Infinitos

Wednesday, January 24, 2007 | 0 Comments


"Sou igual. E por trás disso, céu meu, constelo-me às escondidas e tenho o meu infinito."

Fernando Pessoa

Tom, picture of gravity and a feline

Wednesday, January 24, 2007 | 0 Comments


O corpo dos dias

Tuesday, January 23, 2007 | 0 Comments

Por vezes escorregamos ao longo do dia num ápice, sem sequer conseguirmos olhar em volta, surpreendidos pela velocidade escorreita do tempo.
Agarro-me aos pinceis grossos e à tinta da imaginação pueril para transformar a descida numa gargalhada.

Happy Birthday!!!

Monday, January 22, 2007 | 1 Comments


Este blog faz hoje um aninho e repete o motivo pelo qual foi iniciado, dar os parabéns!

Happy Birthday sweeties!!!


Presents

Saturday, January 20, 2007 | 0 Comments

Foi um beijo com sabor
diferente...
quente
como as orquídeas,
perfumadas.
Uma surpresa
rosada delicadeza
rosto terno,
doce.
Para ti eu faço um barco.
um presente
estando aqui
ou estando ausente.
Depois, guardo o sorriso
num poema
como este que nasce por amor
nunca por ser preciso


dispo o papel
faço um nó
faço um laço e
um beijo
depois de te ter no regaço.

Com @mor

Thursday, January 18, 2007 | 1 Comments

As buscas quotidianas que me ocupam hoje prendem-se com fantasia. Com a fantasia de criar e de fazer de conta. Com o divertimento puro de nos vermos noutras peles. Nós que tanto mudamos e nos fazemos de peças de puzzle encaixadas, nós que tantas vezes nos mascaramos do que não queremos ser, vamos agora preparar-nos para o faz de conta do que somos. Seres alegres e coloridos, feitos de pluma e de seda. Hoje iremos encontrar a pele certa para entrar no mundo do nunca.

Perfect Day

Thursday, January 18, 2007 | 1 Comments

Desde o fim de semana que me movo ao som deste música.
Têm sido momentos intensos e fantásticos, saboreados até ao mais infímo segundo.
É como se os muitos corpos que somos fosse apenas o desdobramento de um em pleno voo.
É tão bom esta leveza de ser!






Just a perfect day,
Drink Sangria in the park,
And then later, when it gets dark,
We go home.
Just a perfect day,
Feed animals in the zoo
Then later, a movie, too,
And then home.

Oh it's such a perfect day,
I'm glad I spent it with you.
Oh such a perfect day,
You just keep me hanging on,
You just keep me hanging on.
Just a perfect day,

Problems all left alone,
Weekenders on our own.
It's such fun.
Just a perfect day,
You made me forget myself.
I thought I was someone else,
Someone good.

Oh it's such a perfect day,
I'm glad I spent it with you.
Oh such a perfect day,
You just keep me hanging on,
You just keep me hanging on.

You're going to reap just what you sow,
You're going to reap just what you sow,
You're going to reap just what you sow,
You're going to reap just what you sow...

Catterfly

Wednesday, January 17, 2007 | 1 Comments


Dias há em que deveríamos possuir, para além de um pêlo quentinho, pantufas silenciosas e delicadeza felina, asas coloridas de borboleta que nos levassem para longe da agrura dos momentos pesados e que por gestos alados nos concedessem a leveza de podermos voar por onde os olhos e a alma fogem.

Protecção

Wednesday, January 17, 2007 | 0 Comments


Não há em nós diferenças suficientes que nos separem. Transformamo-las em formas únicas de amar.

Love Games

Tuesday, January 16, 2007 | 0 Comments

The Love of the Game, Edgar Guest

There is too much of sighing, and weaving
Of pitiful tales of despair.
There is too much of wailing and grieving,
And too much of railing at care.
There is far too much glorification
Of money and pleasure and fame;
ut I sing the joy of my station,
And I sing the love of my game.

There is too much of tremble-lip telling
Of hurts that have come with the fight.
There is too much of pitiful dwelling
On plans that have failed to go right.
There is too much of envious pining
For luxuries other may claim.
Too much thought of wining and dining.
But I sing the love of my game.

There is too much of grim magnifying
The troubles that come with the day,
There is too much indifferent trying
To travel a care-beset way.
Too much do men think of gold-getting,
Too much have they underwrit shame,
Which accounts for the frowning and fretting,
But I sing the joy of my game.

Let's get back to the work we are doing;
Let us reckon its joys and its pain;
Let us pause while our tasks we're reviewing,
To sum up the cost of each gain.
Let us give up our whining and wailing
Because of the bruises that maim,
And battle the chances of failing
As being part of the game.

Let us care more for serving than winning,
Let us look at our woes as they are;
It is time now that we were beginning
To be less afraid of a scar.
Let us cease in our glorification
Of money and pleasure and fame,
And find, whatsoe'r be our station,
Our joy in the love of the game.

From "Just Folks" 1917

Cantilena

Tuesday, January 16, 2007 | 0 Comments


Por ti dançava nua pela rua
E laçava a lua
Só para te dar

Por ti fazia poemas
E inventava teoremas
Em que te pudesse mimar

Por ti pendurava no lençol
Um rasgo de sol
Para te aquecer

Por ti atravessava o oceano
Fazia um bom plano
Para te proteger

Por ti parava o dia
E nunca me esquecia
Das asas de um cobertor

Por ti apenas esta chávena de chá
Que une aí ao lado de cá
No fino fio do amor.
A Câmara Municipal de Lisboa, através do pelouro do Urbanismo, vai lançar no dia 19 deste mês o programa "LX - ReHabitar o Centro", colocando no mercado de arrendamento 20 fogos e três espaços comerciais em edifícios municipais reabilitados, em bairros históricos da cidade, destinados à população jovem. Através deste programa, a autarquia de Lisboa pretende arrendar fogos e espaços comerciais a rendas acessíveis, tendo por referência o seu valor de mercado reduzido em 25%, "dando assim oportunidade à população jovem de residir em Lisboa, no concelho onde já estuda ou trabalha".
De acordo com os termos do regulamento do concurso, a "atribuição dos imóveis é efectuada através da celebração de um contrato de arrendamento, pelo prazo único de cinco anos, destinando-se o arrendamento dos fogos habitacionais exclusivamente à habitação própria e permanente do arrendatário e o arrendamento dos espaços comerciais ao exercício exclusivo da actividade do arrendatário". Como garantia do cumprimento do contrato de arrendamento "é exigido um fiador, solidariamente responsável com o arrendatário", explica a autarquia.
Com esta iniciativa, o município pretende contrariar a tendência para a desertificação dos centros históricos da cidade, assumindo, após a reabilitação do edificado, um papel activo na dinâmica de renovação populacional dos bairros. Para a vereadora Gabriela Seara, "também os espaços comerciais disponibilizados constituirão pólos indutores de uma oferta de qualidade ao nível do comércio tradicional e dos serviços".
A bolsa agora criada pela câmara determina que podem candidatar-se ao arrendamento de fogos municipais pessoas singulares, maiores, de nacionalidade portuguesa ou estrangeira, desde que legalmente habilitadas a residir e trabalhar em território nacional pelo período correspondente à duração do contrato de arrendamento. São ainda condições exigidas: ter menos de 41 anos de idade à data do prazo limite para a entrega das candidaturas; não ser proprietário, comproprietário, usufrutuário ou arrendatário de habitação na área do município de Lisboa; trabalhar ou estudar ou residir na área do município de Lisboa desde que, neste caso, pretendam aceder à sua primeira habitação. Segundo a autarquia, no boletim de inscrição o candidato vai poder indicar até três fogos dos constantes da bolsa de arrendamento, de acordo com a tipologia adequada à composição do seu agregado familiar.
A CML estipula que um T1 se destina a um agregado familiar até duas pessoas, um T2 entre duas e quatro, um T3 de quatro a seis e um T4 de cinco a oito. Para a responsável do Urbanismo e da Juventude na capital, esta é uma oferta para jovens em início de vida. Dada a rotatividade inerente à duração do contrato de arrendamento, e porque afinal a autarquia quer dispor de uma bolsa com casas disponíveis sempre que necessário, estas habitações não podem ser vistas como "uma casa para vida", mas "antes casas para início de vida", refere fonte do gabinete de Gabriela Seara lembrando "os jovens que casam ou os que querem estabilidade". A abertura de candidaturas para fogos habitacionais decorre de 19 de Janeiro a 15 de Fevereiro e para espaços comerciais de 19 de Janeiro a 27 de Fevereiro de 2007. O sorteio dos fogos será a 6 de Junho. A documentação para o contrato terá de ser entregue até 29 de Junho de 2007 e o regulamento e anúncio do concurso vão ser publicados no Boletim Municipal, no site da Câmara de Lisboa (www.cm-lisboa.pt) e em jornais nacionais.

