Eu queria que a fragilidade fosse assim...
Wednesday, October 04, 2006 | 0 Comments
As tuas palavras
Wednesday, October 04, 2006 | 0 Comments
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de tique tudo canta ainda?
Queria falar contigo,
dizer-te apenas que estou aqui,
mas tenho medo,
medo que toda a música cesse
e tu não possas mais olhar as rosas.
Medo de quebrar o fio
com que teces os dias sem memória.
Com que palavras
ou beijos ou lágrimas
se acordam os mortos sem os ferir,
sem os trazer a esta espuma negra
onde corpos e corpos se repetem,
parcimoniosamente, no meio de sombras?
Deixa-te estar assim,
ó cheia de doçura,
sentada, olhando as rosas,
e tão alheia
que nem dás por mim.
Eugénio de Andrade
Resolvemos vandalizar o dito mupi em sinal de contributo à arte pós-moderna!
Sunday, October 01, 2006 | 0 Comments
.... nós sabemos que já aí há um mupi que mete cotonetes, mas ninguém nos consegue tirar a satistação do "hummmmm". É certo que há por aí muito vândalo, mas escarafunchadores anónimos, dedicados à causa de remoer no fundo da cova do bichinho do ouvido (já a minha avó dizia, que Deus a tenha, que as pessoas ficavam surdas quando o bicho do ouvido morria, eu sempre achei esta curiosidade parasitária coisa estranha, mas estes saberes do povo, mais vale não contestar...)Vai daí depois de uma infância privada de cotonizar-me, vá-se lá saber os traumas profundos que daqui advieram, descobri finalmente esses dois tufos de algodão em pauzinho de plástico feitos para escarafunchar no fundo do tímpano e vai daí o tal "entrar a 100 e sair a 200" que implica um ouvido impecavelmente escarafunchado e livre de atrito. Esta arte, de que são bem conhecedores os meus colegas do Cotonetadictos Anónimos, implica a beleza dos movimentos lentos e circulares e não está ao alcance de qualquer pois deve ser conjugada por um som articulado, meio nasalado, de gato lampeiro a refastelar-se com umas belas festas no cucuruto. Para os mais avançados, aí nível 10 e três quartos, há a chamada versão dupla, ou d.p em que se coordena, não um, mas dois! sim dois! em satisfação redobrada. E agora meus amigos, vou ali, puxar de dois que esta conversa está a dar-me uma vontadinha!...
Uma prenda e duas mão vazias...
Friday, September 29, 2006 | 0 Comments
Não falo de algo que surja de uma investida pelas lojas, de imaginação em punho na busca do equilíbrio com a outra mão, onde segue leve a carteira. Não. Uma prenda assim é pouco, demasiado pouco para que possa ficar satisfeita, porventura tão pouco que nem necessária é. Uma prenda qualquer pessoa pode dar, na volta até dão o mesmo que eu, ou melhor ainda, depende da carteira que nem sempre é do tamanho do nosso coração. Quase nunca.
O dia está de chuva, estes dias também são bons, eu gosto. Há qualquer que me agrada, talvez a melancolia da água a bater nos vidros, ou a incomodidade de um chapéu para quando chove a direito, ou apenas a voz dela ao meu lado a apontar o reflexo prateado da luz tímida no rio quedo.
Ela é uma personagem incontornável da minha vida. O que não sabe de mim? Não faço ideia, desconfio que sabe mais de mim do que eu própria. Horas e horas a aturar-me, não é fácil, horas e horas a ouvir-me, sobre tudo, mas principalmente, sobre nada. Não era a mesma sem ela, nem este blog não seria o mesmo sem ela, quanto mais eu. Quando acontece qualquer coisa importante, está ali, quando acontece qualquer coisa sem importância nenhuma está ali na mesma, nos bons e nos maus momentos, a chorar, a rir, a ralhar comigo, e é tão giro! :) Mas não se iludam, ela não é a melhor amiga do mundo nem é perfeita e nisso estamos perfeitamente bem uma para a outra. Desejamos aperfeiçoarmo-nos, mas não nos vemos perfeitas. Sobretudo é uma à outra que vemos no espelho e não apenas a projecção dos nossos desejos e do que queríamos que a outra fosse. A nossa união cerrada não foi resultado de nenhuma contrariedade ou nenhum momento extraordinariamente difícil e deprimente ou efusivo e vitorioso, não. Pois claro que já os vivemos e não foram poucos, mas dissolvidos noutra coisa extraordinária que é a rotina de todos os dias, o ram-ram, o búlico do tédio. A nossa amizade vem de não termos deixado de ter coisas para dizer ou aprender.
Já morei no quarto ao lado do dela e batia na parede quando precisava dela e sei que apesar dos nós nos meus dedos na parede forrada a papel não fazerem qualquer barulho que elas os ouvia sempre, porque a verdade é que vinha sempre ter comigo. A minha irmã é das pessoas mais curiosas que eu conheço, não suporta que lhe escondamos o sorriso que mora do lado de dentro dos lábios, nem as conversas ocas tecidas de lugares comuns. A minha irmã tem defeitos às carradas, tal como eu. A minha irmã lê tudo o que eu escrevo. A minha irmã fica rabugenta quando está cansada. A minha irmã irrita-me quando eu lhe pergunto o caminho e ela responde com ar trocista de quem nunca se perde. A minha irmã faz-me corar de vergonha quando falo dos defeitos dos outros e me diz que eu já fiz o mesmo. A minha irmã nunca me falhou quando eu precisei dela. A minha irmã adora atúuuuuuuuuuuum. A minha irmã faz-me sentir uma princesa das histórias de encantar que nunca lemos em pequenas quando me deixa usar as roupas e sapatos dela. A minha irmã nunca me inventou desculpas, só me inventou desenhos para eu limpar a tristeza da cara.
Hoje é o dia do seu não aniversário, às vezes tenho postais para estes dias, outras flores, outras yogutes acabadinhos de fazer, hoje não tenho nada disso e foi de propósito. Ela é demasiado importante para que uma simples prenda possa fazer a diferença. Fiz um texto. Porque mais ninguém sabe o que eu sei, mais ninguém vive paredes-meias com ela. Eu sei que há muita gente que tem o mesmo privilégio que eu tenho, mas também sei que as pessoas às vezes são distraídas e, como nós, imperfeitas, e se esquecem, vá se lá saber como, deve ser do queijinho é uma coisa muito boa que nos branqueia a memória tipo efeito neoblanc nos lençois, por isso convém ir lembrando. Por tudo isto, por mais um dia de não aniversário que é, como já se viu, uma desculpa como outra qualquer para nunca esquecer de amar.
Perdas
Thursday, September 28, 2006 | 0 Comments
Ainda sinto o sabor na boca...

Dizem: meu verso é triste: não admira
Abarca a estreita medida
tristes lágrimas de ira
Não minhas, da vida.
Isto se escreve para os não-nascidos,
gerados em vão,
lerem quando se virem consumidos
E eu não
Alfred Edward Housman
Inglaterra 1859-1936
Jorge de Sena (Poesia do Sec XX - ASA)
a tua e a minha...Liberdades ?!
Thursday, September 28, 2006 | 0 Comments
não faça sexo sem preservativo
não atravesse fora da passadeira
não se deite tarde
não fale com a boca cheia
não diga mal do próximo
não buzine perto de hospitais
não fume
não beba
não consuma drogas
não coma gorduras
não fale com estranhos
não dê gargalhadas sonoras
não transporte crianças sem cadeirinha
não conduza sem cinto de segurança
não se esqueça de reciclar
não diga palavrões
não cobice a mulher do próximo
não coma de boca aberta
não brinque com o fogo
não se esqueça de ver a novela
não pise os jardins públicos
não entre na água sem ter feito a digestão
não se esqueça de apagar a luz
não estacione em segunda fila
não mate
não roube
não tome banhos de sol sem protector
não se deite sem lavar os dentes
não chegue atrasado ao emprego
não passe à frente nas filas
não se enerve
não faça barulho nas escadas à noite
não segue aos 30 sem arrumar o assunto do casamento
não chegue aos 40 sem arrumar o assunto dos filhos
não utilize o telemóvel no avião
Não comece uma frase com letra minúscula
não diga mal das ONG
não se esqueça dos seus deveres
Descobertas breves
Wednesday, September 27, 2006 | 0 Comments
Eu não sabia ser tão raroeste estar sem ressentimento
quando a vida se evade
em ruas e janelas equidistantes.
Eu não sabia que era assim tão fácil
deixar secar o caudal neste vazio insofismável
cera seca de velas velando o nada.
Eu não sabia estar tão longe,
esquecida de quem era
ou do que queria.
nem da facilidade de encher cadavéres
com lembraças
fingindo ser gente a sério
e sem saber
e estando queda, muda,
dedilhei com a flor dos dedos
as cordas de harpa
esticadas sobre o porão dos dias.
