Dia Mundial da Poesia

Wednesday, March 21, 2007 | 0 Comments


Klimt -poesie
liberdade
Nos meus cadernos de escola
no banco dela e nas árvores
e na areia e na neve
escrevo o teu nome
Em todas as folhas lidas
nas folhas todas em branco
pedra sangue papel cinza
escrevo o teu nome
Nas imagens todas de ouro
e nas armas dos guerreiros
nas coroas dos monarcas
escrevo o teu nome
Nas selvas e nos desertos
nos ninhos e nas giestas
no eco da minha infância
escrevo o teu nome
Nas maravilhas das noites
no pão branco das manhãs
nas estações namoradas
escrevo o teu nome
Nos meus farrapos de azul
no charco sol bolorento
no lago da lua viva
escrevo o teu nome
Nos campos e no horizonte
nas asas dos passarinho
se no moinho das sombras
escrevo o teu nome
No bafejar das auroras
no oceano dos navios
e na montanha demente
escrevo o teu nome
Na espuma fina das nuvens
no suor do temporal
na chuva espessa apagada
escrevo o teu nome
Nas formas mais cintilantes
nos sinos todos das cores
na verdade do que é físico
escrevo o teu nome
Nos caminhos despertados
nas estradas desdobradas
nas praças que se transbordam
escrevo o teu nome
No candeeiro que se acende
no candeeiro que se apaga
nas minhas casas bem juntas
escrevo o teu nome
No fruto cortado em dois
do meu espelho e do meu quarto
na cama concha vazia
escrevo o teu nome
No meu cão guloso e terno
nas suas orelhas tesas
na sua pata desastrad
aescrevo o teu nome
No trampolim desta porta
nos objectos familiares
na onda do lume bento
escrevo o teu nome
Na carne toda rendida
na fronte dos meus amigos
em cada mão que se estende
escrevo o teu nome
Na vidraça das surpresas
nos lábios todos atentos
muito acima do silêncio
escrevo o teu nome
Nos refúgios destruídos
nos meus faróis arruinados
nas paredes do meu tédio
escrevo o teu nome
Na ausência sem desejos
na desnuda solidão
nos degraus mesmos da morte
escrevo o teu nome
Na saúde rediviva
aos riscos desaparecidos
no esperar sem saudade
escrevo o teu nome
Pelo poder duma palavra
recomeço a minha vida
nasci para conhecer-te
nomear-te
liberdade." (e também Igualdade e Fraternidade - sempre, como um desejo)
Paul Eluard
trad.de Jorge de Sena

Hug

Wednesday, March 21, 2007 | 0 Comments




















"Tão bom que deve ser o teu abraço!
Lânguido e doce como um doce laço
E como uma raiz, sereno e forte.
Não há mal que não sare ou não conforte "
Florbela Espanca

Função Vitalícia :)

Tuesday, March 20, 2007 | 0 Comments




Decidir, a liberdade em acção

Tuesday, March 20, 2007 | 0 Comments

No mundo actual, as correntes filosóficas já não se confinam à universidade nem são apanágio de filósofos dedicados ao ócio, no seu antigo significado, a filosofia é parte consciente de muitos gestores, empresári@s e cidadãos activos.
Neste mundo conturbado onde por vezes valores se sacrificam à luz de objectivos surge cada vez mais a decisão. Não é, contudo, a decisão por falta de escolhas ou irreflectida, nem tão pouco a decisão pessimista por se achar que a paira sobre nós uma qualquer fatalidade, é a escolha positiva feita em liberdade que pretende destruir a passividade e desinibir a capacidade de optar que nos convoca a consciência de sermos nós próprios motores de transformação e realização de boas acções. Uma posição comprometida existencialmente que constrói diariamente a essência do ser humano e em última instância de toda a humanidade, uma vez que cada ser lhe dá corpo. Sartre diz que o homem em sentido restricto é um ser determinado pela sua própria liberdade.
Mais nenhuma animal tem este tipo de preocupações, mais nenhum animal se tem a si como um projecto pelo qual é responsável, nem se sente só perante um momento de escolha que determinará a sua própria reinvenção. Esta é uma perspectiva da liberdade que por vezes nos escapa, mas é sem dúvida aquela que, vivendo nós num estado de direito onde a prisão física apenas cabe aos que quebram as leis, mais exercemos e sobre a qual devemos reflectir.

Bêábá

Monday, March 19, 2007 | 0 Comments

O processo de aprendizagem pode ser definido de forma sintética como o modo como os seres adquirem novos conhecimentos, desenvolvem competências e mudam o comportamento. Ora quando nos predispomos a aprender - pois é por um acto voluntário e auto-motivado - predispomo-nos igualmente a alterar por dentro e por fora pensamentos, atitudes e comportamentos que entretanto interiorizámos bem como a sua transferência e adequação a novas situações.
Contudo, sendo a aprendizagem é um fenómeno extremamente complexo, o qual envolve aspectos cognitivos, emocionais, orgânicos, psicossociais e culturais, tal processo pode tornar-se difícil, penoso e pode mesmo parecer contraditório, causando-nos desconforto e sentimentos de angústia. É devido aos nossos pressupostos e expectativas sobre nós mesmos e os outros que nos desiludimos tão frequentemente. Sobre nós mesmos a exigência é legítima, sobre os outros apenas podemos ter esperança e tolerância para que evoluam ao seu próprio ritmo.

Há dias em que me exaspero. Comigo e com os outros. Outros mais em que me alegro. Comigo e com os outros. Felizmente não há aqueles em que não me importe.

Hoje aprendi mais um pouco sobre como controlar as minhas falhas. :)
"Encontrei divulgação do melhor na publicação LeCool:
Ora espreitem que vale bem a pena. Coisas bem feitas assim até dá gosto."

(arrastão do blog Princípios da Incerteza)

Silêncio

Monday, March 19, 2007 | 0 Comments


Às vezes para sarar as feridas basta apenas que olhar para ti, saber-te sentada a meu lado, para que me lembre do que realmente importa. Saber que as palavras a rasgar os laços como facas não podem ser deixadas, saber que o tempo não pode assentar como uma dor sobre os nossos olhos rasos de lágrimas ou sobre o peito marcado pela dor ou mágoa ou desilusão. Essa não és tu dentro dos meus olhos, nem do meu peito, nem sequer quando nasce das minhas mãos. Tu és aquela que eu escolhi para estar sempre, tirando o meu companheiro, o meu sócio que me ampara e alavanca, tu és a minha pequenina, a minha irmã mais nova e a minha irmã mais velha, aquela que me conheceu quando eu era uma miúda com projectos para ser muitas mulheres diferentes, e que fez nascer dessas uma só, a mulher que sou hoje seria outra se tu não tivesses estado lá.
Talvez o silêncio seja a nossa melhor maneira de conversar aquela que ensaiamos tantas vezes, apenas nos gestos e no olhar. Talvez o resto não tenha de todo importância, apenas saber que estás...

My thoughts

Friday, March 16, 2007 | 1 Comments


Palcos II

Wednesday, March 14, 2007 | 0 Comments


Gosto dos venenos mais lentos,
das bebidas mais amargas,
das ideias mais extravagantes,
dos pensamentos mais complexos e dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e delírios a raiar a loucura.
Até me podes empurrar de um penhasco que eu vou dizer:

"E daí? Eu adoro voar...!!!"