Enjoy your kind of...

Sunday, January 14, 2007 | 0 Comments


Love Tea

Thursday, January 11, 2007 | 0 Comments


A little cup of friendship
With a bag of tea
When you drink this
Think of love from me.
If I could take your troubles,
I would toss them in the sea.
But since I can't, I'm sending you
My favorite cup of tea.
:)
Tea that helps our head and heart.
Tea medicates most every part.
Tea rejuvenates the very old.
Tea warms the hands of those who're cold.
J. Jonker, Amsterdam, 1670

Hot inside

Thursday, January 11, 2007 | 3 Comments

para aquecer-te
manter-te quente
aquele xaile de lã
uma chávena de chá
um sorriso doce pela manhã.

Around the world

Thursday, January 11, 2007 | 0 Comments

Este menino é um refugiado birmanês. Com a cara cheia de protector solar foi apanhado a tentar passar a fronteira entre a Birmânia e a Tailândia e ficará num campo de recolhimento de Mae Sot. A situação política na Birmânia tem vindo a piorar e Washington, começa já a exigir intervenção militar para libertar o país e os prisioneiros políticos. Como todos conhecemos as políticas de "libertação" dos EUA aqui fica a sensibilização para um problema emergente. Pelo menos que não sejamos apanhados numa ignorância autista.

Vocês são irmãs?

Wednesday, January 10, 2007 | 1 Comments

- Olá boa tarde.
- Boas, tudo bem?
- Sim óptimo. Chamo-me Marisa. – Inclino-me para o cumprimentar.
- Prazer, Miguel. E você é?
- Kátia, prazer. – Sorris envergonhada.
- São irmãs? – Sorrimos uma para a outra sem saber muito bem o que responder.
- Sim, quase. - Respondo – o quase não sei bem o que é.
O quase é aquela mesma linha ténue que separa o estarmos juntos há 15 anos de sermos casados. É exactamente isso.
Não é um quase nosso, mas emprestado dos outros. Um quase envergonhado que não nos apetece ter de explicar.
Há alturas em que nem sequer o digo.
- Então a mana está boa? – Pergunta-me a vizinha do rés-do-chão, rapariga solitária e simpática.
- Sim está bem obrigada.
- Vi no outro dia que se magoou no pé, já está melhor?
- Sim está a recuperar bem. Daqui a nada larga as canadianas. Obrigada.
- Dê-lhe um beijinho meu, está bem?
- Sim, sim, será entregue. Obrigada.
Saio porta fora a sorrir e a pensar nestas coisas que nos são emprestadas. As canadianas, as irmãs, os quase.
A irmã que não era minha mas que afinal já não é outra coisa senão minha. Os quase dos outros e as canadianas que preferimos devolver.
O património vivido que define a apropriação do outro ao ponto de já não sabermos nem querermos saber das diferenças subtis entre ser irmã de sangue ou irmã de escolha. A irmã de escolha é de facto diferente, é voluntariamente nossa e nós dela.

Olhar off

Wednesday, January 10, 2007 | 0 Comments

Já ouviram falar de voz off certamente, aquela vozinha que ninguém ouve do lado de cá, mas que está atenta ao decorrer da representação ou locução e garante que tudo corre bem.
Ontem inventei um novo conceito o olhar off que faz exactamente o mesmo, mas que funciona com a partilha de um olhar cúmplice que se cruza por momentos.
Estes são segredos do lado de cá da rádio.


Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa.
E vê menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma cousa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas,
...
Fernando Pessoa
Hoje estou especialmente interventiva. Ora vamos lá a outra questão inquietante:
Está a ser feita uma petição online para acabar com os sites de pornografia infantil. A única coisa que nos pedem é para acender uma vela virtual. O objectivo de acender um milhão de velas em 4 meses foi cumprido em 60 dias. Quantas mais velas, melhor. O link está abaixo. Eu já acendi a minha… Para mais informações basta ir a http://expresso.clix.pt/Actualidade/Interior.aspx?content_id=374692
As crianças agradecem. E o resto do mundo também.
http://www.lightamillioncandles.com/
Hoje vou repescar um post que aqui coloquei há sensivelmente um mês.
Vamos pensar um bocadinho nisto: O referendo é já em Fevereiro e desta vez não há praia nem fim-de-semana prolongado que vos valha como desculpa. Para o próximo Referendo Nacional, as inscrições ou alterações só eram admitidas até ao dia 12 de Dezembro. Os cidadãos eleitores que não procederam à sua inscrição no recenseamento eleitoral no prazo indicado ficam impedidos de participar no Referendo Nacional. Do mesmo modo, os cidadãos que residam em freguesia diferente daquela em que se encontram inscritos no recenseamento eleitoral, ficam impedidos de proceder à transferência da respectiva inscrição para a freguesia em que actualmente residam. Quem não se recenseou fica a ver navios e para a próxima espero que esse espírito cívico esteja mais alerta.

E a perguntinha é «Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?».
Esqueçam lá as questões quanto à "questão". É mesmo esta.

São feitas quatro perguntas nesta pergunta: 1. Se concorda com a despenalização do aborto; 2. Se ele deve ser feito por opção da mulher; 3. Se a despenalização deve ser até às 10 semanas 4. Se deve acontecer em estabelecimento de saúde legalmente autorizado.

As respostas poderão ter vários sentidos e isso determinará cada voto.
Vamos lá ver o que NÃO está na pergunta acima: 5. Quando começa a vida humana? 6. Qual a sua posição sobre o aborto? 7. A mulher é dona do seu corpo? 8. Concorda com este referendo? Eu já respondi interiormente a todas elas e vou votar SIM no referendo, e vocês?

E os números são:
Estudo da Consulmark encomendado pela Associação para o Planeamento da Família:
14,5% das mulheres portuguesas fizeram um aborto
Há entre 17 200 e 18 mil abortos por ano
30% entre os 17 e os 20 anos
85,7% interrompeu a gravidez em Portugal
72,7% fizeram antes das 10 semanas
20,6% das mulheres praticantes de uma religião abortam depois das 16 semanas
8,2% de mulheres não praticantes de uma religião abortam depois das 16 semanas
39,4% das mulheres fazem aborto em casas particulares
32,2% das mulheres fazem aborto em clínicas privadas
18,2% das mulheres fazem aborto em consultórios médicos
6,9% das mulheres fazem aborto em hospitais públicos
45% dos abortos são feitos por médicos
30,6% dos abortos são feitos por parteiras.
22,7% das mulheres obtiveram informações sobre o local de realização do aborto através de um profissional de saúde.
64,1% das mulheres não foram acompanhadas pelo médico após o aborto
Uma em cada três mulheres que interrompeu a gravidez através de comprimidos teve depois necessidade de recorrer a um serviço de saúde.
46,1% das mulheres que recorreram ao aborto admitem que engravidaram quando não estavam a usar qualquer tipo de contraceptivo.
Amostra: duas mil mulheres entre os 18 e os 49 anos inquiridas por questionário sigiloso.