Uma nova filosofia
Tuesday, September 26, 2006 | 0 Comments
Do grego Φιλοσοφία: philia - amor, amizade + sophia - sabedoria "É uma disciplina, ou uma área de estudos, que envolve a investigação, análise, discussão, formação e reflexão de ideias ou visões de mundo. Originou-se da inquietação gerada pela curiosidade humana em compreender e questionar."Esta definição podemos ler em qualquer entrada de dicionário ou caderno escolar.
Um grito bem alto: Luv' ya!
Tuesday, September 26, 2006 | 1 Comments
"A friend is one of the nicest things you can have, and one of the best things you can be."Há em mim qualquer coisa de patético que me faz dizer não só aquilo que penso, como aquilo que sinto. Assola-me uma espécie de urgência, se não digo a quem me é importante o quanto gosto dessa pessoa, lavada em lágrimas ou a chorar de felicidade.
Ser amigo é mais do que ligar todos os dias, ir ao café, fazer grandes noitadas e ouvir confidências – é dizer que se gosta sem vergonha, mostrar que se morressemos amanhã morríamos mais ricos, porque esse nosso amigo tinha passado pela nossa vida. É partilhar quando algo de importante nos acontece e a alegria é tão grande que o nosso sorriso é pequeno para a expressar, mesmo que num simples telefonema. Um pequeno gesto faz tudo valer a pena.
Às vezes, enquanto deambulo de carro na noite escura pela cidade pergunto-me se terei feito tudo o que estava ao meu alcance pelos meus amigos. Se eles foram dormir a saber que eu durmo a precisar deles como preciso de ar e que acordo a precisar deles como quem precisa de sol, por isso quando ouço alguém dizer que "amanhã logo lhe ligo, quero lá saber", ou "aquele anormal sabe que eu gosto dele, uma noite destas encontramo-nos no Bairro e, no meio da bebedeira, esquecemos tudo." há qualquer coisa em mim que estremece, amar não devia ser deixado para "um dia destes". E vem-me à memória uma frase batida "Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje". Há coisa melhor do que ouvir um envergonhado "gosto de ti" de alguém de quem se gosta? Haverá certamente poucas coisas…Por isso este post é para vocês. Um grito bem alto, neste céu ainda azul: GOSTO MUITO DE TI!
A Felicidade exige valentia
Monday, September 25, 2006 | 0 Comments
Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência.Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo...
Fernando Pessoa
Adormecer ao teu som...
Sunday, September 24, 2006 | 0 Comments
Eles são duas crianças a viver esperanças, a saber sorrir.Ela tem cabelos louros, ele tem tesouros para repartir.
Numa outra brincadeira passam mesmo à beira sempre sem falar.
Uns olhares envergonhados e são namorados sem ninguém pensar.
Foram juntos outro dia, como por magia, no autocarro, em pé.
Ele lá lhe disse, a medo: "O meu nome é Pedro e o teu qual é?"
Ela corou um pouquinho e respondeu baixinho: "Sou a Cinderela".
Quando a noite o envolveu ele adormeceu e sonhou com ela...
Então, Bate, bate coração
Louco, louco de ilusão
A idade assim não tem valor.
Crescer,vai dar tempo p'ra aprender,
Vai dar jeito p'ra viver
O teu primeiro amor.
(...)
Carlos Paião
"Percebi que as nossas vidas não passam de uma série de momentos - se perdermos esses momentos perdemos a vida."
Robin Sharma
The Pillowman
Saturday, September 23, 2006 | 0 Comments
Katurian é apenas um contador de histórias, um escritor. Mas nada tem de simples esta tarefa, esta vida povoada de contos tenebrosos semeados de deformações da ética, da percepção do bem, do mal e da dor a ele inerente.Dizer que The Pillowman é uma analise da natureza humana e da natureza catártica da escrita é ficar aquém. A responsabilidade moral sobre o efeito da escrita, da educação parental, do regime político é escalpeado até à nausea e, no entanto, há uma capacidade de tornar acontecimentos violentíssimos em actos quase compreendidos por nós que faz deste texto uma peça psicologicamente muito complexa e emocionalmente extenuante.
The Pillowman não é uma história são muitas, não é uma realidade são várias, é fragmentos e fragmentos daqueles que nos solificam e nos dizem quem somos para além da argamassa de nervos, sangue e consciência.
Eu contava-vos a história se conseguisse, mas as palavras secam-me nos ossos antes que possa repetir uma frase sequer, se quiserem desafiar o vosso julgamento a reflectir sobre o comportamento humano e as suas mais negras verdades, não deixem de ir ver. Gosta-se, mas incomoda, incomoda muito.
http://teatromariamatos.egeac.pt/desktopdefault.aspx
Achievements
Friday, September 22, 2006 | 2 Comments
http://br.geocities.com/gresjornal/2001/pag2010.html
É bom ter alguém que escreva sobre o nosso trabalho com esta intensidade, só por isto vale a pena cada palavra, cada esforço longo dos músculos, cada cerrar dos dentes para travar a luta, cada abraço, cada sorriso, cada joelho rasgado, cada levantar, cada manhã, só por isto vale a pena continuar!
Bimby - A fada do lar
Friday, September 22, 2006 | 1 Comments
Há dias que ando com um bichinho cá dentro para escrever sobre um gadget que descobri em casa de uns amigos! Se achavam que ter um micro-ondas e uma picadora 1,2,3 era moderno, desenganem-se, estão na pré-história. O futuro chama-se.....(rufos).... Bimby! Esta ajudante de cozinha, imbatível, inovadora e sem rival, combina numa só máquina funções de dez processadoras. Ela pica, rala, corta, bate, amassa, moe, tritura, pesa, emulsiona e cozinha! E......pasme-se, lava-se sozinha (ideal era lavar a loiça, mas não se pode pedir tudo).Eu acho que não tarda muito temos um clube de fãs deste pequena maravilha, tal é o entusiasmo e o brilhozinho nos olhos que se acende quando alguém me fala da Bimby. Tal é o ímpeto! Já vi casamentos menos convictos que a comunhão doméstica que se dá quando este hóspede se instala lá em casa.
É verdade que tem menos funcionalidades que uma empregada russa, mas é uma tentação... para ser perfeita só lhe falta mesmo dar umas palmadinhas.
The Gathering Party 10
Thursday, September 21, 2006 | 2 Comments
"The Gathering Party é um encontro para a comunidade Fetichista/BDSM. É um evento internacional, em que o requisito é apresentar-se de acordo com o dress code: Latex, cabedal, vinil, uniformes, acessórios fetichistas (luvas, botas, saltos altos) e relacionados com a imagética BDSM (algemas, chicotes, etc), ou traje completamente negro. O ambiente é marcadamente sexy e insinuante. A música é forte e as animações em palco coincidentes com o tema: demonstrações bondage, danças exóticas executadas por bailarinas góticas, sapatos de pontas à bailarina com saltos agulha afiados, dominadoras e escravos e muito mais. "
A contribuir para o crescimento do evento, o interesse cada vez maior dos meios de comunicação social, tendo a organização participado em vários programas, o que sucederá mais uma vez hoje, pelas 19 h, no programa Prova Oral da Antena 3, com a minha colega bloguista no ar! Não percam!
Decididamente The Gathering Party é um evento ao qual não se podes faltar!
www.thegatheringparty.org
Permanentemente
Thursday, September 21, 2006 | 0 Comments
A vida veste-se de muitas caras, de rostos que deliniam a direcção do nosso olhar. De muitas partidas e chegadas como grande cargueiros de transporte, mas tu não fazes parte deles. Tu fazes parte do que vou sendo, do que descubro que posso ser, da enxada a que me encosto para descansar, do bater do coração acelerado, das perguntas todas, do revolver das respostas, tu fazes parte do salto ousado e do refúgio, do silêncio e do alento, e cada pele que pele se torna tem o reflexo da tua presença.
Âncoras
Thursday, September 21, 2006 | 0 Comments
Não me lembro de nenhum momento de extrema solidão na minha vida, em que estivesse completa e desoladamente só. Não sei sequer a que é que isso poderá corresponder. Esse sentimento de absoluto e inevitável silêncio. O não nos termos sequer a nós por companhia. Será isso? Não o sei. Sempre tive pequenas bóias de navegação. Outras vezes maiores. A disciplina da minha mãe, a compreensão do meu pai, o carinho da minha ama. Os meus amigos, os meus livros, os meus desenhos que sempre completaram os meus traços e depois veio o Miguel que parece que é parte das minhas veias há tanto. Sempre tive âncoras. Ou se calhar era só eu que as via, não sei. Sempre tive esse optimismo cego de achar que "tudo se resolve", que hei-de conseguir lá chegar. Seja isso onde quer que seja. Mesmo nos momentos de quebra, não sei bem como, sempre me senti suspensa. Como fios invisíveis de cordas, como as notas das músicas que se prendem umas às outras, como as letras que formam as palavras e que seguram as coisas a que pertencem.Das dúvidas que assolaram a minha vigília sobre o mundo aos sonhos que persigo como candeias de orientação, sempre resultaram passos, trémulos às vezes, valentes noutras. Tantas vezes às avessas, na linha de trás do pano. Tantas vezes o adeus, que nem gosto de dizer. Tantas vezes a imagem de caras de quem gosto e que já não caminham os meus dias. Não sei o que fazer dos caminhos perdidos, nem dos outros nem dos meus. Nunca os vi. Se os vi não me dei conta. Passaram por entre os espaços da rede da minha memória. Costumo dizer que tenho memória selectiva. Acho que quanto mais me convenço disso mais selectiva ela se torna, por empatia. Para meu bem, suponho. Para nosso. Se não me lembro também não faz mal, é porque não deveria ser importante, pois do importante lembro-me de tudo. Deve ser suposto ser assim. O que me prende à vida é respirarem tantas vezes por mim.