Palcos

Wednesday, March 14, 2007 | 0 Comments

Eu tenho uma espécie de dever,
dever de sonhar,
de sonhar sempre,
pois sendo mais do que um espetáculo de mim mesmo,
eu tenho que ser
o melhor espetáculo que posso.
E assim me construo a ouro e sedas,
em salas supostas,
invento palco,
cenário para viver o meu sonho
entre luzes brandas e músicas invisíveis.
Fernando Pessoa

Sossegar

Tuesday, March 13, 2007 | 0 Comments

Respirar fundo. Calar.
Sentir o calor inundar-nos por dentro.
Os sons do mundo filtrados pela água.
Tornar a retomar o centro.
Sossegar. Calar.
Os olhos fechados para o exterior.
Todas as cores trancadas por dentro.
O mundo lá fora a correr desvairadamente.
Respirar o alento, retomar o centro.
Acalmar. Calar.
Respirar fundo. Calar.
Sossegar. Calar.
Calar.

Família de afectos

Tuesday, March 13, 2007 | 0 Comments

Não sei se decidi ou se foi assim porque o destino nos tocou. Não sei se combinamos ou como foi que nos encontramos, porque entraste nesta casa, na minha vida, em mim. Tomaste o vinho dos meus labios, o mel do meu peito, embriagaste-te no nacar da minha pele. O meu pensamento ganhou nova forma e depois dessa outra ainda. Jamais sairemos impunes, porque o esquecimento nos ficou vedado.
Jamais decidi assomar-me a ti nem tão pouco permiti que tomasses o meu vinho, nem o meu mel, nem as minhas essencias. Vieste misturar o azar e as rosas e os dias ganharam outro perfume. Cultivo diariamente mil essências no meu jardim e parte delas és tu e tu és muitos. Essências refinadas para os convidados do meu corpo e do meu espírito. Não os distingo em preferência, nem tenho de os conhecer a todos em anos. Por ti cresço e torno-me mais forte. Não que a decisão esteja fora de mim, mas porque o amor que te tenho é móbil dessa decisão.Todas as manhãs olho na direção da tua insolênte intromissão em mim e sorrio, sou tudo aquilo que me trouxeste aos bocados, filtrado por ti, aprendido por ti. Sem ti seria outra, porque era preciso a pá, a terra e o tijolo por esta ordem para o nascer da casa.
Todas as manhãs pergunto se terei mais um dia para prosseguir esta nossa obra. Tomarei o vinho dos teus labios, o mel do teu peito, embriagar-me-ei no nacar da tua pele.

Resumo do fim de semana

Monday, March 12, 2007 | 0 Comments

Amigos, sol, comidinha gostosa e relax...

Uma última homenagem

Saturday, March 10, 2007 | 0 Comments

Maria Manuela Conceição Carvalho Margarido, morreu aos 82 anos, no hospital São Francisco Xavier, onde se encontrava hospitalizada.
A poetisa nasceu em 1925, na Roça Olímpia, na ilha do Príncipe, e desde cedo abraçou a luta pela independência do arquipélago e contra a repressão colonialista, denunciando com a sua escrita a miséria em que viviam os são-tomenses nas roças do café e do cacau.
Estudou Ciências Religiosas, Sociologia, Etnologia e Cinema na Sorbonne de Paris, onde esteve exilada. Foi embaixadora do seu país em Bruxelas e junto de várias organizações internacionais.
Em Lisboa, onde viveu, Manuela Margarido empenhou-se na divulgação da cultura do seu país, sendo considerada, a par de Alda Espírito Santo, Caetano da Costa Alegre e Francisco José Tenreiro, um dos principais nomes da poesia de São Tomé.
Entre outras funções, foi membro do Conselho Consultivo da revista Atalaia e do Centro Interdisciplinar de Ciência, Tecnologia e Sociedade da Universidade de Lisboa (CICTSUL).
«...
Memória da Ilha do Príncipe
Mãe, tu pegavas charroco
nas águas das ribeiras
a caminho da praia.
Teus cabelos eram lembas-
lembas,
agora distantes e saudosas,
mas teu rosto escuro
desce sobre mim.
Teu rosto, liliácea
irrompendo entre o cacau,
perfumando com a sua sombra
o instante em que te descubro
no fundo das bocas graves.
Tua mão cor-de-laranja
oscila no céu de zinco
e fixa a saudade
com uns grandes olhos taciturnos.
....»

O Meu Amor

Friday, March 09, 2007 | 1 Comments




O meu amor tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo, ri do meu umbigo
E me crava os dentes
Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
De me deixar maluca quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba mal feita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios, de me beijar os seios
Me beijar o ventre e me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo como se o meu corpo
Fosse a sua casa
Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz
Música e letra de Chico Buarque
para o filme "Ópera do Malandro"de Ruy Guerra 1985

Three cats sleeping

Friday, March 09, 2007 | 0 Comments

we are so lazzzzzzzzzzzy...miauuuuuuuuu

Pencilmation

Thursday, March 08, 2007 | 1 Comments


Têm de espreitar esta animação. É mesmo gira, gira, gira, a malandra. Daquelas que até irrita de serem tão giras. Só visto!
Para mais animações espreitem também http://www.pencilmation.com

Wallpapers de encantar

Thursday, March 08, 2007 | 0 Comments

http://desktop-it.blogspot.com/search/label/Browse%20all%20Wallpapers?max-results=1000000





IKEA world

Thursday, March 08, 2007 | 0 Comments

Hoje venho falar do IKEA. Pois é, a catedral do móvel com estilo, baratinho e para quem aprecia a bricolage no conceito pragmático do “do it yourself” e o carrega-o yourself.
Para aqueles que pensavam que isso era em Paços de Ferreira, desenganem-se. É mesmo ali em Alfragide, num mega espaço ao estilo pirâmide do Egipto do móvel e ainda por cima têm um refeitório catitíssimo com uns rolos suecos de salmão deliciosos para uma pausa merecida depois da caminhada herculia entre prateleiras, cozinhas, sofás e móveis de todos os géneros e feitios, já para não falar dos nomes inomináveis das colecções que depois temos de pedir gaguejando no nosso melhor sueco aos simpáticos senhores de camisola azul: quero a estrutura URDEN, na cor VÄRDEN, bancada TIDAHOLM, com superfície LINJÄR por favor! Ele é de loucos. O Nuno Markl tem uma teoria sobre a forma como são inventados os nomes dos móveis do IKEA: “Eu acho que os nomes dos objectos do Ikea não querem dizer nada. Eu acho que, a cada peça nova que eles criam, há um computador que gera uma nova combinação de letras. Ou um tipo que foi contratado para tirar peças de Scrabble de um saco. Quando lhes saiu BILLY foi por mera sorte. Não admira que eles digam que a estante BILLY é o best-seller deles. É o único nome que um desgraçado consegue dizer sem receio de se enganar. “Quero uma estante MKOLSKN… MKOLKN… MKLO… Eh pá, esqueça - quero uma BILLY, porra.”
Desta vez o que nos levou lá foi a cozinha. A nossa cozinha precisa urgentemente de reforma. Os móveis têm uns 50 anos, estão empanados, feios e pior ainda, denunciam o perigo de derrocada eminente devido ao peso que suportam todos os dias, além da falta de uma mesa para refeições.
Só que há um problema grave na nossa cozinha: é mesmo pequenina. Pequenininha, pequeniníssima. Mas há uma coisa fantástica no IKEA: além de um programa catita que nos é oferecido em CD para construir virtualmente o espaço e arrumar os correspondentes móveis do catálogo, têm uma outra coisa que me deixou deslumbrada: uma maqueta real, em cartão, com as peças correspondentes aos electrodomésticos e demais acessórios e móveis, com íman que agarram à estrutura cartonada. Aquilo foi a loucura! Aquilo é que era um brinquedo que eu gostaria de ter tido nas manápulas aos 10 anos, ora bolas. Mas não faz mal, continuo a gostar na mesma. E foi ver-me agarrada às peças, na loucura viciante que um lego sempre exerceu em mim, a construir seriamente, brincando aos designers de interiores, naquilo que seria a minha futura cozinha. Claro que giro, giro era poder abrir com um giz mágico (como no Labirinto do Fauno) uma porta na parede ou poder alargar dessa forma a pequenez da minha humilde cozinha, mas lá que deu para sonhar deu. Obrigada IKEA, por este belo momento!
Gosto da forma como alargam os nossos conceitos e como algumas das suas soluções resultam claramente do pensamento “out of the box”. Ora vejam o link abaixo: http://www.ikea.com/ms/pt_PT/PS/index_content.html