Outra questão que tem sido polémica:
"NUNCA DIGAM ABORTO, DIGAM IVG, Interrupção Voluntária da Gravidez. É disso que estamos a falar. Não de abortos. Nunca de abortos. Eu sou contra o aborto. Numa sociedade perfeita não existem abortos, todas as pessoas teriam a possibilidade de procriação controlada a 100%. Numa sociedade imperfeita, a interrupção voluntária da gravidez não deve ser criminalizada. É disso que se trata. Não de abortos." José Reis Santos

Winter inside

Monday, January 08, 2007 | 0 Comments


Acordei com uma constipação que tem vindo a piorar!
Este ano não está a ser animador :(

Quero miminhos!!!


Por vezes os momentos deixam-se apanhar apenas em sesações ténues, difusas e intensas que perpassam connosco o tempo mesmo quano a imagem se dissipou. Mometos tão perfeitos, inebriantes e étereos como os de um corpo que se aprende pelo perfume.


"É talvez uma urna uma lâmpada uma flor
um vaso de veludo
uma lança solar
ou apenas um traço negro em torno
de um ponto azul

Algo que não sei
uma felicidade tão leve tão frágil e tão nu
ao desejo de nomear
uma pele fresca de lua uma mulher de chuva
o perfume azul de um corpo adivinhado
ou um oásis de silêncio a brancura de um lírio
que nascesse do seio do espaço

Branca dourada ou transparente
flexível como a água ou uma folha oval
apenas esboçada vacilandoluz misteriosamente pura
inacessível já voando para o alto"

António Ramos Rosa
Antologia Poética

Can't Take My Eyes Off Of You

Saturday, January 06, 2007 | 0 Comments

You're just too good to be true,
can't take my eyes off of you
You'd be like heaven to touch,
I wanna hold you so much
At long last love has arrived,
and I thank God I'm alive
You're just too good to be true,
can't take my eyes off of you
Pardon the way that I stare,
there's nothing else to compare
The sight of you leaves me weak,
there are no words I can speak
Could this be love that I feel,
please let me know that it's real
You're just too good to be true,
can't take my eyes off of you
Do do do do do do do do do,
do do do do do,
Do do do do do do do do do do, do do doo
I love you baby,
and if it's quite alright,
I love you baby,
you fill my lonely nights
I love you baby,
trust in me when I say
Oh pretty baby, don't bring me down
I pray, I need you baby,
now that I've found you stay
And let me love you baby, let me love you...
And I think I'm going out of my head
Yes I think I'm going out of my head,
over you, over you
I want you to want me,
I want you so badly
I can't think of anyone but you
Going out of my head over you,
out of head over you
Out of my head,
day and night, night and day and night,
wrong or right
I must think of a way to get into your heart
There's no reason why my being should keep us apart
And I think
I'm going out of my head

Cafeíssimo

Friday, January 05, 2007 | 1 Comments

Hoje a homenagem vai para os sítios onde passo grande parte do tempo livre e onde vivi alguns dos melhores momentos, a sós ou com amigos, na companhia de um livro ou de valentes gargalhadas. Aqui fica o meu tributo a esses sítios, onde o cheiro da madeira das mobílias se confunde com o cheiro forte de café e bolinhos quentes. Local de repouso de viajantes, local de encontro de habitués, é onde podemos repousar, recuperar forças ou simplesmente contemplar como gatos à janela a vida lá fora. O que sabe melhor após uma caminhada pela cidade do que o merecido descanso numa qualquer poltrona com uma chávena quente entre os dedos? Que acordar tão doce este o de poder refastelar-me com um croissant docinho e uma chá verde enquanto leio o jornal ao domingo de manhã? E ao final do dia, depois de tanto trabalho e esforço poder molengar num qualquer barzinho com música jazz e torradas quentes?
Aqui fica uma galeria de fotos de sítios assim que descobri no PBase.

Vai um cafézinho?

As cores das horas

Friday, January 05, 2007 | 0 Comments

De manhã, às 06:00 é azul-escuro, estilo “midnight”. Às 07:00, azul topázio. Às 08 de hoje era cinzento clarinho, por causa do nevoeiro.
Às 09:00 tínhamos um bege clarinho, porque o sol decidiu aparecer e espraiar-se por cima do nevoeiro. Às 10:00 ficou um amarelo pálido.
Das 11 às 13 ficou alaranjado. Das 13 às 15 assistimos a um arco-íris, porque os nossos olhos reflectiam todas as cores.
O resto das minhas horas hoje coloriram-se com um presente.
Decidi colocá-lo aqui, numa fotografia que ficou tremida mas bonita na mesma. Este é o sítio de onde vos escrevo.
Não teria nada mais de especial se não fosse esta paleta de cores que me foi servida em forma de bule e chávena, hoje, às escondidas, presente que uma fada deixou no assento do meu carro, como quem deixa uma candeia acesa para que o caminho não escureça.
Hoje vejo assim, com lentes de arco-íris.

Keys

Friday, January 05, 2007 | 0 Comments

Hoje tenho pouco tempo, muito pouco tempo...
Mas passei por aqui.


One word
frees us of all weightand pain in life:
that word is
LOVE

Sophocles
"Aprendi umas valentes lições que me foram ensinadas por tentativa-erro e por conhecer algumas das pessoas mais fascinantes de Portugal e, por conseguinte, do Mundo.
A saber:
1- A maior parte das pessoas é boa pessoa.
2- Vale a pena dar coisas às pessoas porque elas dão coisas de volta, tipo boomerang.
3- O trabalho compensa, o crime não.
4- Os gatos não são um animal de estimação adequado a homens que vivam sozinhos.
5- Os gatos não são um animal de estimação adequado a sofás que vivam sozinhos.
6- Nunca se queixem de nada porque não vale a pena, nem mesmo quando a alma não é pequena.
7- Quando tiverem uma grande tarefazorra, tipo livro, tese de mestrado ou doutoramento, pintar paredes da casa, etc. pensem apenas nas coisas em passos pequeninos, um de cada vez.
8- É mais divertido tentar a superação constante e fracassar, do que andar praí a anhar.
9- Ler é a parte mais importante de escrever.
10- Todas as pessoas sensíveis estão profundamente divididas entre o que são e o que parecem.
11- As pessoas gostam dos livros na medida em que gostarem do escritor.
12- Riam de vocês próprios.
13- Para se vingarem riam dos outros, gozem muito com os outros, especialmente com pessoas que não riem delas próprias."