Super, Hiper, X-Girl Friend!
Wednesday, September 20, 2006 | 0 Comments
Mas ver uma super heroína no recato da alcova, a violar um desgraçado vai muito além do mais selvagem dos sonhos de apreciadores de super heróis. Vai ao encontro das infindáveis horas de fantasias que todos guardamos desde a infância. Como serão estes tipos quando nem os papparazi os apanham? Serão tão quecadélicos quanto parecem?
Uma está excelente como Jenny/G-Girl (é quase impossível não pensar em associações libidinosas certo?) e o cara de cachorrinho sem dono, Luke Wilson na pele de Matt, o namorado fugídio e cobardolas dá-nos momentos de incontrolável risota. Os problemas dele começam quando decide pôr-se ao fresco, ao perceber que ela é possessiva, ciumenta e neurótica e com um temperamento incontrolável. Somando isto à sua superforça, capacidade de voar e tal, conseguem imaginar o cabo dos trabalhos em que acabou de se meter, não é?
O tom do filme, com as suas piadas constantes é uma marca do director Ivan Reitman, responsável por um dos maiores ícones oitentistas, os Caça-Fantasmas. E Reitman prova que está em plena forma, apesar de ter dirigido pela última vez em 2001, o filme Evolution.
Boa parte do mérito tem de ser dividido com o elenco que está mesmo em grande.
Mas ao incluir personagens descartáveis - como o melhor amigo (Rainn Wilson, de A Sete Palmos e The Office) e um supervilão (Eddie Izzard) só para contar de onde vêm os tais superpoderes - a força da trama dilui-se um pouco. É mais ou menos como se o Superman passasse a ser apenas o Clark Kent. É a tal coisa, sensação Dodot.
Fora isso e com umas pipocas quentinhas é de lamber os beiços.
Refresh
Tuesday, September 19, 2006 | 3 Comments
Quero empurrar isso para longe com este post. Quero que como uma enxurrada essas fotos e textos tristes sejam lavados. Estão a arrepiar-me por dentro, fazendo com que todos os pensamentos bons sejam empurrados para as paredes do cérebro e que lá fiquem escondidinhos.
Então cá vai um fiozinho de boa disposição que encontrei num blog de amigos ;)
"Sabes onde é que estão os amigos fixes? Sabes onde é que eles estão? Mas mesmo mesmo mesmo, fixes, mesmo mesmo. Eh pá, fixes? Aqueles amigos que tu olhas para eles e dizes: "Eh pá estes amigos são mesmo fixes!" Sabes onde é que eles estão, esses amigos tão fixes que até chateiam porque são fixes, os marotos? Sabes onde é que eles estão?
Sabes sabes SABES?
(Sei.)
Eu também! Um deles está agarrado ao computador e a ler o meu space!"
When it stops it stops
Friday, September 15, 2006 | 0 Comments
You said I beganThis messy state of love affairs
And I drink too much and smoke too fast
And this city's cleared my innocence
...
I heard the trains are running late
And I laugh out loud
My life's a mess
I have gone too far
In my lifelessness
....
And in an hour I walked on home
In the pouring shower
Lost my keys in front of me
My neighbor smiles he’s handing me
The blackest coffee you will ever see
And when it stops it stops
My heart stopped beating...
Emiliana Torrini- Heartstopper, The Fisherman`s Woman (2005)
Palavreando
Friday, September 15, 2006 | 1 Comments
"Arco-íris" é linda, leve, luminosa e tem um som maravilhoso. "Erva cidreira", "adágio", "amígdalas", "serenata" e "morango" também são bonitas. Os astros em geral têm uns bons nomes: "Terra", "Júpiter", "Vénus", "Urano"... e "Sol" e "Lua" que, com os seus nomes curtos e definitivos, formam um casal especial. Carregam esse simbolismo de masculino-feminino e não só resistem ao tempo, como são usados para medir a passagem dele. As cores também foram bem baptizadas. "Azul", "lilás", "preto", "branco", "verde". Até "vermelho" que é uma palavra forte e agressiva, combina com a cor que representa. Só tenho dúvidas em relação ao "amarelo". Sempre achei que merecia um nome melhor. Certas palavras não é que sejam bonitas, mas são simpáticas. É o caso de "pipoca", "camelo", "bolota", "caneca", "galocha" e "chupeta". Algumas são quase boas, mas parece que têm um "r" no lugar errado: "crocodilo", "lagartixa". Outras têm um "r" a mais: "próprio" e "frustrado".
Há palavras pequenas muito bem construídas como "bola", "tatu", "aço", "raio", "coco", "uva". Há outras que são compridas, mas bem equilibradas: "paralelepípedo", "sonoplastia", "velocidade", "dicionário", "caleidoscópio", "literatura", "pirilampo". E há as de tamanho médio que formam a base de nossa agradável língua: "selvagem", "primavera", "órbita", "hortelã", "liberdade", "perímetro", "lágrima", "destino", "pigmento".
O corpo humano tem palavras lindas para compensar outras que não quero nem citar. "Boca", "pernas", "dedos", "olhos", "cabelos", "lábios". São todos lindos, especialmente os do corpo feminino. Alguns verbos são bonitos e fáceis de praticar: "saborear", "espreguiçar", "cantar", "seduzir", "envolver", "esquecer". Já o verbo "amar" é simples e directo, mas tão difícil de ser dito e realizado.
Depois há aquelas palavras interessantes que são desperdiçadas em papéis menores: "meretriz", "coliformes", "migalhas". Outras são confusas como "guarda-chuva". "Guarda-roupa" faz sentido, mas "guarda-chuva"? Em espanhol diz-se "paraguas", que é mais lógico. "Céu" e "paraíso" são óptimos. Já "purgatório" é muito pior do que "inferno", pelo menos no nome. Um hábito que não entendo é agradecermos dizendo "obrigado". A palavra é bonita, mas a ideia é muito má. Outra que até hoje ninguém me explicou é porque se escreve "muito" e se lê "muinto". As notas musicais são perfeitas: "dó, ré, mi, fá, sol, lá, si", mas se precisar de usar um "sustenido" ou uma "semi-fusa", a coisa desafina. "Delírio", "sonhos", "algodão", "oceano" são belas palavras fugidias. Já "fugidia" é uma palavra horrorosa. Uma detalhe fascinante na linguagem em geral são as palavras polissémicas. São vocábulos de dupla personalidade, que acumulam funções completamente diferentes. "Banco" pode servir para guardar dinheiro ou para sentar. "Manga" de camisa ou fruta. "Andar": verbo ou piso de prédio. "Piso" por sua vez pode ser também do verbo pisar. "São" do verbo ser ou de santo. E mais: "nó", "salto", "canto", etc. Lewis Carrol brinca com maestria esse jogo de significados em Alice no País das Maravilhas.
A criação de novas palavras realiza a evolução de uma língua. Eu, por exemplo, estou há dias a cantarolar uma palavrinha simpática que o Nuno Markl inventou, "catitividade" e até já disse à minha colega bloguista Kátia que vou passar a chamar-lhe "Catita" pela tão elevada taxa de "catitividade" que ela tem. As gírias também são renovadoras. Uma palavra que hoje tá na rua, na boca do povo, amanhã pode estar num romance ou até num discurso de posse de uma alta patente do estado. Ah pois é. E esta hem?
(Respiração) Suspensa
Thursday, September 14, 2006 | 0 Comments
"A verdadeira arte do novo circo é a proposta do Casino Lisboa para Setembro. Assim, no dia 1, estrearam-se Andrea Engler, com um número de Aerial Tissue, e Marin Magne, com Aerial Straps. No dia 16, será a vez de Elena apresentar um exercício de Aerial Contortion. Tudo isto no Arena Lounge! Suspensa em duas faixas de seda branca, Andrea Engler executa um ballet aéreo que capta a atenção do público até ao último minuto. Nascida em Berlim, Andrea Engler propõe uma elegante coreografia, com invulgar precisão estética e dramática. A ver até ao dia 15 de Setembro!
Mestre reconhecido da modalidade, Marin Magne já esteve em evidência no Arena Lounge, no passado mês de Abril. As melhores acrobacias de Aerial Straps estarão, agora, em destaque até ao dia 10 de Setembro.