Strenght

Thursday, March 08, 2007 | 0 Comments

Eu não tenho forças para me suster,
mas a ti seguro-te sem que o peso me possa vencer,
Eu não tenho respostas para te dar
mas tenho por vontade fazer-te acreditar.

Eu sei que os dias são cruéis
mas podemos nós
evadir-nos em pincéis?

Dizes que não és assim
que não te podem corromper
mas onde esta a verdade
do que nos poderá fazer vencer?

Gostava que o mundo fosse um conto de fadas
as manhãs a cheirar a laranjas
tenho saudades dessas manhãs entrelaçadas
da leveza luminosa com que te arranjas.

Dou-te a minha mão, pedaço de corpo
sangue, giz
encosta-te a mim
na promessa que não se diz
na luta
na crença
no beijo
na pertença
no desejo
Anda, havemos de nos erguer
nessa altura, nada nos poderá deter!


I've never written a poem
That didn't end in tears
Maybe you'll rewrite it
If you can replace my fears
I need your patience and guidance
And all your lovin' and more
When thunder rolls through my life
Will you be able to weather the storm?
There's so much I would tell ya,
I don't know why this armor
This stumble emotions
I feel I must protect
but I prefer bleed with cuts
having my mistakes and scars
Then live a life of handcuffs
So tell me when you look in my eyes
Can you share all the pain and happy times
I change today for the rest of my life
I'll put away this arrogance
and the glamorous cutting knife
This is my very first poem
That didn't end in tears
I think you re-wrote my soul
for the rest of my years.




















When you’re feeling sad & blue
And have no clue what to do
Sit down and have a cup of tea
And a hug or two or maybe three
Feel those troubles melt away
And start you on a better day.

Cenas de Gaja

Tuesday, March 06, 2007 | 1 Comments

Hoje este post vai direitinho para ti Chihiro. Não que os outros não o sejam.

Mas hoje descobri uma cena de gaja fenomenal: Chama-se Shoewawa e é um site dedicado à shoemania no seu estado mais puro: http://wirelessdigest.typepad.com/shoewawa/new_shoes/
Fica este miminho diferente, num dia chuvoso e escuro.
A beleza é digna de contemplação apenas por si e não pela posse das coisas. Portanto cá fica uma verdadeira obra de arte de um artíficie do mundo da moda: Jonh Galliano. Para contemplar e varrer o cinzento do dia.

O Canto das Sereias

Tuesday, March 06, 2007 | 2 Comments

Era uma vez uma ilha no Mediterrâneo onde viviam sereias lindíssimas e perigosas, cujo canto atraía os navegantes de forma irresistível. Ao aproximarem-se da ilha, os seus barcos embatiam nos recifes e naufragavam. As sereias de seguida devoravam as suas vítimas. O herói homérico de Odisseia, Ulisses, aplicou uma solução simples porém eficaz: ordenou à sua tripulação que tapasse os ouvidos com cera e fez-se amarrar ao mastro, não podendo soltar-se de forma alguma, ainda que gritasse para isso. Sobreviveram. A ideia de Ulisses partiu do reconhecimento de sua própria fraqueza. Ele sabia que no impulso do momento, qualquer reflexão mais sóbria ponderando o longo prazo seria inócua. A sua racionalidade foi capaz de pesar isso na balança das preferências temporais, e dessa forma salvou-se a si e à sua tripulação do fatal canto das sereias.
Além de escolher a melhor estratégia a ser executada, a razão tem a seu encargo a manutenção de uma hierarquia coerente de valores eleita pelo próprio sujeito. Para exercer bem essa função, por vezes é preciso o uso de recursos externos que comprometa o indivíduo a agir no sentido de atender aos seus desejos, sem prejudicar o plano de vida traçado. O acumular de informações fornecidas pela experiência e pela aprendizagem, bem como o máximo de evidências presentes, são a matéria-prima com a qual se poderá seleccionar a acção pertinente. Jon Elster, na sua obra sobre a racionalidade, Ulysses and the Sirens (Ulisses e as Sereias, 1984), como também em Peças e Engrenagens das Ciências Sociais (1989), defende a tese de que quando a razão por si só não é capaz de impor uma escolha pela acção mais eficiente, ela procura um meio indirecto de comprometer o agente com uma conduta que preserve a sua racionalidade acima da fraqueza da vontade. Ou seja, quando a razão é “imperfeita”, a melhor maneira de alguém evitar uma atitude irracional seria o comprometimento, sob algumas condições definidoras, com várias restrições inibidoras que limitassem o predomínio de desejos prejudiciais à obtenção de um fim. Assim, Ulisses, por não ser completamente racional, precisava de se atar ao mastro do seu navio, a fim de ouvir o canto das sereias sem se atirar ao mar bravio. Embora demonstre uma fraqueza quanto ao desejo irresistível de ouvir as sereias, o personagem principal da Odisseia tão pouco é um hedonista desvairado que se entregue a seus desejos imediatos de modo irrestricto. Por isso, faz uso de um recurso adicional à razão, para poder escutar a maravilhosa voz das sereias e continuar vivo depois. Por um lado, ele atende a um impulso imediatista e, por outro, preserva o horizonte mais amplo de sobrevivência. Mantendo-se preso ao mastro poderá lograr chegar ao seu destino final, enquanto satisfaz os seus desejos pelo caminho, moderadamente.
Tudo gira em torno dos desejos, como se estes fossem elementos independentes que a razão deve satisfazer da melhor maneira, tendo em vista o resultado global e não meramente local. A razão visa, então, atender à maximização dos desejos, numa perspectiva mais ampla, considerando não apenas o resultado imediato esperado, mas, sobretudo, uma satisfação geral posterior. Preservar a racionalidade diante dos sentimentos e emoções é estabelecer uma relação económica na qual se procura a proporção mais adequada de usufruto dos recursos disponíveis de uma maneira plena, ao longo da vida, evitando o desperdício e a escassez.
Na interacção entre agentes, a pessoa escolhe racionalmente quando restringe os seus propósitos de perseguir os seus interesses, segundo princípios imparciais de aspecto moral. Cada ser racional entenderia a estrutura dessa interacção e reconheceria o lugar para restrição mútua e para dimensão moral de seus assuntos. A razão prática, portanto, está ligada a interesses de utilidade individual e restrições racionais à obtenção dos objectos dos interesses.

