Compassos

Friday, December 01, 2006 | 1 Comments

As palavras amendoam o sorriso,
conversam e conversam, deitados lado a lado
depois, e devagar, maciamente
passam à pele absoluta do silêncio
onde apenas a respiração marca o compasso

Thursday, November 30, 2006 | 2 Comments

O tempo, subitamente solto pelas ruas e pelos dias, como a onda de uma tempestade a arrastar o mundo,
mostra-me o quanto te amei antes de te conhecer.
Eram os teus olhos, labirintos de água, terra, fogo, ar, que eu amava quando imaginava que amava.
Era a tua a tua voz que dizia as palavras da vida.
Era o teu rosto.
Era a tua pele.
Antes de te conhecer, existias nas árvores e nos montes e nas nuvens que olhava ao fim da tarde.
Muito longe de mim, dentro de mim, eras tu a claridade.

José Luís Peixoto.

Hoje na Antena 3, Prova Oral, às 19h.
Por ocasião do seu novo livro Cemitério de Pianos.
Eu cá vou estar colada à telefonia.

Para os teus olhos

Thursday, November 30, 2006 | 1 Comments

"Sentia-me tão feliz que a beijava nas pálpebras, muito suave, e uma noite aconteceu como uma luz no céu: sorriu pela primeira vez."

Gabriel G. Márquez in Memória das minhas putas tristes

The sound of my heart...

Thursday, November 30, 2006 | 1 Comments

Thursday, November 30, 2006 | 0 Comments

"We sailed away on a winter's day"
Joanna Newson

The color of my heart

Wednesday, November 29, 2006 | 0 Comments

Arrastei os pés como chumbo e vivi cada dia não de cada vez mas como se não existissem de todo. Arrojei pelo chão os minutos atrás de mim como a cauda de um vestido antigo demasiado pesado para o meu corpo. Vesti-me de negro porque não fui capaz de tecer mais cores para me cobrir.
É essa a côr que ensombra o meu olhar. A mesma côr que me escurece tornando os fios do meu pensamento negros, deixando-os cada vez mais encardidos, até parecer que nunca possuiram outra cadência ou brilho.
E esta letargia ensopava-me até ao momento que recebi uma mantinha de retalhos de tantas cores que ceguei por segundos. A beleza pode ser assim ofuscante. Pode durar 1 segundo ou aquecer-nos por vários dias.
Tentei guardá-la em local seguro, longe da tinta que cobre tudo de negro, longe dos tais fios de pensamento que ainda não foram passados por água limpa. Voltei cá para fora, onde a minha alma se arrasta sem as asas que a sustinham lá em cima.
Mas depois lembrei-me: se calhar é ao contrário que funciona. E se a trouxer para os sítios alagados? Será que esta mantinha tem o poder de diluir toda a escuridão, absorvendo-a e tingindo-a de todas as cores que tem em si? Vou tentar antes assim. Vou arranjar agulhas novas e lãs coloridas e vou tricotar os espacinhos que sobrarem em cada suspiro, em cada recuperação do folêgo a meio da descida. É nestes espaços que os fazedores de tempo se encontram para afinar os tons de cada amarelo, laranja, vermelho, azul, púrpura, castanho, verde, castanho, rosa...sabias?

Tempo? Qual tempo? II

Wednesday, November 29, 2006 | 1 Comments

Para onde corres?
Não sei.
Não sei como somos apanhados por essa queda mas sei que nos leva a lugares que não compreendemos, onde os outros não são feitos da mesma pele que eu. Sei que não conseguirei respirar porque o ar não é aquele que preciso, sei que não conseguirei ver claramente pois a claridade é de outra substância que não conheço. Sou como uma visitante alienígena neste mundo de sombras, de cartadas dançantes com músicas que não sei dançar. Sei que sou o estranho, o inadequado. Sei que por muito que me disfarce de carta valiosa não serei mais do que parte do bluff. Esforço-me a cada dia por ver melhor, respirar melhor, dançar melhor, jogar melhor como se isso valesse por si alguma coisa, ou como se no final da queda houvesse algum corredor mágico com portas de saída em que poderia finalmente alcançar uma realidade melhor. Será que a realidade de que me visto hoje não me deixará rota e nua numa qualquer sarjeta fria?

Tempo? Qual tempo?

Wednesday, November 29, 2006 | 1 Comments

Tempo? Qual tempo?
Aqui não há tempo.
Aqui o tempo somos nós.
É o nosso corpo e a nossa vontade.
É a nossa fome e a nossa sagacidade.

Aqui havemos de RASGAR a pele para que não nos ponham algemas.
Aqui preferimos CHORAR a não sentir nada.
Aqui preferimos RIR a todas as músicas do mundo.
Aqui preferimos a FRAGILIDADE e PARTIR do que ser sempre igual.
Aqui não há tempo de não ter tempo.
Aqui é urgente semear caminhos.
Ser vida e ser gente.
Mesmo que demente.
Aqui só se pede uma palavra
e um silêncio
de mão dada,
mais nada.

La science des rêves...