Com o acompanhamento de um professor russo, Marin Magne começou por estudar acrobacia aérea com faixas em Paris, especializando-se em trapézio. Posteriormente, associou a sua experiência ao esforço físico e desenvolveu o espectáculo Straps & Sculture.
A arte acrobática de Elena estará no Arena Lounge, de 16 a 30 de Setembro. Visualmente muito apelativos, os exercícios de Aerial Contortion distinguem-se pela habilidade e elegância da interveniente. " in Portal Lisboa Jovem
Desa_finando-se...
Wednesday, September 13, 2006 | 0 Comments
Saiba que isso em mim provoca imensa dor
Só privilegiados tem ouvido igual ao seu,
Eu possuo apenas o que Deus me deu
Se você insiste em classificar,
Meu comportamento de antimusical
Eu, mesmo mentindo devo argumentar,
Que isto é bossa nova, Que isto é muito natural
O que você nao sabe, nem sequer pressente,
...
Você com a sua música esqueceu o principal,
Que no peito dos desafinados
No fundo do peito bate calado,
Que no peito dos desafinados,
Também bate um coração.
António Carlos Jobim e Newton Ferreira Mendonça
Meia centena de frag-mim-tos...coisas que adoro
Wednesday, September 13, 2006 | 1 Comments
1 - Amigos com letra maiúscula2 - Sorrisos
3 - Piquenicar
4 - Gelado numa taça larga
5 - Cinema
6 - Sonhos
7- Molengar no Starbucks
8 - Viajar
9 - Caipinhas doxinhas doxinhas
10 - Surpresas
11 - Dançar
12 - Celebrar datas importantes (mesmo que sejam inventadas)
13 -Estar apaixonada
14 - Livros (muitos e bons! de poesia, romance, romance histórico...meus, dos outros, venham eles!)
15 - Lençóis lavados
16 - Cantarolar (baixinho...porque não tenho grande voz)
17 - Cerejas
18 - Fotografar
19 - Canetas, lápis e afins...
20 - Caipirinhas de morango
21 - Música
22 - Desafios
23 - Bloggar-me
24 - Orquídeas brancas
25 - Roupinhas novas
26 - Queijinhos e presuntinhos....tapas...mnham!
27 - Google (onde encontro tudo, excepto aquilo que perco)
28 - As luzes da cidade à noite
29 - Katering
30 - Bombokas de morango
31 - Aprender coisas novas
32 - Pipocar
34 - Beijos na testa
35 - Fazer festinhas
36 - Sushi
37 - Canecas
38 - Chá quentinho entre os dedos frios
39 - Madrid
40 - Apanhar conchas
41 - O cheiro morno das velas
42 - Tostas de atúmmmmmmmm
43 - Gomas que picam na língua
44 - Roubar massa do bolo com o dedo antes de ir ao forno
45 - Escrever
46 - Enviar postais
47 - Bolas de sabão
48 - Banho quentinho ao fim do dia
49 - É segredo....
50 - Saber quais são as tuas :)
Mythologies
Tuesday, September 12, 2006 | 0 Comments
Descobrir o trabalho de Patricia Barber é simplesmente descobrir um reduto onde deliciar os sentidos e deixar escorrer o tempo para fora do sangue. Não é por acaso que é considerada uma das melhores vocalistas de jazz da actualidade, mas o seu condão estende-se à voz e às letras carregadas de ironia, amores e humores ardentes. Mythologies, o seu mais recente trabalho está a ser considerado nos EUA como um contributo marcante na história do jazz, pela fusão inovadora entre a nova música clássica e o jazz, com o timbre particular dos idiomas populares do mundo. Cada canção é um quadro traçado sobre cada personagem das Metamorfoses de Ovídio, um prado extenso onde a música e a filosofia se unem na tecitura de um corpo chamado Arte."Imagine if you'd never heard jazz before.... you stumbled in after work for a drink.... you might think that jazz is an Ancient Greek music.”
Patricia Barber
http://musicstore.connect.com/album/612/Patricia-Barber/Mythologies/500000000000020648552.html
Pareço falar de mim...
Monday, September 11, 2006 | 0 Comments
m frente. Será possível que um dia, vá lá, um primeiro passo, eu tenha apenas ficado num lugar de onde, hábito antigo, costumava sair para ir passar dia e noite o mais longe possível de minha casa, e nunca era longe. Pode ter começado assim. Nunca mais farei perguntas a mim mesmo. Julgamos estar apenas a descansar, para depois agirmos melhor, ou sem ideias feitas, mas passado pouco tempo vemo-nos impossibilitados de fazer seja o que for. Pouco importa como isto aconteceu. Isto, dizer isto, sem saber o que foi. Talvez não tenha feito mais do que confirmar um velho facto consumado. Mas não fiz nada. Pareço falar de mim, mas não sou eu, não é de mim.Samuel Beckett, O Inominável
Save It For A Rainy Day
Monday, September 11, 2006 | 0 Comments
Pretty little hairdo don't do what it used toCan't disguise the living
All the miles that you've been through
Looking like a train wreck
Wearing too much makeup
The burden that you carry
Is more than one soul could ever bear
Don't look so sad, Marina
There's another part to play
Don't look so sad, Marina
Save it for a rainy day
(...)
You neve make your mind up
Like driving with your eyes shut
Rough around the edges
Won't someone come and take you home
Waiting for a breakthrough
What will you set your mind to?
We stood outside the Chinese restaurant
in the rain
Don't look so sad, Marina
There's another part to play
Don't look so sad, Marina
Save it for a rainy day
...
Save It For A Rainy Day, Jayhawks
apesar...
Friday, September 08, 2006 | 0 Comments
Apesar dos anos me pesarem no contorno dos olhos e me curvarem as costas, há algo inexplicavelmente dócil de uma fé inabalável que não conhece Deus algum, que se mantém impenetrável ao torpor dos dias e ao caldo inodoro do conformismo. Apesar da correnteza dos dias me ter engolido em garfadas grandes os sonhos e do desgaste de fazer em contra mão o destino, apesar das horas me arrancarem a cada instante a pele e o rosto tão igual, ter por dentro ossos que se quebram e se solidificam em ângulos novos. Apesar dos momentos em que me esqueço e me perco no caminho mais simples, e me quedo na cama cansada de arrastar o corpo entre escombros de ilusões e desejos. Apesar dos momentos em que me faltam as palavras e com elas o ar, apesar dos momentos em que se emaranha a vontade e a queda. Apesar das mãos estendidas, abertas que estendo, apesar de fingir para a vida sentidos que a vida não tem, porque a vida é circular como os lagos profundos. Apesar dos azuis e lilases, das investidas e dos esgotamentos, apesar de mim, de ti, do que foi e do que há-de vir…Apesar das palavras deixarem entre si espaços inabitados nunca poderei lá morar. Apesar da mãe e do pai e dos irmãos aqui todos a sorrirmos na moldura envernizada a esmalte caro, não haver família. Apesar do intenso cheiro a éter a latejar na minha cabeça, apesar dos silêncios e das ausências, apesar do amor que nunca veio para ficar e dos corações que nunca ouvirei bater junto ao meu, apesar da vida e da morte, do rosto pálido de força exangue, do violino, do piano, da relva e do chão, apesar do apesar…eu respiro, eu fico, eu acordo e morro, renasço, sem princípio nem fim…
Runaway
Friday, September 08, 2006 | 0 Comments

Call you up in the middle of the night Like a firefly without a light
You were there like a blowtorch burning
I was a key that could use a little turning
So tired that I couldnt even sleep
So many secrets I couldnt keep
I promised myself I wouldnt weep
One more promise I couldnt keep
It seems no one can help me now,
Im in too deep; theres no way out
This time I have really led myself astray
Runaway train, never going back
Wrong way on a one-way track
Seems like I should be getting somewhere
Somehow Im neither here nor there
Can you help me remember how to smile?

Make it somehow all seem worthwhile
How on earth did I get so jaded?
Lifes mystery seems so faded
I can go where no one else can go
I know what no one else knows
Here I am just a-drownin in the rain
With a ticket for a runaway train
And everything seems cut and dried,
Day and night, earth and sky,
Somehow I just dont believe it
Bought a ticket for a runaway train
Like a madman laughing at the rain
A little out of touch, a little insane
Its just easier than dealing with the pain
Runaway train, never coming back
Runaway train, tearing up the track
Runaway train, burning in my veins
I run away but it always seems the same
Summer Sky
Thursday, September 07, 2006 | 0 Comments
The sky is no longer blue,The night has arrived,
and here I stand just beside you.
The moon above enlightens our face,
we drift forgotten that we belong to the human race.
I’m so tired, I almost fade,
You are so sweet that can bring me to an adolescent grade.