in Tasca da Cultura (www.tascadacultura.blogspot.com) que parece ter fechado portas infelizmente. Esperemos poder vê-la em livro. Ficamos a torcer.
(Yeah, yeah, yeah...Bom feeling...
Yeah, yeah, yeah...Bom feeling...
Yeah, yeah, yeah...Bom feeling...)
Deixa a janela do sorriso aberta,
Coisa boa, boa,
Coisa desperta,
Canta quem a caia nos liberta.
Deixa a janela do sorriso aberta,
Coisa boa, boa,
Coisa desperta,
Canta quem a caia nos liberta.
Dá-me um...Bom feeling...Bom feeling...Bom feeling...Bom feeling...
Deixa de complicação,
Deixa de confusão,
Liberta a alma dessa prisão,
Deixa-te guiar pelo coração.
Deixa de complicação
Deixa de confusão
Liberta a alma dessa prisão
Deixa-te guiar pelo coração.
Dá-me um...Bom feeling...Bom feeling...Bom feeling...Bom feeling...
[ - Esse coração assim desagasalhado, vais sair assim?
- O sorriso aonde é que está?
- 'Tás a pensar que vais aonde assim?
- Tens mesmo é que buscar, buscar, buscar, ir fundo, ri só, ri só! ]
Dá-me um bom feeling dentro de ti,
Que eu dou-te um bom feeling dentro de mim,
Bom feeling para voar,
Bom feeling para motivar!
Bom feeling dentro de ti,
Que eu dou-te um bom feeling dentro de mim,
Bom feeling para levar,
Bom feeling para nos fazer sorrir!
Bom feeling...Bom feeling...Bom feeling...Bom feeling...Bom feeling...Bom feeling...Bom feeling...
Bom feeling para cantar!
Bom feeling para curtir!
Bom feeling para dançar!
Bom feeling para nos fazer sorrir!
Bom feeling...

[ - Queres feeling, feeling, feeling?
- Bom feeling cor-de-rosa, amarelo, azul, branco, de todas as cores...
- Quantos é que queres? Rebuçados, doces?
- Olhem o meu bom feeling, olhem o meu bom feeling! ]
(Bom feeling...Bom feeling...Bom feeling...)
[ - Bom feeling é a cor do amor, é a cor da paz...
- É só abrir um sorriso, é só deixar passar.
- Fui, com o vento! ]

Sara Tavares - Bom Feeling

Healing love

Wednesday, January 03, 2007 | 0 Comments

Parou o carro à porta. Apressei-me. Sabia que já te tinha feito esperar e não gostas de esperar.
- Vamos à farmácia?
Olhei para ti. Estavas vestida de negro e tinha o auricular do telefone posto. Eu precisava de ir à farmácia, de facto. Normalmente quando fazia alguma sugestão era com a timidez de quem adivinha um não. Assenti. Sabia que o tempo era escasso e quando te predispões a partilha-lo é um gesto voluntário e com significado. Pensei no que é que estarias a pensar e se ela saberias que eu estaria a pensar nisso.
- Já volto.
Saiste e eu fiquei a ouvir um programa de rádio qualquer. Esperei enquanto ao longe via a luz da farmácia a piscar num verde fluorescência.
- Já está.
Entraste no carro a sorrir. Retribui.
Rodei a chave na fechadura. Entramos. Tomei um duche rápido enquanto lias alguns dos meus textos. Sempre senti pouco à vontade em mostra-los, mas procurei não pensar muito nisso. A água quente caía sobre os ombros e aliviada a carne de um dia tenso.
Sentei-me. Pegaste no betadine e limpaste o corte. Por baixo da pele estremeci, apesar do aspecto já quase curado da ferida os músculos acusavam a dor do embate.
- Dói?
Rodaste a ligadura sobre o pé. Uma volta.
- Um bocadinho.
Doía. Mas eu pensava noutras coisas. Pensava na vulgaridade de estar ali sentada a deixar que tratasses de mim.
Duas voltas. Três voltas.
- Assim já está bom, vou prender.
Incomodar-me-ia deixar-me estar ali sentada de perna esticada sobre a sanita, mas desta vez não. Há um leve indício de constrangimento nessas situações em que expomos a nossa banalidade. Observava a maneira cautelosa como as tuas mãos se moviam como se adivinhassem os pontos de dor. Não é a vertigem sôfrega, mas esta capacidade de deixarmos entrar na nossa vulgaridade despida, na nossa fragilidade que nos faz pressentir que amamos genuinamente alguém. Deixei-me ficar a observar os teus gestos calmos e medidos. Não valia a pena falar. Eu sabia que tu sabias em que é que eu estaria a pensar.
O amor senta-se em vulgares bancos de jardim.
pg.1 do livro de Eva

Viciante!...

Tuesday, January 02, 2007 | 0 Comments


Despois disto,não vão querer outra coisa!

É delicioso brincar com a nossa língua :)

HAPPY NEW YEAR

Tuesday, January 02, 2007 | 0 Comments

Viciante!...

Tuesday, January 02, 2007 | 0 Comments

Depois disto, não vão querer outra coisa!
É delicioso brincar com a língua :)

3, 2, 1....FELIZ ANO NOVO!!!

Monday, January 01, 2007 | 0 Comments

É assim que todos os anos devem começar e acabar...entre quem amamos.

Ao Cazu ao Mike, à Mei, à AnaLee e ao Alpha com beijinho catita por uma ponte entre dois anos deliciosa como a ponte entre cada um de vocês.


Quero um amor que cubra esta vontade,
Um amor exigente que me abra os olhos e feche para sempre a porta dos medos.
Se vieres comigo será possível...
Se vieres comigo pararemos à beira do caminho para ver as árvores vestirem-se de rosas,
e as águas levantarem-se para vir saciar a nossa sede.
Se vieres comigo havemos de nos confundir na carne e nos olhos.
Quero um amor assim capaz de anunciar com troar de canhões as suas descobertas.
Um amor capaz da dormência domingueira de gato ao sol.
Se vieres comigo isso será possível...
Se vieres comigo partiremos com rumo a algum lugar desconhecido,
podemos ser anarcas até,
devoradores de cinema ou de livros.
Podemos ser músicos ou poetas de dia.
Podemos ser blazé ou intelectuais,

Literalmente, que importa?
A nós não nos desgasta o beijo muitas vezes repetido.
Instalamo-nos num tempo confortável para ser.
Se vieres comigo todos os dias serão felizes e luminosos
cobertos pela paz branca de quem conhece todas as formas de amor.

New year resolutions?

Sunday, December 31, 2006 | 1 Comments

Jé me perguntaram isto mais de umas cem vezes hoje!
Não percebo porque é que anda meio mundo a enganar a outra metade com esta coisinha irritantezinha das resoluções. É como ter filhos, há sempre alguém que acha que sabe mais da nossa vida que nós e que acha que "já está na hora de despachar o assunto" .
Começar a ir ao ginásio e por-me em forma e essas coisas, é uma resolução p'raí com 15 anos que mantenho com grande satisfação.
Comprar menos roupitas e sapatos e ser menos materialista? Quem me conhece já desatou a rir! Paradoxalmente não sou materialista, mas ninguém me tira esta mania de andar arranjadinha e bonequinha, vá se lá perceber porquê anima-me a mim e aos outros. Além de que é uma contribuição válida para o desenvolvimento da economia e crescimento do país. (só me movem estes elevados valores patrióricos!!)
Podia dizer que vou acabar a minha pós-graduação, mas essa resolução já deve ter uns 20 anos, pois sempre que me inscrevo em qualquer coisa é para fazer com preceitinho, nunca achei muita piada a andar a passear livros, se bem que este ano ando quase quase lá.
Ser feliz, ser mais isto ou mais aquilo, não são resoluções para o ano, são para todos os que se seguem e já foram perseguidos em todos os que passaram.
Na verdade não há nada que queira decidir em função do ano ser novo, porque o tempo é todo ele uma estrutura interna de sensibilidade.
O que não implica que queira abdicar dos meus doce desejos ao bater das badaladas, mas esses são segredo. Ficam entre mim e as doze passas docinhas! ;)
A todos os que por aqui passam um feliz e próspero 2007, continuem a visitar-nos e a partilhar as vossas histórias. Nada de abusar na bebida e cuidadinho na estrada que há muitas outras formas de ser cool e o maior lá do bairro.
Até p'ró ano!
Até 2007!!!
Realização: Christopher Nolan
Com: Hugh Jackman, Christian Bale, Michael Caine, Scarlett Johansson, David Bowie

“Éramos dois mágicos no início de uma carreira brilhante. Dois jovens inteiramente dedicados a uma ilusão.”- Alfred Borden, The Prestige
Site oficial: The Prestige

Um argumento fantástico construído sobre um drama de enganos muito bem equilibrado pela realização. Um elenco de luxo e representações que isso mesmo comprovam. Não seriam muito dizer que este filme é simplesmente mágico pela sua capacidade de nos surpreender a cada instante fazendo surgir constantemente novos factores dinamizadores da narrativa. Um turbilhão de ilusões, emoções num crescendo de intensidade que nos agarra ao ecrã na esperança entusiasmada de descobrir o terceiro passo do filme - The prestige.