O labirinto do fauno

Tuesday, March 06, 2007 | 1 Comments

Para aqueles que como eu já estão habituados a esquisitices, e sobretudo às esquisitices de Guillermo Del Toro, este filme é algo expectável. Na linha de Hellboy, Blade 2, Cronos, Mutação e, principalmente, A Espinha do Diabo, este universo fantástico de criaturas míticas profundamente trabalhadas e fabulásticas cai que nem ginjas na imaginação dos mais sonhadores. Existe em Del Toro uma tendência macabra em ferir-nos os olhos com imagens de violência duvidosa, propensas ao mau-estar e à náusea mas sempre com uma preocupação estética exemplar. É uma espécie de esteta à la série B. Confesso que tenho estomâgo fraco e que a atracção destes filmes em mim seja idêntica à da traça pela luz. Este é um exemplo de um caldo cultural único que parece juntar na mesma panela a crueldade estetizada de Goya até as circunstâncias escabrosas da literatura de H. P. Lovecraft, onde cabem a Alice no País das Maravilhas, A História sem Fim, Labirinto e As Crónicas de Nárnia.
Extremamente lírico, “El Labirinto del Fauno” conta uma história fantástica que se apresenta como fuga aos horrores de uma guerra sangrenta (os anos 30 da Guerra Civil Espanhola), mas que ninguém pense que por oferecer uma fantasia o filme é leve. Muito pelo contrário, é um filme intenso, duro e acutilante, sem ponta do sabor açucarado dos contos infantis e conta até com um vilão extraordinário (fantástico trabalho de Sergi López) -um oficial fascista, mau por natureza, sem sequer um pingo de bondade ou humanidade.
Ofélia (Ivana Baquero), uma menina fascinada por contos de fadas, descobre um misterioso labirinto e com ele um mundo onde a realidade e o imaginado se interseccionam numa contiguidade que os torna parte do mesmo. Porque ao mesmo tempo que conhece um universo paralelo, de fadas, seres estranhos e missões a serem cumpridas, Ofélia também é apresentada às monstruosidades da realidade, sintetizada na figura caricata de seu padrasto, Vidal (Sergi López). O mundo real, contudo, é filmado de forma mais rude e tenebrosa pois nenhuma criatura do universo fantástico pode ser equiparada à sede sádica de Vidal.
Cada uma das narrativas caminha em paralelo sem uma alterar a outra. A fantasia será sempre uma forma de resistência à realidade, mas não uma estratégia de transformação. Está mais para refúgio e, na visão do filme, essa solução é similar à dos rebeldes na floresta. Tanto os guerrilheiros em luta como Ofélia no labirinto dos seus livros e da sua imaginação recusam-se a pertencer a uma determinada ordem. No entanto, se existe um elogio à rebeldia como ponto de partida, a desobediência, tanto para o oficial fascista como para o fauno, é algo a ser punido. Em um e outro mundo, existem regras rígidas, embora no da fantasia haja uma segunda chance. Não deixa de ser paradoxal ainda que, enquanto se luta na floresta por uma república democrática, na fantasia a consagração esteja na monarquia. Todo o percurso e todos os desafios vividos por Ofélia são para que seja reconhecida e confirmada como princesa do mundo das trevas.

Sem fantasia, sem imaginação, sem histórias de encantar, sem alguma crença em algo fora da matéria, a vida fica mais difícil. Essa é mensagem deste nosso refúgio onde todos os dias escrevemos e também a difundida pel' O Labirinto do Fauno.
Imperdível meus amigos.
http://www.sapo.pt/especial/olabirintodofauno/

Dreamgirls

Monday, March 05, 2007 | 0 Comments

"Dreamgirls" não é um filme genial do ponto de vista cinematográfico, mas é puro entretenimento com excelente banda sonora e fotografia das 3 protagonistas. Baseado no musical homónimo, que estreou na Broadway em 1981, é uma boa revisão da música negra americana da década de 60, revisitando o momento histórico em que as primeiras estrelas afro-americanas ganharam poder até ao momento em que o carácter mercantilista da indústria vingou. A narrativa é baseada na história de Diana Ross e das Supremes, sendo esta contada através de um trio feminino com um percurso semelhante, inicialmente denominado The Dreamettes. As três raparigas de Detroit são descobertas pela recém-inagurada Motown e fazem sucesso com o ingénuo doo-wop da época. Quando a líder e voz forte do grupo é trocada pela mais bonita, os seus temas começam a figurar nos tops entre os mais populares. Para manter essa posição há que seguir a corrente e ir acompanhando os gostos do público; por isso elas abandonam a soul e vão enveredando pela disco music da década de 70. O papel de jeitosa sem grandes dotes vocais (supostamente inspirado em Ross) coube a Beyoncé, a ela juntam-se ainda Jamie Foxx, na pele de produtor todo-poderoso; Eddie Murphy, um cantor decadente, mistura de James Brown com Marvin Gaye, e a estreante Jennifer Hudson, que é Effie, a cantora preterida que canta que se farta; todos eles em grande forma. Para além do lado histórico da película (podemos reconhecer por lá outras estrelas da época como os Jackson 5, "Dreamgirls" tem ainda como pontos fortes uma primorosa direcção artística, os figurinos e claro a banda-sonora. Depois de prestar homenagem aos musicais da Broadway com "Chicago", Bill Condon faz o mesmo pela música negra americana.
Vale a pena verem pela emoção vibrante de cada nota e de cada cena!

















http://www.dreamgirlsmovie.com/

Pretty puppet girl

Sunday, March 04, 2007 | 0 Comments

Mariazinha saiu das aulas pôs o carro a trabalhar com uma voltinha de chave e rumou a casa do seu amorzinho. Era menina atinada. Estudava agora para uma promoçãzinha. Já que no trabalhinho a concorrência era forte. Tinha um amor antigo que cumpria como as pedras de um terço. Já havia tentado outros homens que lhe enchessem as medidas, mas a coisa correram mal e Mariazinha na ânsia de não se ver sozinha, depois de casados todos os seus amiguinhos que já a olhavam de soslaio por aquele descasado desatino, resolveu, reconsiderar a sua felicidadezinha em troca de algum sossego. Estava cansada das horas ao computador a moerem-lhe os olhinhos à podridão e cambaleava nas curvas cumprindo a longitude das duas faixas de rodagem. As lágrimazinhas eram sacudidas no parabrisas. Não tinha a certeza de chegar ao destino no meio daquele sono atordoantezinho, mas já não se importava grandemente com isso.
Lá chegou remoendo palavrazinhas imperceptíveis e rolou para dentro da cama sem mais suspiro. Acordou nos braços musculados do seu prometido, cumpriu a sua obrigaçãozinha de mulher ainda meio a dormir, escancarada como uma porta sem vontade, feita para abrir e fechar à vontade de pulsos.
Comeu o pequeno-almocinho na caminha, depois deram os dois uma volta de carrinho. Ela pensava que havia de falar de qualquer coisa, mas tinha o cérebro vazio como os cartuchos de bala depois de disparados. Falava ele de qualquer coisa que ela não era capaz de entender, via passar os risquinhos da estrada pelos olhos semicerrados e fingia-se adormecida pelo solzinho para não ter de dar uma única respostazinha. Comeram uma sandezita numa esplanada no meio de outros tantos casais como eles. Voltaram para casinha, fizeram o jantarinho, que a vida não estava para excentricidades de duas refeições fora de casa, e ficaram a ver televisão enroscados num cobertor de tediozinho lampeiro.
Domingozinho. Acordou nos braços musculados do seu prometido, cumpriu a sua obrigaçãozinha de mulher ainda meio a dormir, escancarada como uma porta sem vontade, feita para abrir e fechar à vontade de pulsos.
Desta vez não comeu o pequeno almocinho na caminha porque a generosidade era só para os recém chegados e ela já lá estava havia mais de 24h. Sairam aprumadinhos para almoçar na casa da mãezinha. Depois tomar o cafezinho e voltar a casa antes de se fazer à estrada outra vez para mais um semaninha de trabalho. Pegar na trouxinha e arrastar-se até ao carro que se arrastou no caminho inverso.
Ainda pensou em cortar os pulsozinhos ou simplesmente deixar escorregar o carro para fora da filinha de pasmaceira sem ninguém dar por nada, mas a Mariazinha era um putazinha hipocrita sem coragem.