We smile proud and free,
Filled with all the beauty we can see
Under an evening, limpidly bright
Dreaming in amber light
So many treasures that we can’t tell
Small things that cannot be sell
These are pleasures you cannot buy
Here, my love, quiet and tender we lie
under these infinitive summer Sky.
Thursday, September 07, 2006 | 0 Comments

"Pareces tranquila, porque escondes bem as inquietações. Tem cuidado para não te fechares demasiado na tua concha, porque dos outros podes receber o mal, mas também o bem. Por que te substimas sempre? - perguntou-lhe."
Sveva C. Modignani, Baunilha e Chocolate
Good girl
Wednesday, September 06, 2006 | 1 Comments
I’m not your good girlI’m not anyone
Life has grown so difficult
Just trying not to fall
Sometimes I see you
Peek through your dark disguise
Though I am broken down by your words
I can’t look away from your eyes
You want too much of me
And you give me nothing but lies
When you’re hereI can’t feel
Who I really am
When you’re gone
I want to run
Far away
Push and pull my heartstrings
Each tug takes liberty
You fight to get what suits you
Make the world what you want it to be
Time to step out of your shadow
Let the sun shine down on me
I’m not your good girl
I’m not your anything
I’ve become so cynical
Smaller steps won’t stop my fall
http://www.last.fm/music/Hungry+Lucy/_/Good+Girl
Over and over again
Monday, September 04, 2006 | 0 Comments
vim falar contigo porque vi-te aqui sozinha
tás em linha? Espero que esteja tudo bem contigo
Será que há espaço para mais um amigo
Não tou aqui para engatar, apenas falar
tar contigo a chillar, podemos conversar,
se não quiseres no stres, é normal
deves ouvir tanto coro quase nenhum original
(...)
Acreditas no destino e que tudo pode mudar num momento?
sabes o que queres ou segues ao sabor do vento?
tens tempo ou tens algum compromisso?
ainda vives com os teus pais ou nem por isso
qué que fazes? estudas? trabalhas?
preferes saltos altos ou calções e sandálias
quando sais á noite vais onde ,onde é que páras?
saía muitas vezes mas agora são raras
acreditas nos signos? qual e pra ti o made zodìaco?
qual é para ti o maior afrodisíaco?
sinto o teu style, o teu look
deixas-me tonto sem me tocar, qual é o truque?
Ainda bem que não fumas eu também não
gostas mais de comédias ou de filmes de acção?
fica com o meu nº gostava de ver outra vez
estar contigo outra vez, o qué que prevês? talvez?
se não for o que foi, tiver que ser tem que ser
sem forçar deixar o vibe acontecer,
é bom saber que temos coisas em comum
espero não ser apenas mais um
é engraçado sinto-me bem ao pé de ti
queres ir dar uma volta e andar por aì?
parece que já nos conhecemos há bué
nem sei porquê a vibe é
qualquer coisa que se sente e não se vê ,
mesmo sem querer, tu seduzes
posso dar-te boleia ou conduzes?
(...) manda-me uma fotografia espero que nao te esqueças deste dia
vou ficar a espera do teu telefonema
liga para irmos ao cinema
e um dia destes quem sabe...
Boss AC
Under the bridge
Monday, September 04, 2006 | 1 Comments
Sometimes I feel like I don't have a partnerSometimes I feel like my only friend is the city I live in
The city of angels
As lonely as i am
Together we cry (...)
(...) It's hard to believe that there's nobody out there
It's hard to believe that I'm all alone
At least I have her love, the city she loves me Lonely as I am, together we cry
Red Hot Chili Peppers
Um aceno
Sunday, September 03, 2006 | 3 Comments
Quem ao passar o Saldanha não se cruzou já com o gesto estranho e desusado do senhor que nos acena sem uma pergunta sem sequer saber de nós mais que aquele breve trocar de olhares por instantes.O homem que diz adeus. O senhor do Adeus. O maluco do Saldanha. Já o ouvi ser chamado por vários nomes uns mais simpáticos que outros. Por João Paulo que é o seu nome apenas hoje da boca dele. E para mim agora terá sempre nome porque ele não gosta que lhe chamem senhor.
Com os carros do outro lado e as costas das mãos à nossa frente. É por ele que tocam as buzinas, que se atiram beijos e sorrisos, que se gritam "boas noites!" e "adeus!". Eu não percebia porque acenava, mas acenava sempre numa tentativa de agradecer aquele estar ali a povoar a minha noite, o meu caminho. Agora ao seu lado vejo repetirem-se os acenos como se cada um dos mundos fechados que a cidade encerra e os quais erigimos num anonimato desconfiado concedessem tréguas neste reduto de inocência pueril e despojada esquecida das suas quase oitenta primaveras. A sua roupa clássica e a ondulação do cabelo grisalho alinhado com gel, dão-lhe um ar meio aristocrático, frágil e distinto. A sua história é simples e fala de solidão, se pedirmos delicadamente ele entrega-no-la sem sequer querer saber o porquê talvez porque as solidões se reconheçam ao longe pelo cheiro umas às outras e não precisem de saber mais de si que essa existência entranhada.
Mimado desde bebé, nasceu no seio de uma família muito rica num enorme palacete. Fez o ensino primário todo em casa, com um professor particular, pois no primeiro dia de aulas no Colégio Parisiense chorou tanto, que os pais não tiveram coragem de o mandar de volta. " fui criado numa redoma de vidro", confesssa. Depois do divórcio dos pais, quando tinha 13 anos, foi morar para o Restelo com o pai. Por ele, inscreveu-se em Direito, mas depressa desistiu, "era muito chato". Depois de uma igualmente curta passagem pelo curso de Histórico-Filosóficas, o pai, que não sabia o que fazer com ele, mandou-o para Londres, com o irmão. Há um brilho que se acende ao falar dos amigos e das saídas de rapazes, da cumplicidade e alegria desses tempos… Sem quase pôr os pés nas aulas, regressou a Portugal e, depois da morte do pai, pouco tempo depois, foi morar com a mãe, de quem não se separou até ao último dia da sua vida.
"Viajámos muito os dois. Todos os anos íamos a Paris e Madrid. Conheço a Europa inteira, excepto a Grécia…" E o olhar perde-se num momento só dele, como se pensasse alto deixando-me aqui a segurar o seu fio de pagagaio solto.
Depois da morte da mãe, começou a sentir-se cada vez mais só e começou a deambular pelas ruas, pelos centros comerciais ou por qualquer lado onde o pudesse distrair daquela morte outra que o consumia como uma térmita persistente. Um dia na estrada alguém deixou cair da janela um aceno. Depois veio outro e outro e aos poucos como as luzes da cidade se vão acendendo ao cair da noite assim os acenos se sucederam. Explica sem esconder um certo orgulho o seu "milagre". Nos olhos cinzentos que falam por detrás dos óculos de massanegra, duas lágrimas contidas. Diz-me que sabe que o que faz "não é muito normal" eu respondo-lhe que a normalidade é como os suspensórios, cada um usa à sua medida. É o remédio que lhe permite disfarçar a solidão que o consome e atenuar a dor menos de um passado vivido à medida de outras vidas que não a sua. No baú dos sonhos perdidos jazem o curso que não tirou, o trabalho que nunca fez, os filhos que não teve e o grande amor que nunca conheceu. "Sinto-me só. Incompleto" lacrimeja e eu ali sem me consegui desembaraçar do espanto só me lembrei de agradecer e abraça-lo fugazmente sentindo o corpo magro debaixo da camisa a cheirar a goma, virar costas esquivamente quase tropeçando nos pés e sussurrando um boa noite tímido já sem o sorriso largo da chegada. "Encontramo-nos no céu", grita-me, repetindo o que um diplomata ucraniano lhe disse uma vez. Levanto os olhos da calçada e olho para trás.
Não percebo porque me vim embora, porque fugi. Só sei que estando aqui estou lá por inteiro. Talvez por existirem estranhas formas de amor e ter sido embebida numa delas...ou talvez por me ter apercebido num momento de lucidez que aquela figura a acenar no passeio era eu, somos nós.
A nossa canção
Friday, September 01, 2006 | 1 Comments
Tantos anos passados ainda recordo melodias que me eram cantadas em susurro e que ainda segredam tranquilidade quando as canto para dentro. Por isso cá vai:
"Quando uma mulher sabe que está grávida, numa determinada tribo Africana, vai para a mata com algumas amigas, e juntas rezam e meditam até ouvirem a canção da criança.
Elas sabem que cada alma tem a sua vibração, que expressa o seu propósito e aroma próprios. Quando as mulheres se afinam com a canção, elas cantam-na em voz alta.
Então retornam à tribo e ensinam a canção a todos os outros.
Quando a criança nasce, a comunidade reúne-se e canta a canção para ela. Mais tarde, na idade de ir para a escola, a vila reúne-se de novo, para cantar a canção para a criança.
Quando da iniciação da fase adulta, novamente o povo se reúne e canta a canção. À época do casamento, a pessoa ouve a sua canção. Finalmente quando a alma está pronta para sair deste mundo, a família e os amigos unem-se ao redor da cama da pessoa, como fizeram no seu nascimento, e cantam à pessoa para a próxima vida.