Realização: Alejandro González Iñárritu
Com: Brad Pitt, Cate Blanchett, Mohamed Akhzam, Gael García Bernal
Site oficial: http://www.paramountvantage.com/babel/

Se palavras não tivesse, palavras se dispensaria tal é o impacto visual do filme.
“Babel” relata a dificuldade de comunicação entre o Homem, mas apesar da história se desenrolar em três continentes e escutarmos cinco línguas diferentes, a linguagem está longe de ser o principal entrave. A exploração é centrada nas convicções culturais, na forma como as nossas diferenças nos afastam de uma conexão humana genuína. Narrando quatro histórias distintas, distanciando ao início as suas personagens de forma linguística e geográfica, Iñárritu vai destapando lentamente o véu que oculta o elo cronológico e casual que as une.
As implicações bíblicas do título (Genesis 11:1-9) referem-se a uma Humanidade unida através de uma só língua na edificação de uma torre que rompesse os céus e alcançasse Deus. Irado com a arrogância altiva do Homem, Deus fez o idioma comum partir em milhares deles, cessando a cooperação da gigantesca construção. Aqui o conceito é aplicado ao actual panorama sócio-político um pouco por todo o mundo e a uma inaptidão geral de correspondência seja qual for o nosso estatuto social ou familiar.
Cortes precisos, alterações de tom de voz, músicas assombrosas, mudanças temporais e cénicas vorazes pela sua dinãmica e close-ups audazes que geram forçosamente a implicação sentidos. Imbrincado como um sonho, directo como a trajectória de uma bala, “Babel” coloca o dedo numa série de feridas da civilização. As palavras poderão revelar-se ininteligíveis mas a eloquência de uma expressão de dor, medo ou agonia é inolvidável, especialmente quando nos sentimos sufocados pela solidão, num mundo que não se esforça para alimentar uma associação connosco. Excepto num ponto. Num ponto cujas fronteiras se mostram incapazes para definir separações, um elo de ligação comum entre o Homem, uma linguagem universal: a Dor. É o sofrimento que nos liga, adificuldade de construção do Amor, a impossibilidade de sermos tocados por Amor, a impossibilidade de tocarmos alguém com Amor, a impossibilidade de um Amor perpétuo que nos sobreviva.

A distant music

Saturday, December 30, 2006 | 0 Comments

Esta noite no meio da conversa, do riso, das vozes e dos copos cheios de bebida e sombra chegou-me ao fundo esta música e imediatamente me veio a imagem nítida de uma noite em que ma cantaste. Lembro do escorrer na face de uma lágrima tímida a contestar a tentativa, nesse instante fracassada, de conter em mim a esmagadora beleza do momento...


I gave you all the love I got
I gave you more than I could give
I gave you love
I gave you all that I have inside
...
There's nothing like you and I baby
This is no ordinary love
No ordinary Love
This is no ordinary love
No ordinary Love
When you came my way
You brightened every day
With your sweet smile
...
This is no ordinary love
No ordinary Love
This is no ordinary love
No ordinary Love...
Sade

Estrela da Tarde

Wednesday, December 27, 2006 | 1 Comments

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia

Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor

Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram

Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto

Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!
José Carlos Ary dos Santos
Deste-me um gomo da tua clementina. Rimos. O que provavelmente não sabias é que todo o
meu presente cabia nesse gomo de sabor doce e fresco. A casa cheia. O marulhar das conversas trocadas. Ser assim e ser assim estar muito bem. Dizer disparates. Partir o chocolate em barras. Bater as claras em castelo e por sal, sim porque o amor é como a comida tem os seus segredos e os seus temperos. Vinho verde. Hummm! À nossa!
Sorri! Cick! Bocejinho. Dormir enroscadinhos. Traz um chazinho quente para aquecer. Visitar quem nos faz falta. Abrir a porta. Benvindos. Manta nos joelhos. Contar histórias. Rapar o doce da colher. Queres? Sim! Toma. Risos. Deste-me um gomo da tua clementina. O que provavelmente não sabias é que todo o meu presente cabia nesse gomo de sabor doce e fresco.

É Natal!

Sunday, December 24, 2006 | 1 Comments

Desculpa-me mãe, sei que estavas à minha espera para jantar, mas quando o telefone tocou tinha de dizer que sim, sem pensar em nós.
Desculpa-me mãe, perdi o teu presente entre todos os sacos de comida com que enchi o carro.
Desculpa-me mãe, mas um dia vais compreender que para mim não Natal não é o bolo embalado que compras no supermercado, nem o cabrito temperado de véspera que é preciso vigiar como uma criança no berço.

Passa-me mais uma batata. Passei aquela e outra e outra até se ter esvaziado o saco de rede vermelha dos 15kg de batatas para cozer. Tinha as mãos engelhadas da água do alguidar. Neste alguidar cabe o Natal de muita gente tal o seu tamanho. Ai! Cortei-me! M... Deixa lá, eu já parti umas três unhas. Olhei para ela num sorriso rápido antes de pegar no alguidar e despejar no tacho gigantesco uma avalanche de batatas partidas aos cubinhos. O bacalhau é mais fácil, é só sobrepor as fatias e deixar cozer....
Pega aí nessa asa. Peguei e senti o ombro responder num grito. Segura com força miúda! Ainda vais ter muito que bulir hoje. Tropecei nos pés até carrinha com as mãos apertadas uma sobre a outras a queimar na pega fina de pano.
Dois tachos no chão. Nós lado a lado no banco corrido de madeira improvisado. As faces coradas do frio e do esforço.
Sair com o coração a bater para o frio da noite. Dá aí os pratos e os copos. Dei.
Uma posta três batatas em cada prato de plástico branco como a geada. Servia depressa, o mais depressa que a minha pouca destreza conhecia, deixei deslizar uma posta para o chão. Tem cuidado! Olha que estão contadas! Não respondi. Tentando melhorar sem levantar os olhos do tacho do bacalhau. Foram servidos um após outro todos os pratos. Uma posta, três batatas, um naco de pão. É estranha esta sensação, aqui o Natal é apenas feito deste aquecer do estomâgo.
Falamos um bocadinho, do tempo, das pessoas, outras vezes não falamos de nada. Lado a lado com outras pessoas que quiseram estar aqui mãe, em mais lado nenhum, porque aqui fazem diferença. Porque aqui estão dar qualquer coisa importante, que não se compra nem se pede temos de querer dar.

Desculpa mãe, amanhã vou para casa. Amanhã tenho à espera uma casa como aquela que aqui construi hoje.

Desculpa mãe, são estranhas as minhas formas de amar.

São 2h13. Vou dormir. Estou quase a por-me a caminho. Maninha, estou quase a por-me a caminho.