Tuesday, November 28, 2006 | 1 Comments

Uma história absorvente de apurado sentido estético, que nos expõe sem reservas as possibilidades de transfiguração da realidade. Mais do que falar de sonhos como um terreno fértil para dar asas à sua imaginação ou forma de escapar à realidade opressiva e frustrante, Michel Gondry dá-nos o mundo onírico como intrínseco à própria realidade e à resolução de problemas. Sonhar é apaziguar, concretizar, tomar balanço, sarar. Todas as possibilidades, todas as experimentações se dão no modular de cada momento como se fosse composto de partículas flexíveis e manipuláveis. A ciência dos sonhos é manter a pureza da infância, a capacidade de ser imperfeito e frágil, excentricamente diferente nas perspectivas da vida, tendo disso consciência, mas nem sempre controlo. É sobretudo uma fome imensa de fantástico, de beleza e de construção – de mundos, personagens e de histórias. O sonhador, os sonhadores são contadores de histórias que fazem do osso mais cru, do banal, a matéria inesgotável dos seus devaneios.
Tanto mais haveria a dizer nesta tela remendada a retalhos de simbologia e beleza, sobre cavalos de pano que ganham vida, barcos que têm dentro florestas nas quais procuram o mar, camas azuis cor de céu e de meninos assustados...
A verdade é que horas depois, já a noite se rasgava em luz, ainda estava acordada, a ver bailar diante de mim a imagem de dois jovens incorpóreos a fazer o céu e o mar. Esta é a mais forte impressão que me ficou, tatuada na penumbra, de um espaço que já não era físico, de um tempo que deixou de ser mensurável. De todos os farrapinhos e da linha clara do teu sorriso hei-de fazer a minha capa para passar entre as gotas de chuva como uma criança invisível à dor.
...Eu não quero ser gente fininha como esparguete... ;)

Página Oficial
Trailer

Suspended rings

Monday, November 27, 2006 | 2 Comments

Amar é reconhecer nos outros um ser misterioso, uma vibração que nos faz estremecer, a estreita presença de um corpo num promontório de uma alma. Aqueles que nos fascinam pela maneira como nos envolvem no seu mundo de magia e sedução refazem-nos do início. Todos os momentos é um amor interior que não fala. São oferendas de tudo o que existe do lado de dentro da pele. Quem o recebe à porta, sente-o, penetra no amago corpo, transforma-o em pregas de muda dimensão. Muda-me, por agora. Porque presumo que há-de ensinar-me o dobro das palavras que eu sei.

Lembrar-nos-emos sempre...

Sunday, November 26, 2006 | 0 Comments

Ao longo da muralha que habitamos
Há palavras de vida há palavras de morte
Há palavras imensas,que esperam por nós
E outras frágeis,que deixaram de esperar

Há palavras acesas como barcos
E há palavras homens,palavras que guardam
O seu segredo e a sua posição
Entre nós e as palavras,surdamente,
As mãos e as paredes de Elsenor

E há palavras e nocturnas palavras gemidos
Palavras que nos sobem ilegíveis
À boca Palavras diamantes palavras nunca escritas
Palavras impossíveis de escrever
Por não termos connosco cordas de violinos
Nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
E os braços dos amantes escrevem muito alto
Muito além da azul onde oxidados morrem

Palavras maternais só sombra só soluço
Só espasmos só amor só solidão desfeita
Entre nós e as palavras, os emparedados
E entre nós e as palavras, o nosso dever falar.

Lembra-te

Lembra-te
que todos os momentos
que nos coroaram
todas as estradas
radiosas que abrimos
irão achando sem fim
seu ansioso lugar
seu botão de florir
o horizonte
e que dessa procura
extenuante e precisa
não teremos sinal
senão o de saber
que irá por onde fomos
um para o outro
vividos
Mário Cesariny

Love Cookie

Friday, November 24, 2006 | 3 Comments


Lembraste quando fazíamos bolos e sonhos juntas maninha?
Quando no seu interior haviam descobertas e mensagens a revelar? Lembraste quando queríamos fazer bolinhos da sorte e o papel se desfazia sempre? Lembraste de quanto isso tornava ainda mais doce cada nova tentativa?
Não sei o que se passou entretanto, o que se partiu por dentro. Terá acontecido o mesmo que com os papelinhos que se dissolviam e desapareciam?
Apenas sinto a falta da tua voz a dizer"dorme bem". Da minha mão pendurada fora da cama a gelar e a agarrar a tua, pois tinhas medo do escuro e de adormecer sozinha. Lembro-me das corridas pelo corredor, do riso, dos legos espalhados no chão da sala. Sinto saudades de acordar na manhã de natal e pegar nos presentes que tinha feito para ti na escola e de ver a tua cara a abri-los, como se fossem todo o ouro do mundo metido dentro de um embrulho cuidadosamente feito com os papéis e fitas recicladas do natal passado. Lembro-me do cheirinho doce pela casa, da mãe a estender as filhoses e dos pijamas grossos e das pantufas.
O que é que acontece quando nos dissolvemos dentro de nós mesmos? O que acontece para que emudeças e apagues para sempre os sonhos que uma vez tiveste? Não consigo entender maninha. Gostava de poder fazer um bolinho mágico e que quando o comesses ficasses curada, como fazíamos quando eramos pequenas.