Para esta tribo africana há outra ocasião na qual o povo canta para a criança. Se em algum momento de sua vida, a pessoa comete um crime ou um acto anti-social, o indivíduo é chamado ao centro da vila e as pessoas da comunidade formam um círculo ao redor dele. E então cantam-lhe a sua canção para que a ouça.
A tribo reconhece que o correctivo para o comportamento anti-social não é a punição; é o amor e a lembrança da sua identidade. Quando tu reconheces a tua própria canção, não tens desejo ou necessidade de fazer nada, que possa ferir outro ser.
Um amigo, é alguém que sabe a tua canção e a canta, quando tu a esqueceste.
Aqueles que te amam não se deixam enganar pelos erros que tenhas cometido, ou por imagens obscuras que tenhas de ti mesmo. Eles lembram-te a tua beleza, quando te sentes feio; a tua totalidade, quando estás dividido; a tua inocência quando te sentes culpado; o teu propósito, quando estás confuso.
Podes não ter nascido numa tribo africana, que cante para ti nas transições cruciais da tua vida, mas a vida está sempre a fazer-te lembrar quando estás afinado contigo mesmo, a cantar a tua canção e quando não estás.
Quando te sentes bem, tudo aquilo que fazes pertence à tua canção, e quando te sentes mal, tal não acontece. No fundo, todos nós reconhecemos a nossa própria canção e sabemos cantá-la muito bem. Às vezes, murmuramos apenas, mas acontece o mesmo com todos os grandes cantores.
Continua a cantar, vais encontrar o teu caminho para casa."
by Eveonclouds
“Encontrar a própria canção é encontrar o caminho para casa”
Allen Cohen
Adagio higiénico
Friday, September 01, 2006 | 0 Comments

Ao fazer compras no supermercado, descobri uma preciosidade, o ex libris das listas de compras, a gama de papéis higiénicos Neve. E não pensem que comprar papel higiénico é uma compra fácil ao alcance de qualquer dona de casa honorária. Não meus amigos, este é um produto sofisticado! O papel higiénico Neve diz vir responder às necessidade (?!) das classes A e B. Coisa que nunca tinha equacionada era isto de classe social ia ao ponto de tão grande diferenças... Portanto temos a Classe B que tem à disposição algumas opções, por exemplo o Neve Ultra: «alto relevo de flores, perfume e uma micro-textura» que, segundo o texto da embalagem, proporciona aos seus felizes utilizadores «a suavidade de uma pétala de rosa»!
Perguntar não ofende: alguém alguém experimentou?
Depois, temos o Ultra Soft Color, mais caro é claro! Virado para a Classe A, cor de laranja, com «extracto de pêssego»... as classes nobres têm um rabito habituado a distinguir cores e cheiros - é outro mundo, sem dúvida! Mas, o supra sumo é o Neve Ultra Protection, o top da linha. Este Rolls Royce dos papéis higiénicos, além de conter «óleo de amêndoas» para uma rabinho de bebé garante «maciez superior e um cuidado maior com a pele», na sua delicada fórmula encontramos Vitamina E. É realmente coisa da nobreza isto de ter rabinho vitaminado.
Agora para quem esteja a pensar sair de lista de compras em riste, pense duas vezes, isto de escolher produtos básicos é só para os mais intrépidos e experientes. Anos e anos de evolução para quê meus senhores? Os que pensavam que esta era o século da nanotecnologia desengane-se, este é o século que viu nascer a estratificação das classes sociais pela gama de papel higiénico!
É caso para dizer " E esta, hem?!"
Manhã de Agosto
Friday, September 01, 2006 | 0 Comments
Como magnólia, entregas o perfumepromessa indolente
veludo, lume
doçura quente.
Como orquídea, derramas alegria
exótica beleza,
delicada princesa,
corpo de maresia.
Como açucena, abre-se o teu rosto
tímida paisagem,
serena imagem
na manhã de Agosto.
Tea Time
Wednesday, August 30, 2006 | 0 Comments

Transcrevo alguns excertos traduzidos das primeiras páginas deste livro. Tudo o resto confio à vossa intimidade.
“Teaism é um culto que assenta no encantamento pela beleza envolvente em contraponto aos factos prosaicos sobrevindos na nossa existência diária. Entranha-nos de pureza e harmonia, a prática do entendimento mútuo e a idealidade de uma ordem social conforme.Trata-se essencialmente de um propósito inalcançável, imperfeito, uma vez que é uma tentativa muito delicada de atingir algo possível nesta coisa impossível à qual chamamos vida. (…)
Na nossa linguagem comum costumamos dizer que um homem ´não tem chá´ quando não é sensível aos interesse trágico-cómicos do drama pessoal. (…)
Mas quando pensamos quão minúscula é afinal, a chávena do prazer humano, quão rapidamente transborda de lágrimas, quão facilmente se esgota devido a esta sede insaciável de infinito, não nos podemos culpar por dar tanta importância à chávena do chá. (…)Aqueles que não conseguem sentir a insignificância das coisas grandes nele próprios tendem a ignorar a grandeza das insignificâncias nos outros. O culto do chá é nobre segredo de rir de si mesmo, calma mas profundamente, e isto é a essência do humor – o sorriso da filosofia. (…)Entretanto bebemos um gole de chá. O brilho da tarde ilumina as canas de bambu, as fontes borbulham satisfeitas, o zunido do vento por entre os pinheiros ouve-se na nossa chaleira. Sonhamos pois com a evanescência e contemplemos a leve beleza das coisas."
O Livro do Chá foi escrito em 1906 por Kakuzo Okakura, um japonês que investigou e deu a conhecer as artes tradicionais japonesas, levando-as até à Europa, USA, China e Índia. Foi um forte contributo no desenvolvimento das artes no Japão e consegui um impacto notável em figuras do mundo ocidental tais como o filósofo Martin Heidegger, o poeta Ezra Pound, e especialmente no poeta Rabindranath Tagore e a filantropa Isabella Stewart Gardner, os quais foram seus amigos pessoais.
http://www.sacred-texts.com/bud/tea.htm
Fragilidade
Tuesday, August 29, 2006 | 0 Comments
Talvez pudesse o tempo pararQuando tudo em nós de precipita
Quando a vida nos desgarra os sentidos
E não espera, ai quem dera
Houvesse um canto pra se ficar
Longe da guerra feroz que nos domina
Se o amor fosse um lugar a salvo
Sem medos, sem fragilidade
Tão bom pudesse o tempo parar
E voltar-se a preencher o vazio
É tão duro aprender que na vida
Nada se repete, nada se promete
E é tudo tão fugaz e tão breve
Tão bom pudesse o tempo parar
E encharcar-me de azul e de longe
Acalmar a raiva aflita da vertigem
Sentir o teu braço e poder ficar
É tudo tão fugaz e tão breve
Como os reflexos da lua no rio
Tudo aquilo que se agarra já fugiu
É tudo tão fugaz e tão breve.
Mafalda Veiga e Luís Represas
5:00 a.m.
Tuesday, August 29, 2006 | 0 Comments
A estrada é longa e há um denso nevoeiro cortado por carros velozes. Apresso-me. A ansiedade tem tenazes fortes. Apresso-me mais.
Hoje o dia começou antes do dia.
Hoje é dia de feira!
Saturday, August 26, 2006 | 3 Comments
O chão de terra batida de meter inveja a a qualquer picadeiro, luzes de todas as cores e feitios de por a um canto qualquer iluminação natalícia e gente muita gente. Confesso que os 300 e tal stands e expositores com artesanato e outros produtos me surpreenderam pela sua resistência ao passar do tempo, são exactamente os iguais aos que me lembrava de tempos remotos, de tal forma que um arrepiozito de dejávu me subiu pelas costas. Os mesmos assa-chouriços, os mesmos pá e vassoura para a lareira, os mesmos zé-povinhos, os mesmos indios com os seus artefactos feitos e Taiwan e e cd´s de pan pipe. Acho que estes tipos devem ter franshizado o negócio, estão em todo o lado e são iguaizinhos, até o espectáculo ao vivo com a música a passar discretamente por trás, tipo karaoke sem tv à frente, é igualzito parecem goblins.
Passei para a parte dos restaurantes e tasquinhas e posso afiançar-vos més amis (notem que já vou apanhando a pronúncia de cá) que uma bifana ou um pão com chouriço comido aqui entre criancitas a chorar e a levar tabefes, encontrões, fumo da roulotte das farturas a entrar pela porta do pré-e-semi-fabricado dentro e cheiro a homem do campo, pujante que nem um boi, que cavou o dia inteiro, tem outro sabor. É verdade! é ainda mais exótico que as aquelas colchas feitas de retalhos de lã de todas as cores que nos punham na cama quando vinhamos à terra. Note-se que a música berrante do palco do fundo com a Ruth Marlene a berrar em plenos pulmões, seguida do rancho Folclórico da região ajuda a dar um toque ao ambiente.