Creating Christmas

Saturday, December 23, 2006 | 0 Comments

"Já fez as comprinhas todas?" perguntou o rapaz da mercearia esticando-lhe o saco de plástico verde, opaco, sem qualquer anúncio a marcas. A menina amarela abriu muito os olhos como quando o pai lhe chamava a atenção. De repente, sentiu que se devia ter lembrado de algo como quando a mãe lhe perguntava se tinha lavado os dentes antes de dormir ou limpo o pó debaixo dos biblots da sala de estar.
"Já fez as comprinhas ?" Repetiu sorridente o rapaz " Se se portou bem, certamente também vai receber muitas!"
A menina apertou com mais força as moedas que trazia fechadas na palma da mão como se sentir o corpo exterior do frio metal lhe conferisse mais realidade.
"Quais comprinhas?" murmurou muito pálida, "portar bem?".
"Sim, comprinhas de Natal!" para oferecer aos seus familiares, certamente que o Pai Natal também a vai recompensar pela sua generosidade por se portar bem."
A menina calou-se. Esticou a mão deixando cair a quantia certa em cima da bancada e pegando no saco sussurou "não sei o que é isso, rua onde eu moro não há Natal". A mercearia estava cheia e as pessoas coçaram-se dentro dos casacos grossos e das camisas puídas pelo frio. Houve um múrmurio que correu os corredores, desde as massas ao mostrador frigorifico dos queijos e enchidos como um vento frio vindo do norte. Depois da surpresa a indignação. Como era possível que os pais daquela criança não lhe tivessem explicado o que era o Natal! A senhora viúva vestida de negro e roxo rosnou entredentes que a juventude estava perdida, que não havia respeito pelas coisas sagradas e que era assim, neste triste estado, que o mundo ai acabar.
A menina amarela afundou o gorro amarelo nas suas pequenas orelhas saiu para a rua rapidamente. Não percebia que Natal era esse de que falavam queixando-se de não haver dinheiro ou tempo ou rapide suficiente para concretizar. Não percebia que natal era esse que defendia do alto do seu orgulho zangados, rabugentos, com a brusquidão da saturação acumulada. Não percebia se lhe falavam em dar e depois lhe falavam em compras, como não precebia quando lhe falavam em amor e depois lhe falavam em portar bem.
As lágrimas começavam a engordar dentro dos olhos, como uma banheira que alguéms e esquecera a encher e fizera uma partida. A casa da menina amarela era um casa como qualquer outra, sem portas nem janelas e paredes caiadas de cimento e tijolo. o amor não vinha nas embalagens pequeninas de celofane nem se conseguia expor com facilidade, às vezes passava horas, dias a pensar na melhor maneira de o fazer, tal era a dificuldade! Às vezes resolvia-se por um abraço, outras por um desenho, outras por sorrir com os seus dentes muito brancos como se fosse o gato da história da Alice no País das maravilhas. Nunca lhe ocorrera que houvesse um protocolo, termo de comportamento que desse direito a ser amado e a receber ou o que quer que fosse.
A menina sentou-se em cima da cama, com a respiração ofegante da corrida até casa. Sentou a boneca de pano no colo.
Quando quero dar, digo toma lá uma estrela, é tua. Toma lá o mar para navegares, queres ser o meu marinheiro? Toma lá o baloiço, queres que empurre? Toma lá uma rosa, se cuidares dela, ela será a tua companhia. Quando dou não olho para trás nem para o lado, não quero saber como te portaste o ano inteiro, quero saber da tua felicidade.
A boneca de pano não mexeu um músculo, quietinha na delicadeza das suas tranças de lã, olhava para a menina em ar de concordância.
Sabes, no dia depois deste dia vai ser um dia diferente. Em vez de uma rosa, vamos plantar uma seara. Vamos almoçar com muita gente, amigos reunidos, filhos e pais que se vêm ao fim tempo de saudade e se abraçam e se apalpam os ossos para ver da sua rigidez. Vai haver comida, e ruído e risos e discussão, vai haver passos e descompassos, uma roda viva de uma dança sem ensaio, perfeita em cada força que a move à medida que nasce. Nesse dia, depois deste dia que já quase nem dia é, vai haver festa e vamos poder fazer arco-íris e bolas de sabão entre os corpos. Nesse dia Nenhuma forma de Amor ficará por usar Todo o Amor será dado Livremente.

O que dar no Natal?

Friday, December 22, 2006 | 2 Comments













Já é quase Natal.

O nosso blog escreve-se de linhas coloridas e hoje quero deixar uma mensagem de Natal.
Este Natal deêm amor. É só isto. Simples não é?
E como é que isso se faz? Será que o dou no cachecol que ofereço ao avô? Será no CD do irmão ou nas garrafas de whisky velho que vou dar ao pai? Pode ser em todas tanto como em nenhuma. Podemos dar amor fazendo um bolo, dando um mimo ou simplesmente telefonando a alguém que está longe. Podemos pintar paredes e trazer alegria a um infantário de crianças abandonadas. Podemos rabiscar um quadro ou tocar uma música, mesmo que no final não seja uma obra prima. Aprender a dançar o tango e partilhá-lo com alguém que adorasse dançá-lo contigo. Podemos partilhar Pintarolas como se de fillet mignon se tratasse.

Podemos contar anedotas ordinárias ou contos eruditos. Podemos simplesmente adormecer em frente à lareira nos braços de quem gostamos. Podemos sujar as mãos na massa das filhoses e lamber as tijelas dos bolos no final. Podemos ir à Missa do Galo. Podemos cantar alegremente como se fossemos o Côro de Santo Amaro de Oeiras ou simplesmente ouvir sininhos por todo o lado. Podemos colar rebuçados nas caixas de correio dos nossos amigos.

E melhor ainda, podemos fazê-lo sempre! O Natal não é uma data mas é aquilo que não se esgota nas 24h que parece ter. É este calorzinho que vale por mil mantas. É estarmos aqui. É estarmos juntos. É uma atitude.
















Talvez por não saber falar da minha dor, chorei
Talvez por não saber o que será o amor, não te beijei
Meu corpo é o teu corpo, tens corpo?...não sei!
o desejo pedeu-se na voz... sei lá eu o que fazer!
Despedir-me de ti? Deixar-te aqui?
Poderei eu algum dia ser feliz?
Eu já não sei se sei o que é sentir
o meu amor será apenas a fingir?
Se por medo de falar, calei,
pensei que se falasse era fácil de perceber.
Talvez por não saber dar o gesto à rua , fechei.
Triste é esta angústia de ter corpo e não lhe caber...
Eu não sei se sei tudo o que pensei.
Escutar quem sou e o que restou de crescer assim...
Eu já não sei se sei o que é sentir
pensei que se escrevesse era fácil esquecer
pensei que se te olhasse era fácil perceber
Quando o amor chega ao fim
pode o não ser igual ao sim?
Andar perdida assim será fácil de entender?...
Eu já não sei se sei o que é sentir
o que queima por dentro, será que te posso despir?
Será que posso esperar que tu sejas capaz de esperar
que posso ser o que não quero ver
será que posso aceitar deitar tudo a perder?
Eu não sei se sei por onde quero ir
e com medo de errar errei, maior que o erro não esperei
para saber que te vou magoar e não parei
Eu já não sei se sei o que é sentir o amor que não sinto sentir.
Se por tentar, tentei, e agora só me apetece fugir.