Unspoken

Friday, March 02, 2007 | 0 Comments
















Não me perguntes nada,
Não me peças nada
Eu quero crer que quero
Mas não sei

Quero querer o que não quero
Quero acreditar
Saber que há um lado certo
Queria crer
Queria morrer
Assim na sombra púrpura
do espelho que me aniquila e desmancha
Sou quase invisível aos olhos
Sou quase ar.

Metamorfosis

Thursday, March 01, 2007 | 0 Comments

O meu post mudou depois do teu.
O que é que és?
O que é que queres ser e porque é que te moves? Eu fico, eu vou.
Eu caio.
Eu imperfeita.
Eu desfeita.
Eu levanto-me.
Choro.
Rio.
Minto.
Sinto.
Recomeço.
Quero tanta coisa que nem sei o que quero nesta minha ânsia de querer sempre mais e melhor.
Tens tantos defeitos.
Tenho tantos defeitos.
Não me centro nos teus, centro-me nos meus, para que melhorando te possa melhorar.
É pouco? Sim, é pouco, quase nada.
Não podemos aspirar a que todos tenham para si esta exigência, este querer. Seria arrogância.
Quando era mais pequena esfolava-me à procura de joaninhas nos arbustos para depois as por a voar e pedir um desejo. Agora não posso ter a ingenuidade de acreditar no poder mágico do seu voo, mas acredito que nesse poder por parte da vontade.
Não penso que tenhamos de nos desgastar a gerir todas as situações injustas, precárias ou inumanas que nos rodeiam, mas penso que o nosso comportamento e convicções influenciam os outros, os que querem e estão preparados para evoluir. Apenas devemos a nós e a esses a responsabilidade de sermos cada vez melhores, e a responsabilidade de, uma vez que não podemos deixar de ser tocados, de não nos deixarmos embeber nessa corrupção velada.

Uma lição difícil....
Se eu me magoo e passo a odiar quem foi insensível comigo, esse problema é MEU, não do outro.
O outro apenas não correspondeu às minhas expectativas, não deu o colo que eu achava que merecia, não foi o amigo que eu queria que tivesse sido.
Ele foi ELE.
EU é que queria que ele tivesse agido diferente.
Então EU sou o responsável pelo que sinto".
Léa Waider

Exorcismo

Thursday, March 01, 2007 | 0 Comments

O que eu penso de ti. Se soubesses tu o que penso de ti. O vómito controlado pelo auto-controlo desmesurado da boa educação.
Se soubesses. És uma gaja porreira. O estilo universal do que se chama de “gaja” quando se diz de forma depreciativa, “Pronto, é gaja!” Muito dada, sem dúvida. Conquistas todos. Sabes sempre dar o sorriso certo, o toque malicioso, a gargalhada certeira.
Todos sabem tudo de ti dizes. Todos sabem quem és, não tens telhados de vidro - pensas tu confiante. Afirmas como convicções próprias frases feitas que ouves nas novelas, na tv ou que lês nas revistas de que não sei o nome. Tens aquela expressão porreira, afável até, mas perturbas naquele riso cínico miudinho de quem à primeira dá a facada nas costas, logo ali no canto da copa. Aquele olhar de soslaio de quem inveja o que de bom os outros têm e que transforma um sorriso em desvario nervoso à mínima contrariedade.
Gostas de parecer sempre discreta. Usas roupas que não revelem formas mas roçaste de forma indecente em todos aqueles de quem poderás retirar algum benefício. E mesmo nos outros também. Não vá o diabo tecê-las e poderem influenciar os primeiros. Mas depois repreendes os seus avanços com palmadinhas secas e maternais, mas revelas a todos a alto e bom som que nunca usas soutien.
Quando alguém te supera minimizas o seu mérito, quando alguém te critica atiras as culpas em todas as direcções menos na da auto-crítica e aprendizagem. Bates no peito, suspiras saudade e distribuis cumprimentos afáveis. Isto quando andas bem disposta.
Refilas por tudo e por nada. Justificas o teu mau humor com “coisas de mulheres”. Corres para o fim do corredor onde fica a casa de banho quando as coisas não te correm de feição, num choro pseudo controlado e numa indignação pueril que parece funcionar e captar a compreensão de todos. Pertences a todos os clubes: os de futebol, os do cigarro, os da disco in da moda. Nada de política que isso é de gente corrupta e “eles” só querem poleiro. Nada de associações humanitárias que “sou uma boa pessoa e contribuo imenso quando posso, de resto é só hipócritas”. Nada de organizações cívicas “que isso é de mulheres que não têm mais que fazer, mas acho que alguém deve participar nisso”. Não votas porque “é tudo uma cambada de comilões que não merecem o meu esforço”.
Criticas quem passa por ti se for bonito. A beleza é algo que te ofende, principalmente se não for a tua ou aquela aceite pelos teus parâmetros. A beleza reprimida, tímida, enclausurada pela calça decente e o camisolão discreto. O cabelo apanhado. O olhar provocante mas dissimulado. Os toques casuais pensados ao ínfimo pormenor.
O pior, o pior mesmo é que enquanto escrevo isto sinto-me quase tu. Pior do que tu. Sinto-me má na minha consciência da revolta e da intolerância que te tenho.
Exorcizo-me nestas linhas, tento tirar-te de mim. A minha língua bífida não tem igual neste momento. O mal é algo que se infiltra em nós como a humidade pegajosa numa parede escurecida. A minha consciência grita para que me cale e te compreenda. Não tenho o direito de te julgar. Sinto-me ainda pior quando penso “devia era ajudá-la.” Ora porra, mas sou alguma irmã Teresa de Calcutá? Achar-me-ei eu superior a este ponto? Isto não pode ser coisa boa. Ai não pode não.
Ora estamos em rescaldo de cinema e a colheita foi das boas.
Comecemos por Smokin’ Aces (ou Um Trunfo na Manga). Falamos de puro entretenimento pipoqueiro. Bom, muito bom no seu propósito, é brutal e cómico na construção de personagens meio toutiças como por exemplo um grupo de neo-nazis sanguinários que numa cena hilariante manietam um morto para se desculparem de o terem morto. A inspiração à Tarantino em Cães Danados é no mínimo, saborosa. É o desvario total, num todos contra todos, num vamos lá a ver se sobra alguém do genérico. O alvo de todas as tentativas de assassínio mantém-nos no suspense de adivinhar quem é que afinal lhe retira aquele sofrimento, pois ainda por cima não é lá muito simpático. O final de mandar tudo às urtigas é simples e não desilude a adrenalina e euforia de todo o filme. Destaque ainda para a revelação da lindíssima Alicia Keys que não é apenas a senhora de uma voz poderosa, como é igualmente poderosa na pele de uma sensual assassina armada até aos dentes. Temos mulher!

