse rede imensa era como vestir um fato de super herói e acreditar nos poderes mais fantásticos.

Tenho medo do escuro mana, não sei como não ter medo do escuro.
E não entendo a tua ausência.

Dá-me a tua mão...
Não te quero prender
apenas quero abrir os braços e sentir-te
Como a vela de um barco sente o vento
Não te chamo para te conhecer
apenas peço um rasto de magia
que possa abrir em vaga lume
a noite fria.

Aqui me tens quieta
Com as mãos sobre os joelhos
Quieta muda secreta
Passiva como os espelhos
ensina-me o canto
Eu quero ouvir devagar
O teu súbito falar
Que me foge de repente


Tenho medo do escuro mana, não sei como não ter medo do escuro.
E não entendo a tua ausência.
Por onde abriu a fresta onde cimentaste a tua alma?

fallen angel

Wednesday, May 24, 2006 | 0 Comments


Por onde caminhas que já não sinto o rasto do teu perfume? Por onde te escondes se já não há sombra que revele a tua silhueta? Por onde falas se as palavras que deixaste na penumbra se diluiram? Por onde te ris que já não ouço o gotejar límpido da tua alegria? Por onde danças se não ouço o roçar da tua roupa quando te moves? Por onde respiras se não há suspiro que se solte no ar? Por onde te transformas se já não encontro a tua pele? Por onde voa o rasto da tua asa se não há firmamento sem a tua passagem? Por onde deslizas se não arrepias a minha pele como brisa num lago? Por onde levas as palavras que tomei por minhas de tanto as cantar por dentro?

Por onde abriu a fresta onde cimentaste a tua alma?

Away

Tuesday, May 23, 2006 | 0 Comments



My last dance...

Tuesday, May 23, 2006 | 0 Comments

Houve um tempo em que as palavras eram doces e delicadas como pétalas de seda,
havia florestas a abrirem-se no tapete aveludado dos caminhos.
E eram nossos os gestos,
as tardes longas,
as noites abertas.
E eram nossas as estrelas em cada olhar profundo,
em cada passo de dança,
em cada rumor da pele quente.
E eram nossos os sonhos,
as ruas, os bares,
os cafés, as avenidas de todas as cidades.

Houve um dia um reino de fadas com sangue de gente,
confluências e voos de olhos fechados,
mãos entrelaçadas,
flutuações aladas
como se o peso do corpo estivesse ausente.

.

150 anos sobre o seu nascimento, Freud continua a ser uma referência da cultura ocidental de tal modo enraízada que não poderíamos deixar de referir a reportagem de fundo realizada pela revista VISÃO sobre a sua vida e obra.

Freud inovou sobretudo em dois campos. Simultaneamente desenvolveu uma teoria da mente e da conduta humana e uma técnica terapêutica para ajudar os pacientes afectados psiquicamente. Provavelmente a contribução mais significativa de Freud para o pensamento moderno é a tentativa de atribuir ao conceito de inconsciente (inspirado por Eduard von Hartmann, Schopenhauer e Nietzsche) um estatuto científico (não compartilhado por várias áreas da ciência e da psicologia). O seu conceito de inconsciente, desejos inconscientes e de repressão foram revolucionários; propõem uma mente dividida em camadas ou níveis, dominada em certa medida por vontades primitivas que estão escondidas sob a consciência e que se manifestam em lapsos e sonhos.
Na sua obra mais conhecida, A Interpretação dos Sonhos, Freud postula o novo modelo do inconsciente e desenvolve um método que lhe permita o acesso ao mesmo, tomando elementos de suas experiências prévias com as técnicas de hipnose.

Para saber mais espreitem: http://visaoonline.clix.pt/default.asp?CpContentId=330323

A Interpretação dos Sonhos: http://www.psywww.com/books/interp/toc.htm

Biografia e Obra: http://www.freudfile.org/

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