Ao som de The gift

Love choices

Thursday, December 21, 2006 | 2 Comments

Orgasmo Global pela Paz Mundial

Thursday, December 21, 2006 | 0 Comments

Uma página na internet convida todas as pessoas do mundo a ter relações sexuais no dia 22 de Dezembro. O objectivo é, através de um orgasmo global, canalizar toda a energia a favor da paz.
Muitas manifestações a favor da paz têm sido realizadas um pouco por todo o mundo.
No entanto, dois activistas dos EUA chegaram à conclusão que a melhor maneira de reclamar o fim da guerra é desfrutando um momento de intimidade.
A proposta é feita online por Donna Sheehan, 76 anos, e Paul Reffell, 55 anos. Estes activistas são a favor de que o orgasmo global poderá ser a melhor maneira de ajudar a acabar com aquilo a que Paul Reffel considera não ser mais que o desejo do Homem de impressionar outro Homem, ou seja «o meu míssil é maior que o teu».
A ideia é que, dia 22 de Dezembro, seja criada a maior onda de energia humana de sempre. Para tal, um elevado número de pessoas deverá ter relações sexuais, originando um orgasmo em simultâneo. Nessa altura, os pensamentos e toda a energia devem ser canalizados num único sentido: a paz mundial e o fim dos vários tipos de violência. «O orgasmo provoca um sentimento incrível de paz durante e depois dele», afirmou Paul Refell em declarações à imprensa estrangeira, acrescentando que o objectivo pretendido é transformar a energia sexual das pessoas em algo mais positivo.
A iniciativa é dirigida a homens e mulheres de todo o mundo, em particular dos países que possuem armas de destruição massiva. Recorde-se que esta não é a primeira vez que estes dois activistas organizam uma manifestação que englobe sexo e actividade social. Em 2002, como forma de se mostrarem contra a guerra no Iraque, Donna Sheehan incitou cerca de 50 mulheres a tirar a roupa e a deitarem-se no chão, debaixo de chuva e com bastante frio, de maneira a escreverem a palavra "PEACE"!

Bora lá, é às 15 horas, amanhã, pela Paz no Mundo!

Link: Orgasmo Golbal Online
Christmas is a holiday for friends,
However they may be, or not, related.
Remember that the three wise kings were strangers
In search of one remote, uncanny dream.
So may we all be far more than we seem,
Together bound for dark and haunting changes,
More lovely for the loves we have created
Along the lonely paths from means to ends,
Stumbling towards that star of Bethlehem.
Autor desconhecido




Estar com aqueles de quem se gosta, em presença, em mente, em coração.
Estar sempre, mesmo quando a preguiça ou o egoísmo nos dizem que é mais fácil não fazê-lo.
Estar com um sorriso no rosto, que não cabe na curva das bochechas.
Estar...tão somente e rir e ter frio e dizer todas as coisas que nos passam pela cabeça, sem filtros, sem o confronto com o mundo e a noite crua que acontecem no lado de fora do abrigo que fizemos com os nossos braços fundidos numa única peça de haver.
- Hummm...
- Hummm...
- Eca!!!
- Eca???? Quem falou Eca?
- Fui eu, sô! O senhor num acha que esse vinho tá com um gostim estranho?
- Que é isso?! Ele lembra frutas secas adamascadas, com leve toque de trufas brancas, revelando um retrogosto persistente, mas sutil, que, enevoa as papilas de lembranças tropicais atávicas...
- Putaquepariu sô! E o senhor cheirou isso tudo aí no copo?!
- Claro! Sou um enólogo laureado. E o senhor?
- Cebesta, eu não! Sou isso não senhor!! Mas que isso aqui tá me cheirando iguarzinho à minha egüinha Gertrudes depois da chuva, la isso tá!
- Ai, que heresia! Valei-me São Mouton Rothschild!
- O senhor me desculpe, mas eu vi o senhor sacudindo o copo e enfiandoo narigão lá dentro. O senhor tá gripado, é?
- Não, meu amigo, são técnicas internacionais de degustação entende? Caso queira, posso ser seu mestre na arte enológica. O senhor aprenderá como segurar a garrafa, sacar a rolha, escolher a taça, deitar o vinho e, então...
- E intão moiá o biscoito, né? Tô fora, seu frutinha adamascada!!!
- O querido não entendeu. O que eu quero é introduzí-lo no...
- Mais num vai introduzí mais é nunca! Desafasta, coisa ruim!
- Calma! O senhor precisa conhecer nosso grupo de degustação. Hoje, por exemplo, vamos apreciar uns franceses jovens...
- Hã-hã... eu sabia que tinha francês nessa história lazarenta.
- O senhor poderia começar com um Beaujolais!
- Num beijo lê, nem beijo lá! Eu sô é home, safardana!
- Então, que tal um mais encorpado?
- Óia lá, ocê tá brincano com fogo, cabra safado...
- Ou, então, um suave fresco!
- Seu moço, tome tento, que a minha mão já tá coçando de vontade de meter um tapa na sua cara desavergonhada!!!
- Já sei: iniciemos com um brut, curto e duro. O senhor vai gostar!
- Num vô não, fio de um cão! Mas num vô, memo!!!Num é questão de tamanho e firmeza, não, seu fióte de brabuleta. Meu negócio é outro, qui inté rima com brabuleta...
- Então, vejamos, que tal um aveludado e escorregadio?
- E que tal a mão no pédovido, hein, seu fióte de Belzebu?
- Pra que esse nervosismo todo? Já sei, o senhor prefere um duro e macio, acertei?
- Eu é qui vô acertá um tapão nas suas venta, cão sarnento!!! Engulidô de rôia!!!
- Mole e redondo, com bouquet forte?
- Agora, ocê pulô o corguim!!! E é um... e é dois... e é treis!!!Num corre, não, fiodumacadela!Vorta aqui que eu te arrebento, sua bicha assanhada !!!...

Descando, Reflexão, Renovação

Wednesday, December 20, 2006 | 0 Comments

Os nossos antepassados chamavam-no de "o santo shabat" (sábado). Os nossos avós de "Domingo". Hoje em dia simplesmente referimo-nos a ele como "fim de semana", mas paramos nós realmente no nosso fim de semana? A maioria das pessoas, provavelmente não. Tornamo-nos um "fazer humano", em vez de um "ser humano". Vivemos num mundo onde a maioria de nós lida excepcionalmente bem com o trabalo duro, o stress e muitas actividades simultâneas, mas esquece-se de si como indivíduo com uma individualidade a construir na sua complexidade.

Eu não professo nenhuma religião, mas não posso deixar de considerar sensatas muitas das suas palavras. Quanto a religião católica nos diz que a humanidade está condenada a trabalhar até à morte – ou se entreter até à morte, mas incorpora nas suas "10 principais regras de vida" um dia para descanso e reflexão, parece-me fazer todo o sentido. Afinal se tudo que construímos de riqueza nos for exterior que entes seremos quando nos perguntarem pelas nossas convicções?
Pararmos para olhar em volta, não é certamente uma perda de tempo se o pensarmos de forma inteligente para:

Descanso - Frederick Taylor foi um jovem executivo ambicioso, que trabalhou numa grande siderurgia de aço durante a guerra hispano-americana de 1890. Naqueles dias não havia guindastes para carregar as barras de aço nos vagões da ferrovia. Era um trabalho manual insano. Taylor instituiu um sistema no qual um apito soava sempre que um homem havia carregado aço por doze minutos. Ele então deveria sentar-se e descansar. Depois de três minutos de descanso, o apito soava novamente como sinal para que ele voltasse a trabalhar. Resultado: o volume de aço embarcado por dia subiu espantosos 276% ! Em vez de desperdício de tempo, o descanso obrigatório multiplicou a eficiência e a produtividade.