Passemos a Letters from Iwo Jima do senhor Clint Eastwood. Meus amigos, este filme é uma obra de arte. Passado durante a II Guerra Mundial, soldados japoneses eram enviados para a ilha de Iwo Jima sabendo que o mais provável era que não voltassem com vida. Apesar de contar com pouco mais do que uma enorme força de vontade e com a própria natureza inóspita da ilha, o General Tadamichi Kuribayashi (Ken Watanabe) conseguiu, apesar de tudo, graças a uma estratégia sem precedentes, transformar o que se esperava um massacre numa heróica batalha de quase 40 dias. Várias décadas depois, centenas de cartas escritas pelos soldados são encontradas no terreno. Cartas que dão um rosto aos heróis de Iwo Jima e ao seu extraordinário general, homem avançado e quase demasiado à frente do seu tempo.

The Last King of Scotland é, no mínimo, um filme grandioso. A começar pela direcção de Kevin Macdonald e da majestosa interpretação da dupla Forest Whitaker (na pele do ditador) / James McAvoy (na pele do jovem médico) é um filme que nos agarra desde o primeiro momento ao último num misto de admiração/indignação. Digno de mais nomeações para Óscares, recebeu o Óscar de Melhor Actor (Forest Whitaker) e conquistou o Globo de Ouro nessa mesma categoria. Ganhou 3 prémios no BAFTA, nas categorias de Melhor Filme Britânico, Melhor Actor (Forest Whitaker) e Melhor Guião Adaptado. Foi ainda indicado nas categorias de Melhor Filme e Melhor Actor Secundário (James McAvoy). Ganhou ainda merecidamente o prémio de Melhor Fotografia, no Festival de Estocolmo.
O título do filme é uma referência aos títulos grandiosos que o verdadeiro Idi Amin dava infantilmente a si mesmo, como "conquistador do império britânico" e "senhor de todos os animais da terra e peixes do mar". Um filme intenso a não perder que conta pelos olhos do seu médico pessoal as incoerências e fraquezas de um ditador cruel e ao mesmo tempo inspirador numa terra miserável. É nesse limbo de uma personalidade ela própria devastada pela miséria que resvalamos rapidamente da admiração a um líder à repugnância atroz de um genocída sanguinário. Poupado na gratuitidade da violência real das atrocidades mas ainda assim forte, muito forte!

Nota: Como eu e a minha colega bloguista Chihiro estávamos ao mesmo tempo a escrever desenfreadamente o post, tal era a impressão que este filme nos deixou, deu-se esta estranha coincidência de repetição do tema. Mas cá fica na mesma até porque são abordagens complementares.

O último Rei da Escócia

Wednesday, February 28, 2007 | 0 Comments

Idi Amin foi um dos mais sanguinários ditadores africanos. De 1971 a 79 estima-se que terá sido responsável pela morte de 300 mil compatriotas no Uganda. Excêntrico e megalómano, Amin transformou-se aos olhos do mundo numa caricatura de si mesmo. Entre os caprichos delirantes da sua governação contam-se a expulsão dos 50 mil indianos do país, por inspiração divina, os planos de invasão dos vizinhos Quénia e Tanzânia e, talvez o dado mais cómico e irónico, o título de rei da Escócia que se ‘auto-concedeu’, por admiração à região britânica e desafio ao antigo colonizador, o Reino Unido. Esta personagem complexa, multifacetada e brutal encaixa numa história real, com um misto de ficção, do ditador ugandês, que morreu no exílio saudita, em 2003, rodeado das 4 mulheres e 45 filhos. “O Último Rei da Escócia” é a adaptação do romance homónimo do escritor britânico Giles Foden.

Mas uma das coisas que mais me tocou no filme, ou melhor que mais me deu que pensar nem foi o problema humanitário resultante de um governo trucidante foi a personagem que ombreia com o ditador, o seu médico. Um jovem alegre, bem disposto, apaixonado, aventureiro e bonito. Um jovem que viaja para um país africano por puro capricho, é verdade que o enquadramento o coloca numa família rígida e claustrofóbica, contudo a solução encontrada foi a fuga para a frente e não a resolução do problema. O que leva o jovem Nicholas a África não é nenhuma escolha racional ou empenhada para com uma causa. Depois de chegar e de integrar uma missão. Após o primeiro impacto da gente subnutrida, doente e carente, Nicholas interessa-se pela mulher do médico seu amigo e deixa-se inflamar pelo discurso do novo líder político. O filme flui e nós vemos a sua alegria ao integrar a lista de “escolhidos” do novo regime. Nicholas torna-se assim braço direito do ditactor sem sequer perceber o que isso implica, ofuscado por um estilo de vida pomposo e aparentemente notável. A importância e aparente notoriedade/poder alimentam o ego e o deslumbramento e Nicholas vai-se enleando cada vez mais nas malhas do ditador calculista, acabando por se apaixonar e ter um caso com a mulher deste. No fim, depois de muitas peripécias, já no limiar da sobrevivência, Nicholas consegue escapar com a ajuda de um amigo, que acaba por morrer para que ele volte seguro para casa. Não há nenhum motivo para que tal aconteça, Nicholas é narcisista, egoísta e movido por paixões, o seu ar de rapazote traquina, a sua alegria quase pueril são leves e envolventes, camuflando uma pessoa sem objectivos, sem força ética e movida por paixões e deslumbramento e por isso caminhando sempre atrás do mais reluzente aceno sem se questionar. Todos os que o rodeiam ao longo do seu percurso tanto na missão humanitária, como depois no hospital do presidente eram pessoas integras, mesmo os pais no seu conservadorismo. É curioso como somos complacentes com certas falhas éticas que parecem apenas pormenores, Spinoza tem razão quando diz que as paixões nos prendem e nos aprisionam, eu diria mais, cegam e toldam o sentido de importância das coisas. São perigosas e perniciosas e fazem com que sejamos entes passivos da sua própria voluptuosidade. Os afectos bem como a beleza devem ser construções racionalizais, com conteúdo e sobretudo centrada em nós e não em qualquer circunstancia efémera e exterior e por isso tão fácil de imputar a responsabilidade que é apenas e exclusivamente de quem age. Eu sei que este caminho é tentador, já o fiz. Já errei ofuscada por simulacros e encantamento (misto de adrenalina e êxtase) - ópio dos sentidos, maçã envenenada da alma.