Do outro lado os carroceis, esses ainda capazes de encantar miúdos e graudos não obstante toda a tecnologia que a eles se vá sobrepondo. O mais pitoresco que descobri, capaz de "emoção e aventura" segundo o rapaz da cabine de t-shirt branca de mangas rasgadas à Hulk Hogan da periferia, foi um barco que oscilva 180%, em alucinante velocidade. A engenhoca da qual saíam gritos estridentes (vá-se lá perceber porque é que o pessoal paga para sofrer quando há formas tão simples e gratuítas) fazia um grunhido de engrenagem semelhante a chicotes a zubir o que combinado com a gritaria criava a estranhada e,confesso, arrepiente sensação de estarmos perante um inferno cheio de alminhas a serem torturadas. Isto perante a pacata barraquita do algodão doce com música de caixa de brinquedos. Isto do universo popular tem a sua mística própria, c'ést vrai! E entre um "ó freguesa venha veri, hoje tá pá arrebentari, é quase dado filha!" dito de um só fôlego e um "Attendre! Attendre! óh puto dum c.... está quieto" este é o sabor das feiras e das gentes, castiças, brutas e generosas como em nenhum outro lado.
Hard balance
Friday, August 25, 2006 | 0 Comments
I felt discouragedfelt like my will is worthless
Lonely scared and nervous
In a life without no purpose
Hands start freezin'
what's the reason?
They say i'm a damaged good
supose I'd be better if I could
Cried out for a friend
but love is just an illusion
a mith,
another trend.
Changes
Thursday, August 24, 2006 | 0 Comments
I feel unhappy
I feel so sad
I lost the best friend
That I ever had
She was my woman
I loved her so
But it's too late now
I've let her go
I'm going through changes
I'm going through changes
We shared the years
We shared each day
In love together
We found a way
But soon the world
Had its evil way
My heart was blinded
Love went astray
I'm going through changes
I'm going through changes
It took so long
To realize
That I can still hear
Her last goodbyes
Now all my days
Are filled with tears
Wish I could go back
And change these years
I'm going through changes
I'm going through changes
Ozzy Osbourne
Ansiedade
Thursday, August 24, 2006 | 1 Comments

Tic Tac
Tic Tac
o tempo presente
corpo dormente
a dor que trespassa
Tic Tac
Tic Tac
sorrir no vazio
arriscar e perder
caminhar dentro do frio
fechar os olhos
desvanecer
Tic Tac
Tic Tac
a queda
o voo
a lama
a nudez crua
ausência
a minha a tua
Tic Tac
Tic Tac
a hora
o punhal
a chama
o rio que arrasta
o silencio
a força que não basta
Tic Tac
Tic Tac
passividade
gritar
contorcer
agressividade
outra vez revolver
Tic Tac
Tic Tac
correr sem sair do lugar
estar preso sem estar
ter ar e sufocar
partir e nunca chegar
a hora com gume
faca afiada
querer tudo
nao alcançar nada
e de tanto tentar
de ser
de esperar
de sonhar
de escrever
de desesperar
de acreditar
de crer
assim o rumo mudou
sem querer saber idade
consumida pela ansiedade
o coração parou
Dance with me
Wednesday, August 23, 2006 | 0 Comments
Let's dance little stranger
Show me secret sins
Love can be like bondage
Seduce me once again
Burning like an angel
Who has heaven in reprieve
Burning like the voodoo man
With devils on his sleeve
Won't you dance with me
In my world of fantasy
Won't you dance with me
Ritual fertility
Like an apparition
You don't seem real at all
Like a premonition
Of curses on my soul
The way I want to love you
Well it could be against the law
I've seen you in a thousand minds
You've made the angels fall
Won't you dance with me
In my world of fantasy
Won't you dance with me
Ritual fertility
Come on little stranger
There's only one last dance
Soon the music's over
Let's give it one more chance
Won't you dance with me
In my world of fantasy
Won't you dance with me
Ritual fertility
Take a chance with me
In my world of fantasy
Won't you dance with me
Ritual fertility
Contracção
Wednesday, August 23, 2006 | 0 Comments
Contraio os musculos a cada passoa cada respirar profundo
a boca seca, o olhar sem fundo
trincar pó sabor a cansaço
o tempo desfaz-se na aresta
do espaço.
Mãos abertas contra costas voltadas
sorriso ténue a arrombar portas fechadas
Suspensa na curva da noite
à deriva no pensamento
toda a esperança vale quase nada
apenas do caminho me alimento.
Contraio os musculos
agora que a força nao chega para andar
cerro os dentes,
grito para nao chorar
resistir para nao me deixar vencer
se eu falhar como to poderei dizer?
no lugar da vontade apenas obstinação
que esta luta ferroz nao seja em vão....
Here
Monday, August 21, 2006 | 1 Comments
Here I standthrought day, night
wind and dust,
Here I write
because in you I trust.
I have no wings to reach the sky
but in the streets my feets aren' t shy
The city is a word to discover
people in every window
abband houses to recover
foreign faces passing by
so many things to try
turists asking for a postcard
emigrants who's lifes are hard
tiny restaurants promissing delights
posters of labers claiming their rights
Here I found out the summer rain
the humble people and silent pain
Mountains, founts, wonder everywhere
nothing matter if you can't share
I hope see you soon
under sun or full moon
I'm tired of running away
here is just another day
and take a wild guess
my life is the same mess
can I stop can I be ok?
will be always the same way?
Here where I stand
I' m trying to be free
I'm trying to succed
I'm trying being me
as weell I have you my friend
I'll ever believe in a happy end
Here or wherever I'll be
please stand next to me.
Waiting
Saturday, August 19, 2006 | 1 Comments
I'm laying in the darkness,I cannot fall asleep.
I wish for a call or beep.
I wake up early in then morning.
I crossed every road every street.
I just stopped when I couldn't stand on my feet.
I can't stop now, if you depend on my will.
I cry very quiet laying very still.
I have no ideias I'm so blue.
I don't know what to do.
No keys turning, nobody coming in the door.
No footsteps on the floor.
I went out for a walk,
for fresh air and moonlight
I have no friends for a talk.
I'm a foreigner crossing the night.
In my head a huge fight
drowning in so many things to say
about about what I did today.
I'm laying in the darkness,
I cannot fall asleep.
I wish for a call or beep.
I feeling odd, kind of sick, so fragil, so small.
I wish that someone notice, someone give me call.
The only ringing is the sound of my heart.
I do everything I can
and even do wherever I go
it seems I can't do my part.
anoitece
Thursday, August 17, 2006 | 1 Comments
Cobertor quente II
Wednesday, August 16, 2006 | 0 Comments
que me despi
foi para fazer do meu corpo novo chão
que morri
foram tantas as vezes que falhei
mais ainda os caminhos que nem tentei
Eram tantas as palavras a nascer
e a boca tão pequena para as conter
E assim andei para trás na memória
aqui parei a contar-te uma história...
