As coisas que temos em comum...

Saturday, October 07, 2006 | 5 Comments

Meu amor,

Tu e eu temos muito em comum....
Somos almas mais que gémeas, tipo gémeas siamesas ou chinesas ou isso.
Quando te vi pela primeira vez no metro da linha azul pensei, esta é uma miuda que gosta de mar como eu. Não podia ser coincidência, os dois às 8h30 da manhã, transpirados em bica pelo entalanço da carruagem sobrelotada. Era um trajecto de vida em comum, foi isso que me despertou a atenção.
Depois os hábitos... foi aquele click (não o click de quando a porta se fecha e as chaves ficam lá dentro e gritas "f.....", não, mais aquele click da porta do frigorifico a fechar puxada pelo he-man ou íman, ou isso). Lembras-te da lista de hábitos comuns que fizemos no reverso do bilhete do metro?
  • usamos margarina Planta para barrar o pão!
  • gostamos de aproveitar o sabado, tu de manhã no cabeleireiro eu à noite no strip
  • temos o mesmo hábito de bocejar a meio da tarde com sono,
  • o mesmo hábito de pôr os despertador para acordar,
  • a mesma maneira de calçar os sapatos com calçadeira,
  • a mesma mania de tomar café e um pastel de nata ao pequeno almoço de pé ao balção a olhar para o relógio
  • a mesma preocupação por lavar as mãos antes de comer
  • ambos temos cabelos oleosos ocasionalmente com caspa
  • nunca viajamos para o estrangeiro (vá se lá confiar nessa gente)
  • ambos almoçamos ao domingo com os papás
  • já fizemos férias no algarve
  • ambos gostamos de comer fora, eu com os gajos no 21 em dia de jogo e tu em casa da tua irmã
  • vemos a mesma novela, tu porque gostas eu porque a minha mãe é um víbora fascista que não deixa mudar de canal durante essas 4h e meia
  • deitamos quase sempre entre as 22h e as 24h
  • gostamos mais de falar da vida dos outros que da nossa
  • tomamos sempre banhinho ao domingo, tu depois de limpar a casa eu depois de ir jogar a bola com a malta
  • queremos cinco filhotes, eu para ter finalmente a minha equipa de futebol tu fazeres feliz o teu maridinho,
  • ambos adoramos ler, eu a bola, tu a maria
  • temos o mesmo hábito de dizer palavrões quando batemos com o dedo mindinho na porta
  • o mesmo hábito de nos encolhermos quando o chefe resmunga e de dizer mal dele nas costas
  • a mesma vidinha, tipo gente de bem com roupa meio puída meio tecido barato para não acharem que ganhamos demais

por isso te digo, bebé, luz dos meus olhos cegos de paixão, temos uma vida pela frente, juntos, fomos feitos um para o outro, temos tudo em comum, temos tudo para a nossa vida ser um lugar comum!

Beijitos repenicados

Pergunta-me

Saturday, October 07, 2006 | 1 Comments


Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas
a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue

Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos




Pergunta-me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enevoadase
se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser
se eras tu
que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente

Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer
Mia Couto


Eu queria...

Wednesday, October 04, 2006 | 4 Comments

..."a ideia que tens dentro de ti é sempre mais perfeita do que a que consegues fazer com as mãos. "
Jostein Gaarder in O mistério do jogo das paciências

Eu queria tanta coisa
palavras a derramar
nascer do que não existe.
acreditar em homens a rezar,
saber de ti,
mesmo sem saber se existes.

Eu sei o que queria,
mas não quero ser eu a inventar-te,
nem em sonho,
nem em promessas de amor puro,
apenas a tua nudez
como pão no deserto
a mitigar a ausência
acessa como uma fogueira
ou grito rouco.

És este rio que me percorre
tumulto surdo,
que recolhe na praia os destroços
e os cabelos encrespados em desalinho.
É apenas uma tristeza inadiável,
uma solidão habitada
em todos os compassos da espera.

Tenho o teu nome misturado
na tinta dos dias.
Tenho roçado muitos corpos
na esperança que um seja o teu,
e feito amor de muitas maneiras,
docemente,
lentamente
dormentemente
desesperadamente
à procura,
sempre à tua procura
e eu não estarei só contigo
mas é contigo que eu quero ficar só
porque é a ti que quero amar.