O Racional dos Afectos

Tuesday, February 27, 2007 | 1 Comments

"ESPINOZA ou a razão como instrumento de felicidade

Baruch d'Espinoza viveu na Holanda entre 1632 e 1677. Pertencia à comunidade judaica de Amesterdão de origem portuguesa, que foi criada após a expulsão dos judeus de Portugal em 1496. Foi excomungado em 1656 pela Sinagoga e foi para Haia, onde se dedicava, também, ao polimento de vidros ópticos que eram muito apreciados em toda a Europa. A sua principal obra foi "Ética". A filosofia de Espinoza conduz à sabedoria que dá alegria e felicidade através do conhecimento racional dos afectos, sem necessidade de um Deus transcendente (não é que Deus não exista em Espinoza, mas trata-se de um Deus-Natureza, infinito, não de um Deus pessoal). Depois de ter constatado como os fins triviais da vida são decepcionantes (pela sua inconsistência, fragilidade e relatividade em relação à nossa afectividade e à nossa subjectividade), Espinoza procurou qualquer coisa que fosse um "bem verdadeiro", isto é, um bem, ao mesmo tempo, sólido e extremo, qualquer coisa cuja descoberta e posse provoquem uma alegria permanente e soberana. Espinoza diferencia o Desejo e as paixões. O Desejo, isto é, o desejo de alegria e de felicidade, é a essência da totalidade da vida afectiva. A paixão é apenas uma parte dessa vida afectiva. A paixão não é definida pelo afecto em geral, mas apenas pelo afecto passivo. Nós «agimos» quando a nossa obra se explica por nós mesmos e resulta apenas da nossa natureza. Pelo contrário, somos «passivos» quando a nossa obra resulta principalmente de causas exteriores a nós mesmos e à nossa essência. A afectividade não é um mal: o que se deve combater não é a afectividade (dado que todo o sentimento de crescimento de força é essencial e bom), mas apenas a afectividade passiva (dado que esta gera uma tristeza que é um sentimento de empobrecimento e de destruição). Uma vez bem identificado o domínio e a essência da paixão como afecto passivo, envolvendo ideias inadequadas, não pertinentes, parciais e falsas, pode-se designar Servidão a situação de um indivíduo vivendo principalmente segundo as paixões: agindo por motivos e causas que não provêm dele próprio, de facto, o individuo é dependente e, portanto, escravo das suas paixões."

"Leiam "Ética" de Espinoza (porque o bem e o mal contam). Faz bem. Areja as ideias. Faz pensar diferente e dá energia para percorrer o caminho da felicidade, concebida como sabedoria que conduz ao conhecimento dos afectos e à Alegria. Que conduz ao espírito positivo, não ao cinismo nem à revolta estúpida e violenta de que saem queimados os próprios revoltosos bem como inocentes que se encontram no sítio errado à hora errada. E que se lixe o Nietzsche que dizia que a felicidade é um projecto dos fracos."

Referência: "Spinoza" de Robert Misrahi, Éditions Médicis-Entrelacs, Setembro 2005

Sem querer mudar uma linha restava-me o arrastão do blog: Fantástico, Melga!

Raising...

Tuesday, February 27, 2007 | 0 Comments


Obrigado por saberes cuidar de mim,
Tratar de mim, olhar para mim, escutar quem sou,
e se ao menos tudo fosse igual a ti.

Black angels, black soul

Friday, February 23, 2007 | 1 Comments

The irreverent bitch rumored of Satan’s Daughter
Extracting beauty from all things into dust
Sinful mortal love.
Can I be trust?
Can I go back?
Can I my errors be undone?
Can I be peacefull again?
Can I be forgiven?

My static charge of evil will damn your soul
keep away from my tears where waters cold
I don't want to hurt or be dangerous to you
I wonder if someone can find that one is who?
Can I became a lighten butterfly again?
Can you stay?
Can you hold my hands?
Can you save from where this nightmare ends?

Lost and Found

Wednesday, February 21, 2007 | 0 Comments

Perdeu-se uma alma. Na altura vestia sapatos de nenúfar, vestido plissado de pétalas de orquídea e usava chapéu de plumas de rosa. Dá-se alvíssaras a quem souber do seu paradeiro ou fornecer informações precisas da sua localização. Na altura do desaparecimento a Alma perdida comportava-se de forma estranha e retraída, olhava para o chão e desviava a conversa. É possível que se apresente errática, confusa e por vezes deprimida. A melhor forma de a identificar é pela sua grande apetência por tostas de atum, olhar sonhador e coisas côr-de-rosa. Pede-se a quem a encontre que lhe indique o caminho para casa ou que informe os familiares e amigos através deste blog. É grande a preocupação e angústia dos que lhe querem bem e que esperam o seu seguro regresso ao lar.

Fragmentos de um Prelúdio da Alegria

Wednesday, February 21, 2007 | 1 Comments

Era uma vez…no estranho mundo do faz de conta.
Era sexta-feira. Do alto da montanha a casa que havíamos escolhido para este encontro erguia-se imponente no seio pedrado da calçada negra, em plena serra. O ar que deitava pela boca desenhava nuvens fugidias, sopros de calor naquela montanha pintada de verde e terra. A viagem foi animada, doseada por aquela ponta de excitação que não nos deixa dormir numa véspera de excursão da escola mas ao mesmo tempo exigia concentração ao nosso condutor. Serpenteámos a encosta íngreme, como se de um caule de feijão interminável se tratasse. Quando chegámos era de noite e da chaminé saía um fumo esbranquiçado que anunciava o calor dentro daquela casa de ar tão familiar e acolhedor.
No dia seguinte, ao anoitecer, a bruma desceu e com ela um sentimento estranho tomou-nos de assalto. Como um feitiço, todos nos metamorfoseámos em seres alados, feitos de pluma e fantasia: anjos endiabrados e demónios carentes, gangsters duvidosos e dançarinas de salon provocantes, gueishas delicadas e samurais corajosos, polícias dominadoras, senhores das trevas e rainhas dos malditos, bruxas brincalhonas, meninas de escola traquinas, meretrizes sedutoras, piratas audazes… Todos tinham o seu lugar nesta história onde cada um encaixava na perfeição, na sua diferença dos demais, na sua peculiaridade inconfundível e no seu poder encantatório.
Tudo começou num banquete organizado pelo Senhor das Trevas e a sua Bruxa favorita, pelos seus congéneres no Japão, a Gueisha Mei e o nobre Samurai e pela Domadora de Leões e o seu amante Turista por quem esta se havia apaixonado quando o seu circo passara pelas Américas. Estes seis improváveis amigos, muitas vezes já apanhados por perigosos feitiços e encantamentos decidiram que era hora de chamar a si a Convenção Anual da ISA (Irmandade dos Seres Alados), a qual reunia os principais líderes do mundo da fantasia que viviam nas suas peles humanas, de comuns funcionários públicos, gestores, empresários... e que apenas em ocasiões muito especiais e controladas se revelavam nos seus super poderes de criaturas diáfanas que eram. Assim se deu inicio aos trabalhos e assim se decidiu que era necessário criar um ritual iniciático que confluísse num sentimento de alegria generalizado, o qual constituiria o chamamento às almas de um verdadeiro uníssono de eternidade. E assim foi feito. Os cânticos eram inebriantes, da pele fizemos pétalas perfumadas com aroma de canela, do corpo fizemos seda, do toque fizemos a nossa própria música. Da boca soltámos a alegria, do canto dos lábios tomamos o sabor do mel, dos passos suaves e ondulantes traçamos as linhas da sedução. Da noite fizemos dia, e com a nossa alegria contagiante curámos todas as preocupações mundanas. O mundo dos afectos desceu nesta noite mágica a todos os humanos e queimou por dentro todos os medos e aflições.
Quarta-feira teremos de apanhar as cinzas.
E assim era uma vez no mundo das fadas.

Pensamento do Dia

Wednesday, February 21, 2007 | 5 Comments


“Disce quasi semper victurus; vive quasi cras moriturus”


Sobrevivendo à tarde...