Reflexão - "O prudente percebe o perigo e busca refúgio; o inexperiente segue adiante e sofre as consequências" (Provérbios 22.3). Como pode saber para onde quer ir, se não parar para olhar para trás e ver onde estava, avaliando de forma realista onde está agora, para então estabelecer um plano que possa levá-lo onde quer chegar? Foi bem sucedido no seu trabalho durante a semana passada? E no seu casamento? E como pai? E na sua vida pessoal? Mantém-se em forma fisicamente? Como vai emocional, intelectual e espiritualmente? Não podemos sequer começar a responder a estas perguntas, se continuarmos mergulhados em nossas actividades diárias, sem darmos a oportunidade de parar e reflectir sobre o que estamos a fazer - e porquê!

Renovação - Nenhuma bateria durará muito tempo sem ser recarregada. O elástico perderá sua elasticidade e força se não lhe for permitido retornar ao seu estado de "não esticado". Os seres humanos são parecidos. Precisamos do stress do trabalho, exercício e pressões para motivar-nos, para não vegetarmos. Isto ajuda-nos a ter propósito, significado e direcção. Mas também precisamos de períodos regulares de restauração pessoal - física, emocional e espiritual. Precisamos recarregar as nossas energias e clarear a nossa visão, antes de retornar ao campo de batalha.
Hoje vamos pensar um bocadinho nisto:
O referendo é já em Fevereiro e desta vez não há praia nem fim-de-semana prolongado que vos valha como desculpa.
Para o próximo Referendo Nacional, as inscrições ou alterações só são admitidas até ao dia 12 de Dezembro, inclusivé.Os cidadãos eleitores que não procedam à sua inscrição no recenseamento eleitoral no prazo indicado ficarão impedidos de participar no Referendo Nacional.Do mesmo modo, os cidadãos que residam em freguesia diferente daquela em que se encontram inscritos no recenseamento eleitoral, ficarão impedidos de proceder à transferência da respectiva inscrição para a freguesia em que actualmente residam.

E a perguntinha é «Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?».
Esqueçam lá as questões quanto à "questão". É mesmo esta.
São feitas quatro perguntas nesta pergunta: 1. Se concorda com a despenalização do aborto; 2. Se ele deve ser feito por opção da mulher; 3. Se a despenalização deve ser até às 10 semanas 4. Se deve acontecer em estabelecimento de saúde legalmente autorizado.
As respostas poderão ter vários sentidos e isso determinará cada voto.
Vamos lá ver o que NÃO está na pergunta acima: 5. Quando começa a vida humana? 6. Qual a sua posição sobre o aborto? 7. A mulher é dona do seu corpo? 8. Concorda com este referendo?

Eu já respondi interiormente a todas elas e vou votar SIM no referendo, e vocês?

E os números são:
Estudo da Consulmark encomendado pela Associação para o Planeamento da Família:

14,5% das mulheres portuguesas fizeram um aborto
Há entre 17 200 e 18 mil abortos por ano
30% entre os 17 e os 20 anos
85,7% interrompeu a gravidez em Portugal
72,7% fizeram antes das 10 semanas
20,6% das mulheres praticantes de uma religião abortam depois das 16 semanas
8,2% de mulheres não praticantes de uma religião abortam depois das 16 semanas
39,4% das mulheres fazem aborto em casas particulares
32,2% das mulheres fazem aborto em clínicas privadas
18,2% das mulheres fazem aborto em consultórios médicos
6,9% das mulheres fazem aborto em hospitais públicos
45% dos abortos são feitos por médicos
30,6% dos abortos são feitos por parteiras.
22,7% das mulheres obtiveram informações sobre o local de realização do aborto através de um profissional de saúde.
64,1% das mulheres não foram acompanhadas pelo médico após o aborto
Uma em cada três mulheres que interrompeu a gravidez através de comprimidos teve depois necessidade de recorrer a um serviço de saúde.
46,1% das mulheres que recorreram ao aborto admitem que engravidaram quando não estavam a usar qualquer tipo de contraceptivo.

Amostra: duas mil mulheres entre os 18 e os 49 anos inquiridas por questionário sigiloso.

"NUNCA DIGAM ABORTO, DIGAM IVG, Interrupção Voluntária da Gravidez.
É disso que estamos a falar. Não de abortos. Nunca de abortos. Eu sou contra o aborto. Numa sociedade perfeita não existem abortos, todas as pessoas teriam a possibilidade de procriação controlada a 100%. Numa sociedade imperfeita, a interrupção voluntária da gravidez não deve ser criminalizada. É disso que se trata. Não de abortos."
José Reis Santos

Um poema a quatro mãos...

Tuesday, December 19, 2006 | 2 Comments

Nem sempre o corpo tem a leveza,
ou a tua visão do futuro
é uma linha de certeza
nem sempre um mais um são dois
nem sempre a seguir ao agora
vem um depois.
Há um modo de queimar vindo
do deserto,
mirrado como os frutos secos,
lábios, digo.
me



E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos

E por vezes encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes ao tomarmos
o gosto aos oceanos só o sarro das noites

não dos meses lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.
David Mourão-Ferreira

Hoje...

Monday, December 18, 2006 | 1 Comments

Tocas-me?

Saturday, December 16, 2006 | 2 Comments



Talvez por não saber falar de cor, imaginei
Talvez por não saber o que será melhor, aproximei
Meu corpo é o teu corpo, o desejo entregue a nós...sei lá eu o que queres dizer.
Despedir-me de ti, "Adeus, um dia, voltarei a ser feliz."
Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor não sei o que é sentir.
Se por falar, falei, pensei que se falasse era fácil de entender.
Talvez por não saber falar de cor, imaginei.
Triste é o virar de costas, o último adeus sabe Deus o que quero dizer.
Obrigado por saberes cuidar de mim, tratar de mim, olhar por mim...
Escutar quem sou e se ao menos tudo fosse igual a ti...
Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor não sei o que é sentir.
Se por falar, falei, pensei que se falasse era fácil de entender.
Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor não sei o que é sentir.
Se por falar, falei, pensei que se falasse era fácil de entender.
É o amor que chega ao fim. Um final assim, assim é mais fácil de entender...
Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor não sei o que é sentir.
Se por falar, falei, pensei que se falasse é mais fácil de entender.
Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor não sei o que é sentir.
Se por falar, falei, pensei que se falasse era fácil de entender.

The Gift

On the road

Friday, December 15, 2006 | 2 Comments

A estrada é aquele sítio de nenhures, onde os pensamentos deslizam ao longo das listas brancas que delimitam a nosso caminho. Gosto do longe por não ser perto. Gosto da estrada por estar em lugar algum.
Quero estar ali, onde o sol me apanha desprevenida. Baixo a pala, procuro os óculos na desarrumação quieta do meu pequeno polo. Ali, onde os camiões surgem afilados como manadas calmas de mamutes. Corro à sua frente. Não sei porquê. Será a natureza das coisas pequenas ser veloz?
O almoço quebrou a longitude. Tornou-a mais curta e morna. De repente caras conhecidas, vozes meigas a acordar-me a meio da vertigem. Senti-me em casa por momentos. Não conhecia o lugar nem as outras pessoas que apressadamente lá passaram, mas aqueles dois... esses sim. Acolheram a minha nómada companhia, sabendo que logo logo estaria longe de novo. Carinho das pessoas do norte. Escolhi uns docinhos em Aveiro para levar a quem gosto. "Leve também destes com amêndoa menina, são muito bons". E levei. Comparo-vos a estes docinhos. Estarão para sempre associados a um doce amanhecer com sabor a ovo e amêndoa em Aveiro.
Regressei sem sono, regressei sem pressa. Regressei com o conforto do vosso sorriso nos bolsos e a doçura do norte numa caixa que guardei cuidadosamente no frigorífico para poder partilhar. Porque o caminho é demasiado frio sem vocês, guardei-o para contar mais tarde.

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Mei and Arawn