Eu queria que amar fosse assim...

Wednesday, October 04, 2006 | 3 Comments

Eu queria que acordar fosse assim...

Wednesday, October 04, 2006 | 0 Comments

As tuas palavras

Wednesday, October 04, 2006 | 0 Comments

Que música escutas tão atentamente
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de tique tudo canta ainda?
Queria falar contigo,
dizer-te apenas que estou aqui,
mas tenho medo,
medo que toda a música cesse
e tu não possas mais olhar as rosas.
Medo de quebrar o fio
com que teces os dias sem memória.
Com que palavras
ou beijos ou lágrimas
se acordam os mortos sem os ferir,
sem os trazer a esta espuma negra
onde corpos e corpos se repetem,
parcimoniosamente, no meio de sombras?
Deixa-te estar assim,
ó cheia de doçura,
sentada, olhando as rosas,
e tão alheia
que nem dás por mim.
Eugénio de Andrade
.... nós sabemos que já aí há um mupi que mete cotonetes, mas ninguém nos consegue tirar a satistação do "hummmmm". É certo que há por aí muito vândalo, mas escarafunchadores anónimos, dedicados à causa de remoer no fundo da cova do bichinho do ouvido (já a minha avó dizia, que Deus a tenha, que as pessoas ficavam surdas quando o bicho do ouvido morria, eu sempre achei esta curiosidade parasitária coisa estranha, mas estes saberes do povo, mais vale não contestar...)
Vai daí depois de uma infância privada de cotonizar-me, vá-se lá saber os traumas profundos que daqui advieram, descobri finalmente esses dois tufos de algodão em pauzinho de plástico feitos para escarafunchar no fundo do tímpano e vai daí o tal "entrar a 100 e sair a 200" que implica um ouvido impecavelmente escarafunchado e livre de atrito. Esta arte, de que são bem conhecedores os meus colegas do Cotonetadictos Anónimos, implica a beleza dos movimentos lentos e circulares e não está ao alcance de qualquer pois deve ser conjugada por um som articulado, meio nasalado, de gato lampeiro a refastelar-se com umas belas festas no cucuruto. Para os mais avançados, aí nível 10 e três quartos, há a chamada versão dupla, ou d.p em que se coordena, não um, mas dois! sim dois! em satisfação redobrada. E agora meus amigos, vou ali, puxar de dois que esta conversa está a dar-me uma vontadinha!...































































































Uma prenda e duas mão vazias...