Just to see you smile

Friday, November 24, 2006 | 1 Comments

Caiu a noite e com ela e lua começou a subir no horizonte. Está nublado, é certo, mas é bela de qualquer forma...Estendo-te a mão com pequeno presente de vidro: pequenino, bem embrulhado e com um laço abensonhado. Abre cuidadosamente, o amor é um objecto frágil.
No interior guardei os mais belos presentes que fui encontrando:
- 5 estrelas de magia
- 4 estrelas de fantasia
- 9 estrelas de alegria
- 7 estrelas de amizade
- e outras 4 de carinho e meiguice
À medida que fores desfazendo o laço, vão saltando da caixa um a um, fugindo das mãos multiplicando-se e tomando o seu rumo pendurando-se no céu escuro por cima dos teus olhos. Brilharão especialmente para ti e para onde quer que olhes lá estarão elas.
No fundo da pequena caixa, agora vazia, restará uma carta.
Abre-a. A tinta dirá: "E agora? Já acreditas?"

Quase perfeito

Thursday, November 23, 2006 | 2 Comments

Sabe bem ter-te por perto
Sabe bem tudo tão certo
Sabe bem quando te espero
Sabe bem beber quem quero

Quase que não chegava
A tempo de me deliciar
Quase que não chegava
A horas de te abraçar

Quase que não recebia
A prenda prometida
Quase que não devia
Existir tal companhia
Não me lembras o céu

Nem nada que se pareça
Não me lembras a lua
Nem nada que se escureça
Se um dia me sinto nua
Tomara que a terra estremeça

Que a minha boca na tua
Eu confesso não sai da cabeça
Se um beijo é quase perfeito
Perdidos num rio sem leito

Que dirá se o tempo nos der
O tempo a que temos direito
Se um dia um anjo fizer
A seta bater-te no peito

Se um dia o diabo quiser
Faremos o crime perfeito
Donna Maria

Miss you

Wednesday, November 22, 2006 | 1 Comments

eu fui devagarinho, com medo de falhar
nao fosse esse o caminho certo para te encontrar
fui descobrindo devagar cada sorriso teu
fui aprendendo a procurar por entre sonhos meu

seu fui assim chegando, sem entender porquê
já foram tantas vezes, tantas assim como esta vez
mas é mais fundo o teu olhar, mais do que eu sei dizer
é um abrigo para voltar,ou um mar pra me perder

...
Lá fora, o vento, nem sempre sabe a liberdade
gente perdida balança entre o sonho e a verdade
foge ao vazio, enquanto o brinde (...)
eu trago-te comigo, e sinto tanto tanto a tua falta....
Mafalda Veiga
Perto de ti o luar tem o perfume das rosas;
Perto de ti é fácil improvisar caminhos,
Perto de ti as estrelas são mais luminosas,
do avesso dos casacos se fazem ninhos!




















"And silently their shining Lord replies:
'I am a mirror set before your eyes,
And all who come before my splendor see
Themselves, their own unique reality...

...The Simurgh, Truth's last flawless jewel, the light
In which you will be lost to mortal sight,
Dispersed to nothingness until once more
You find in Me the selves you were before.'"

Mantiq al-Tayr, or the Parliament of Birds

Bery nice!!!

Tuesday, November 21, 2006 | 0 Comments

Feeling the sweetness of dreaming
here where I stand
I found out a new meaning
For things I didn’t understand.

Sweet strawberry seeds
planted in our soul
brighten the dark that we hide
and suddenly the words flow
there’s an angel by your side.

will be the sweetest you've ever tried
These red berry lips
These open hands
These unlocked hearts
will takes so high
way upon the sky.


Fresh strawberries, scarlet treat,
for you my dear,
my favourite sweet,
sripen in mossy green beds
luscious creams
sumptuous delights
that love feds.

Para curar uma grande gripe!

Tuesday, November 21, 2006 | 3 Comments


Atchimmmmm!!!!!

Goodbye

Sunday, November 19, 2006 | 0 Comments


to a good friend in his grandpa memory












Seems like it was yesterday
when I had your strenght
teaching about who we are
encouraging me to keep my way.
Thanks for watching me grow
Thanks for all you know
Thank you for all you've done
Because it's part of the man i've become.

It's so hard to say goodbye
accept things without asking why.
Would you help me understand?
Carrying on the life I intend?
Are you looking down upon me?
Are you proud of who I am?
I've got my hands full of good things,
And I hope I can share a part
of what you've made me see.
That way you'll always stay in my heart.
That way you'll always stay with me.

A magical experience...

Sunday, November 19, 2006 | 0 Comments




Healing Hug :)http://www.foxsearchlight.com/littlemisssunshine/

....if you were different from everybody else
...if your dreams seemed so out of time,
...if the air you have isn't enought to breeth
and if what you want is not what you need.
what would you do?
what would you do?

About

Mei and Arawn