acordei com as bategas fortes da chuva na vidraça e com o frio a entrar junto as costas,num corredor estreito entre a t-shirt e a toalha de praia. é agosto e chove com a força de dezembro. ainda ontem mastigava o fumo dos fogos e o calor como uma mortalha. o tempo é incerto como os dias. a casa é grande e silenciosa como um grande elefante adormecido. lavei a cara com agua fria a cortar-me os dedos. vesti uma roupa leve. trinquei uma maçã. li. peguei numa caneta e escrevi um postal. tenho um vicio por esses artecfactos que nos ficam e nos recebem como braços.escrevi um breve comentário de passagem a recordar uma açorda quente partilhada a beira de um mar nocturo escondido do olhar mas imenso ali entre nós. abri a internet que é como quem diz que pega no megafone e se anuncia em alarido. procurei a torneira do gaz e deixei o esquentador engasgar-se com o inesperado trabalhar do estomago desacostumado. todos os triunfos sao grandes quando se está assim em estranhas terras. a agua quente fumegou e eu sorri. saí a pé. dei a volta ao largo.sentei-me tímida no café perante os olhares inquisidores. estendi o meu melhor sorriso como quem estende uma passadeira vermelha e pedi um galao e um croissant quente de chocolate. comi a ver uma novela estranha que me fez lembrar pinnypons esquizofrénicos,uma tal floribela que deixa miudos e graudos com o mesmo olhar pasmo das vacas nos prados. paguei e perguntei onde podia colocar o anuncio. foi o primeiro de muitos que espalhei e que a cidade viu nascer como cogumelos nas vitrines. passei por todas as ruas. as gotas grossas a escorrerem pelo rosto. a camisa preta colada a pele. o cheiro a bolos no ar a misturar-se com os dos queijos. gente muita gente de chapeu de chuva aberto. uma confusao de linguas misturada exoticamente na massa de bola doce. postais. mais postais. aqui é bem fácil fazer chegar aí este pedaço de terra e passado. escolho um que fala de um arco de cavaleiros por achar que nós somos meio artureanos na nossa audácia, no nosso arrojo e na maneira como lutamos ao lado e por aqueles que amamos.precisei de ti ali comigo rua de calçada acima no recorte da pedra desta babel improvisada por isso liguei-te e deixei que a tua voz escreve por mim as palavras a selar rapidinho para sair as 18h.há aqui muitas rotundas como se os homens revolvessem sobre si antes de escolher direcção. a camisa começa a empapar nas mangas e torna-se desconfortavel sentar na cadeira, por isso espraio-me em todos os balcões meio perdida em pensamentos forçando-me a sorrir sempre, a falar, a perguntar, a entregar de mão em mão a minha fragilidade. de que matéria seremos feitos, se de matéria tão diferentes somos. paro numa florista está lá a familia inteira. o rapaz moreno de olhos verdes fato preto pouco adequado ao seu corpo esguio conta-me a historia do seu patrão anterior que tinha sido agente imobiliário. o pai e a mae lamentam nao poder mudar de casa para me ajudar. falamos numa simpatia e familiaridade desusada entre estranhos. saio para a chuva. o rapaz moreno de olhos verdes segue-me e para-me diz que quer apenas saber o meu nome, respondo-lhe com vontade de lhe dar um nome lustroso e cantante, mas dou apenas o meu que já de tão usado quase nem corpo tem e do pouco corpo que lhe resta ainda o sovo para que seja capaz de ter sombra e hálito nas bocas dos que o balbuciam. ligo o calor no máximo assim que chego ao carro. oiço um cd que trouxe aí de casa e me acalma por dentro e me aquece e de repente robustas e viçosas como mulheres beirãs as memórias vão chegando espessas como chavenas de chocolate quente a fumegar à lareira. navego pelas estradas transbordantes sem destino, apenas experimentando aquele sem fim de saídas de rotundas e de placas indicando outras direcções. nunca percebi porque é que me perco sempre se querendo outras direcções aquelas nunca servem. estaciono. há um miado familiar que me segreda que é a morada certa. entro. pego ao colo no meu gato e deixo-o ronronar junto ao peito.ponho a água do banho a correr quente. tão quente que quase me deixo queimar para sentir de novo as pontas dos dedos. passo pelo pc à procura de um calor que encha como a maré cheia invade as praias. tenho a sensação que deixaste aberta uma página do teu diário aqui. sorrio por o teres deixado. gostava que me tivesses contado algo que eu fosse capaz de partilhar e não de hoje onde o tempo me excluiu de pertencer a toda a parte. dei por mim a desejar que tivesses escrito algo que eu provavelmente teria escrito e foi nesse instante que fiquei feliz por teres escrito apenas fosse o que fosse era essa a tua dádiva a minha foi ter desfeito um bocadinho de imperfeição.
Já te disse que o título me lembra Calvin & Hobbes?
Cobertor Quente
Wednesday, August 16, 2006 | 0 Comments
Aos domingos levantava-me muito cedo e deslizava de pézinhos descalços pelo corredor até ao quarto dos meus pais e a minha mãe segredava baixinho " O pai está muito cansado (ele fazia turnos e acumulava vários "trabalhos") e precisa de dormir mais um bocadinho". Levantava os lencóis com várias camadas de cobertores macios e pesados e deixava-me dormir ali um bocadinho no meio deles. Lembro-me que às vezes não dormia, ficava simplesmente ali, como se fosse o último refúgio de tranquilidade no planeta.
Por vezes acordava muito cedo e ficava em silêncio a fazer legos na sala. Tinha todo o tempo do mundo e podia construir tudo antes de todos acordarem. Também gostava de desenhar. Adorava quando me ofereciam lápis e canetas novos. Embora soubesse que as cores eram as mesmas, um conjunto novo de lápis de côr sempre exerceu um grande fascínio em mim. Ainda continua a fazer. Vá-se lá explicar porquê. Material de papelaria novo, sejam lápis, canetas, papeis ou blocos, sempre exerceram em mim o efeito de "mundo novinho em folha" a descobrir.
Uma folha nova para começar tudo, um desenho para modificar e dar nova vida. Assim continua a ser. Acabei de almoçar e estivemos à conversa de como iriamos re-organizar o escritório/biblioteca lá de casa e conciliar com isso todos os instrumentos de música e os meus quadros e respectivo material de pintura. Os livros, as estantes, o cheiro das tintas, o pó do pastel, as telas. A bateria, as guitarras, os sintetizadores. As coisas que têm a nossa história dentro. E tudo isto porque abri um caderno antigo e uns postalinhos que vou coleccionando daqueles que me querem bem. Gosto de ter isso tudo perto de mim, seja em casa ou na empresa. Lembram-me quem sou e de quem gosto para além das convenções, diplomacias e reuniões de blazer e saia a condizer.
São como cobertores quentinhos que aquecem por dentro, que evocam serões calmos com lenha a crepitar, a mantinha no colo, a cabeça enroscada no teu ombro, as palavras derramadas em riso morno.
Partir
Sunday, August 13, 2006 | 0 Comments
Partir,fazer as malas
acontecer, ferir.
Partir,
descoberta,
porta estreita,
estrada incerta.
Partir,
loucura,
desagravo,
vida dura,
olhar escravo.
Partir,
não deixar nada,
nem casa
nem gente
nem lugar quente
ou sorriso à chegada.
Partir
procurar,
abrir asas,
tentar o vento,
cair,
recomeçar
escritas rasas
afogar pensamento.
Metamorfose
Saturday, August 12, 2006 | 0 Comments

armadura fina de gelo
distância calculada em cada gesto
que se corta à nascença
impossível amar, apenas resto.
A voracidade dilacerante
a fome maior que todas as fomes
o vazio maior que todos os vazios
na espuma dos dias
que rebenta no peito.
E tentar e nunca lá chegar
e fugir sem sequer partir
por dentro um deserto
a boca gretada de vomitar areia
o corpo a tremer pela convulsão dos pesadelos
pelo rasgar desta fimbria de aço
dos estilhaços que abrem aljavas no lugar de bolsos
olhar de betume negro
como os bélicos céus em fogo.
Carla Bruni - Quelqu'un m'a dit
Friday, August 11, 2006 | 0 Comments
On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses.
On me dit que le temps qui glisse est un salaud
Que de nos chagrins il s'en fait des manteaux
Pourtant quelqu'un m'a dit...
{Refrain:}
Que tu m'aimais encore,
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore.
Serais ce possible alors ?
On me dit que le destin se moque bien de nous
Qu'il ne nous donne rien et qu'il nous promet tout
Parait qu'le bonheur est à portée de main,
Alors on tend la main et on se retrouve fou
Pourtant quelqu'un m'a dit ...
{au refrain}
Mais qui est ce qui m'a dit que toujours tu m'aimais?
Je ne me souviens plus c'était tard dans la nuit,
J'entend encore la voix, mais je ne vois plus les traits
"Il vous aime, c'est secret, lui dites pas que j'vous l'ai dit"
Tu vois quelqu'un m'a dit...
Que tu m'aimais encore, me l'a t'on vraiment dit...
Que tu m'aimais encore, serais ce possible alors ?
On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses
On me dit que le temps qui glisse est un salaud
Que de nos tristesses il s'en fait des manteaux,
Pourtant quelqu'un m'a dit que...
{au refrain}
Piquenicar
Friday, August 11, 2006 | 1 Comments
A hora de almoço é por si uma hora de calma e paragem. Um corte para carregar baterias e depois voltar ao trabalho. Mas o tempo é sempre tempo e escoa como areia, por isso fartas do roboliço do "ó menina, xaxavor!", do "psst psst" repedido à exaustão e culminado de uma bela canelada-toma-que-ja-andaste-tou-aqui-à-meia-hora-a-esbracejar! Resolvemos arrumar trouxa e aviar farnel e ir estrada fora até à beira rio. Não sei se é a nossa costela romani, se são os calores do verão se somos simplesmente duas moçoilas malucas, mas soube tão bem que repetimos. É verdade e garanto-vos que temos uma boa meia centena de testemunhas entre formigas, abelhas e moscas como qualquer bom piquenique. A comida é simples, sempre de improviso. Por mesa o mesmo que as cadeiras: relva. os pés descalços irrequietos com vontade própria de dançar e se estrear em arrojadas travesias. Assunto é o que se queira, até mesmo não haver assunto. Apenas um apontar de dedo ( e queremos lá saber se é feio) aos pormenores que nos acordam como um rádio a passar uma melodia desconhecida. Pois é, e assim vos desafiamos a se juntarem a nós, no banco de jardim mais próximo, na praia, num miradouro, num terraço, num qualquer espaço de evasão... levem alguém convosco e contém-nos o que sentiram. Partilhem e venham cá plantar uma florzinha no nosso jardim. Ficamos à espera. Florejos, borbolejos e outros solfejos.