Friday, September 29, 2006 | 0 Comments

A minha irmã não faz anos hoje, mas isso nao é menos razão para a compensar de uma hora de almoço na loja do cidadão a resolver chatices com uma prenda.
Não falo de algo que surja de uma investida pelas lojas, de imaginação em punho na busca do equilíbrio com a outra mão, onde segue leve a carteira. Não. Uma prenda assim é pouco, demasiado pouco para que possa ficar satisfeita, porventura tão pouco que nem necessária é. Uma prenda qualquer pessoa pode dar, na volta até dão o mesmo que eu, ou melhor ainda, depende da carteira que nem sempre é do tamanho do nosso coração. Quase nunca.
O dia está de chuva, estes dias também são bons, eu gosto. Há qualquer que me agrada, talvez a melancolia da água a bater nos vidros, ou a incomodidade de um chapéu para quando chove a direito, ou apenas a voz dela ao meu lado a apontar o reflexo prateado da luz tímida no rio quedo.
Ela é uma personagem incontornável da minha vida. O que não sabe de mim? Não faço ideia, desconfio que sabe mais de mim do que eu própria. Horas e horas a aturar-me, não é fácil, horas e horas a ouvir-me, sobre tudo, mas principalmente, sobre nada. Não era a mesma sem ela, nem este blog não seria o mesmo sem ela, quanto mais eu. Quando acontece qualquer coisa importante, está ali, quando acontece qualquer coisa sem importância nenhuma está ali na mesma, nos bons e nos maus momentos, a chorar, a rir, a ralhar comigo, e é tão giro! :) Mas não se iludam, ela não é a melhor amiga do mundo nem é perfeita e nisso estamos perfeitamente bem uma para a outra. Desejamos aperfeiçoarmo-nos, mas não nos vemos perfeitas. Sobretudo é uma à outra que vemos no espelho e não apenas a projecção dos nossos desejos e do que queríamos que a outra fosse. A nossa união cerrada não foi resultado de nenhuma contrariedade ou nenhum momento extraordinariamente difícil e deprimente ou efusivo e vitorioso, não. Pois claro que já os vivemos e não foram poucos, mas dissolvidos noutra coisa extraordinária que é a rotina de todos os dias, o ram-ram, o búlico do tédio. A nossa amizade vem de não termos deixado de ter coisas para dizer ou aprender.
Já morei no quarto ao lado do dela e batia na parede quando precisava dela e sei que apesar dos nós nos meus dedos na parede forrada a papel não fazerem qualquer barulho que elas os ouvia sempre, porque a verdade é que vinha sempre ter comigo. A minha irmã é das pessoas mais curiosas que eu conheço, não suporta que lhe escondamos o sorriso que mora do lado de dentro dos lábios, nem as conversas ocas tecidas de lugares comuns. A minha irmã tem defeitos às carradas, tal como eu. A minha irmã lê tudo o que eu escrevo. A minha irmã fica rabugenta quando está cansada. A minha irmã irrita-me quando eu lhe pergunto o caminho e ela responde com ar trocista de quem nunca se perde. A minha irmã faz-me corar de vergonha quando falo dos defeitos dos outros e me diz que eu já fiz o mesmo. A minha irmã nunca me falhou quando eu precisei dela. A minha irmã adora atúuuuuuuuuuuum. A minha irmã faz-me sentir uma princesa das histórias de encantar que nunca lemos em pequenas quando me deixa usar as roupas e sapatos dela. A minha irmã nunca me inventou desculpas, só me inventou desenhos para eu limpar a tristeza da cara.
Hoje é o dia do seu não aniversário, às vezes tenho postais para estes dias, outras flores, outras yogutes acabadinhos de fazer, hoje não tenho nada disso e foi de propósito. Ela é demasiado importante para que uma simples prenda possa fazer a diferença. Fiz um texto. Porque mais ninguém sabe o que eu sei, mais ninguém vive paredes-meias com ela. Eu sei que há muita gente que tem o mesmo privilégio que eu tenho, mas também sei que as pessoas às vezes são distraídas e, como nós, imperfeitas, e se esquecem, vá se lá saber como, deve ser do queijinho é uma coisa muito boa que nos branqueia a memória tipo efeito neoblanc nos lençois, por isso convém ir lembrando. Por tudo isto, por mais um dia de não aniversário que é, como já se viu, uma desculpa como outra qualquer para nunca esquecer de amar.

Perdas

Thursday, September 28, 2006 | 0 Comments

Ontem um amigo suicidou-se com veneno....
Ainda sinto o sabor na boca...



Dizem: meu verso é triste: não admira
Abarca a estreita medida
tristes lágrimas de ira
Não minhas, da vida.

Isto se escreve para os não-nascidos,
gerados em vão,
lerem quando se virem consumidos
E eu não

Alfred Edward Housman
Inglaterra 1859-1936
Jorge de Sena (Poesia do Sec XX - ASA)

a tua e a minha...Liberdades ?!

Thursday, September 28, 2006 | 0 Comments

não fuja ao fisco
não faça sexo sem preservativo
não atravesse fora da passadeira
não se deite tarde
não fale com a boca cheia
não diga mal do próximo
não buzine perto de hospitais
não fume
não beba
não consuma drogas
não coma gorduras
não fale com estranhos
não dê gargalhadas sonoras
não transporte crianças sem cadeirinha
não conduza sem cinto de segurança
não se esqueça de reciclar
não diga palavrões
não cobice a mulher do próximo
não coma de boca aberta
não brinque com o fogo
não se esqueça de ver a novela
não pise os jardins públicos
não entre na água sem ter feito a digestão
não se esqueça de apagar a luz
não estacione em segunda fila
não mate
não roube
não tome banhos de sol sem protector
não se deite sem lavar os dentes
não chegue atrasado ao emprego
não passe à frente nas filas
não se enerve
não faça barulho nas escadas à noite
não segue aos 30 sem arrumar o assunto do casamento
não chegue aos 40 sem arrumar o assunto dos filhos
não utilize o telemóvel no avião
Não comece uma frase com letra minúscula
não diga mal das ONG
não se esqueça dos seus deveres

Descobertas breves

Wednesday, September 27, 2006 | 0 Comments

Eu não sabia ser tão raro
este estar sem ressentimento
quando a vida se evade
em ruas e janelas equidistantes.
Eu não sabia que era assim tão fácil
deixar secar o caudal neste vazio insofismável
cera seca de velas velando o nada.
Eu não sabia estar tão longe,
esquecida de quem era
ou do que queria.
nem da facilidade de encher cadavéres
com lembraças
fingindo ser gente a sério
e sem saber
e estando queda, muda,
dedilhei com a flor dos dedos
as cordas de harpa
esticadas sobre o porão dos dias.

Uma nova filosofia

Tuesday, September 26, 2006 | 0 Comments

Do grego Φιλοσοφία: philia - amor, amizade + sophia - sabedoria "É uma disciplina, ou uma área de estudos, que envolve a investigação, análise, discussão, formação e reflexão de ideias ou visões de mundo. Originou-se da inquietação gerada pela curiosidade humana em compreender e questionar."

Esta definição podemos ler em qualquer entrada de dicionário ou caderno escolar.












A definição parece óbvia e fácil, mas há perspectivas que nos escapam. Quando pensamos em "filosofo", pensamos num senhor sério de barbas e ar douto, mas a filosofia não é apenas um caderno engomado, é algo suspenso dentro e fora de nós a moldar as nossas opções e um filósofo, bem um filósofo é tão simplesmente aquela pessoa com uma visão estruturada do mundo que nos leva a reflectir sobre inúmeros aspectos que de outra forma nos escapariam. Ontem havia alguém que dizia que a “Prova Oral” é um “Serviço Público”, esse como outros programas que, com um sorriso bem disposto e ligeiro nos levam a discutir assuntos tão diferentes de fetiches a novas tecnologias e a repensar a (r)evolução de cada dia, as camadas de pele, sangue e ideologias que fazem de nós o que nos projectamos ser. Esses são os filósofos da nossa Era, sem fato, nem sacola de livros, apenas uma voz límpida que nos dá vontade de ficar a ouvir, um postura crítica que nos dá vontade de questionar, uma simpatia que cria empatia e reune discípulos de todas as idades e profissões. Porque ouvimos vezes demais "quero um bife", "quero uma prenda", "quero um carro novo", "quero ir às compras" e muito muito poucas "eu quero saber pensar".

Um grito bem alto: Luv' ya!

Tuesday, September 26, 2006 | 1 Comments

"A friend is one of the nicest things you can have, and one of the best things you can be."

Há em mim qualquer coisa de patético que me faz dizer não só aquilo que penso, como aquilo que sinto. Assola-me uma espécie de urgência, se não digo a quem me é importante o quanto gosto dessa pessoa, lavada em lágrimas ou a chorar de felicidade.
Ser amigo é mais do que ligar todos os dias, ir ao café, fazer grandes noitadas e ouvir confidências – é dizer que se gosta sem vergonha, mostrar que se morressemos amanhã morríamos mais ricos, porque esse nosso amigo tinha passado pela nossa vida. É partilhar quando algo de importante nos acontece e a alegria é tão grande que o nosso sorriso é pequeno para a expressar, mesmo que num simples telefonema. Um pequeno gesto faz tudo valer a pena.
Às vezes, enquanto deambulo de carro na noite escura pela cidade pergunto-me se terei feito tudo o que estava ao meu alcance pelos meus amigos. Se eles foram dormir a saber que eu durmo a precisar deles como preciso de ar e que acordo a precisar deles como quem precisa de sol, por isso quando ouço alguém dizer que "amanhã logo lhe ligo, quero lá saber", ou "aquele anormal sabe que eu gosto dele, uma noite destas encontramo-nos no Bairro e, no meio da bebedeira, esquecemos tudo." há qualquer coisa em mim que estremece, amar não devia ser deixado para "um dia destes". E vem-me à memória uma frase batida "Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje". Há coisa melhor do que ouvir um envergonhado "gosto de ti" de alguém de quem se gosta? Haverá certamente poucas coisas…Por isso este post é para vocês. Um grito bem alto, neste céu ainda azul: GOSTO MUITO DE TI!

A Felicidade exige valentia

Monday, September 25, 2006 | 0 Comments

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo...
Fernando Pessoa

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