Thursday, February 15, 2007 | 0 Comments



Eu queria comer gelado à chuva
Eu queria passear à beira rio
Eu queria adivinhar o nome da tua
Pele e senti-la arrepiar-se de frio.

Eu queria tanto não estar aqui
Desenhar-me outra coisa, outro ser
Como é que posso fingir-me
Tanto sem magoar-me até desaparecer?

Eu queria expandir-me
Na pólvora seca das palavras
Nas tuas mãos num qualquer gesto
Eu queria já não querer nada...

Um presente...

Thursday, February 15, 2007 | 0 Comments



Pensar em ti é coisa delicada.
É um diluir de tinta espessa e farta
e o passá-la em finíssima aguada
com um pincel de marta.

Um pesar grãos de nada em mínima balança
um armar de arames cauteloso e atento,
um proteger a chama contra o vento,
pentear cabelinhos de criança.

Um desembaraçar de linhas de costura,
um correr sobre lã que ninguém saiba e oiça,
um planar de gaivota como um lábio a sorrir.

Penso em ti com tamanha ternura
como se fosses vidro ou película de loiça
que apenas como o pensar te pudesses partir.
António Gedeão

Tropelias do Dia de S. Valentim!

Wednesday, February 14, 2007 | 0 Comments

:)

Tudo é perfeito em ti

Wednesday, February 14, 2007 | 0 Comments

“(…)Mas talvez por seres uma pessoa que passou por tanto, mas ainda consegue sorrir, talvez seja por isso que sou completamente viciado em ti. Deve ser isso então: A tua força. E a tua maneira de ser e a tua maneira de estar e a tua maneira de ficar na vida de uma pessoa. É que a tua presença é a tua presença, e não há ninguém (mesmo ninguém) que me consiga fazer sentir tão bem quando te vejo assim (…) Gosto de ti por isso mesmo. Porque tens um narizinho perfeito e um sorriso de boneca. Porque tens uns olhos tão verdadeiros e expressivos que apetece beijá-los devagar e brincar com o teu nariz e dar-te beijinhos leves pela cara toda, no teu cabelo, no teu pescoço. E abraçar-te, enrolar-te nos meus braços (…) e agarrar-te forte e sentir o teu coração bater e saber que estás segura porque estou aqui para te proteger (…)”
Rodrigo Aguiar, in Tudo é perfeito em ti

O que é que o teu nome significa?

Tuesday, February 13, 2007 | 0 Comments

What Marina Means

M is for Magical

A is for Abstract

R is for Refined

I is for Innocent

N is for Nervy

A is for Amorous



What Marisa Means

M is for Musical

A is for Altruistic

R is for Responsible

I is for Intelligent

S is for Serious

A is for Adventurous

Caretas!

Tuesday, February 13, 2007 | 0 Comments

"Hoje estás terrível!" Ouvi a tua voz bem disposta repreender-me, sorri. Fez-me sentir uma miúda pequena. De facto, estava completamente entediada e irrequieta e entretinha-me a fazer caretas nas costas das pessoas. Tu de frente para elas ficavas aflita, não sabias se me havias de me lançar um olhar fulminante se rir também. Os balneários estavam cheios de rechonchudas amostras da produção nacional com péssimo gosto para roupa e, porque às vezes, a nossa impertinente arrogância traquinas não consegui conter esta repreensível (mas deliciosa, confesso) travessura de gozar com os rabinhos anafados das congéneres.
hihihi

Olhar(es)

Monday, February 12, 2007 | 1 Comments

Convidaste-me para ir ver um filme. A tua mensagem era curta e quase incompreensível para outros, mas simples de entender entre nós: “Pipocar às 21h?”
Acabei a tradução que estava a fazer, The Testament, de Eric Van Lustbader, obra que opõe duas sociedades secretas, a Ordem Gnostic Observatines e os Cavaleiros de St. Clement e, feliz por dar o trabalho por terminado aninhei-me no sofá mais um bocadinho. O Miguel estudava para um exame do mestrado e eu tinha no colo a nossa pequena felina, que dormia profundamente. A sala estava quente e confortável e apenas a tua companhia me conseguiria arrancar daquele morno refúgio nesta noite chuvosa e fria.
Saí para a rua ao teu chamamento. Entrei no carro arrepiada. Perdi um botão ao entrar no carro. Paciência. Deixa lá.
Chegamos ao cinema, bebemos um chá e entrámos...























A história era simples. Um homem apaixonado fora traído. Pior, ficara perdido e desencantado. Uma comédia quase noir à maneira woodiana, mas na visão argentina de Juan Taratuto. A grande revelação é Javier, o homem abandonado. Na sua pele um fantástico Diego Peretti, que não conhecia mas que ficará retido na minha memória depois de ontem. Rimo-nos daquele sofrimento tão duro, tão vazio. Tão desalentado. E depois sorrimos perante a reconstrução lenta da auto-estima, a caminhada da angústia para a dor, da dor para a tristeza e da tristeza para o perdão. Detivemo-nos no momento mais feliz do filme e ficamos mudas. Mudas pelo crescimento que aquele momento significava. No Sos Vos, Soy Yo é uma história sobre a procura de um homem por si mesmo, num momento em que o “eu” já não se reconhece a si mesmo sem o outro. A caminhada é solitária, por muito que os amigos o acarinhem e ouçam até à exaustão, por muito que o seu psicólogo o aconselhe, por muitas mensagens que deixe a todas as mulheres que alguma vez conheceu. A descoberta, quase um lugar comum, de que a vida é a força dos nossos punhos materializada em cada dia mas tão difícil de levar a cabo todos os dias.
"Não sabemos como procurar, nem onde encontrar, nem afinal sabemos o que procurar. Somos assim, tão perdidos, que nos agarramos sem sequer poder tocar" (Viver todos os dias cansa, Pedro Paixão, p.65).
A inversão do riso em silêncio é como a inversão dos olhares que partilhamos sobre o mundo.
Os olhares de pálpebras cerradas, que saem do nosso avesso para encher de significado as coisas.
Obrigada por este bocadinho.

Lenda das amendoeiras em flor

Monday, February 12, 2007 | 1 Comments


Esta é das imagens que mais guardo de quando vou a casa - as amendoeiras em flor. Há uma lenda que adorava quando era miúda e que me vem à memória nesta altura do ano quando as primeiras flores de amendoeira començam a despontar nos campos despidos com céu de tule cinza. Deixou-vos a história para lerem à lareira com uma mantinha nos joelhos e chazinho entre os dedos...
Há muitos e muitos séculos, antes de Portugal existir e quando o Al-Gharb pertencia aos árabes, reinava em Chelb, a futura Silves, o famoso e jovem rei Ibn-Almundim que nunca tinha conhecido uma derrota. Um dia, entre os prisioneiros de uma batalha, viu a linda Gilda, uma princesa loira de olhos azuis e porte altivo. Impressionado, o rei mouro deu-lhe a liberdade, conquistou-lhe progressivamente a confiança e um dia confessou-lhe o seu amor e pediu-lhe para ser sua mulher. Foram felizes durante algum tempo, mas um dia a bela princesa do Norte caiu doente sem razão aparente. Um velho cativo das terras do Norte pediu para ser recebido pelo desesperado rei e revelou-lhe que a princesa sofria de nostalgia da neve do seu país distante. A solução estava ao alcance do rei mouro, pois bastaria mandar plantar por todo o seu reino muitas amendoeiras que quando florissem as suas brancas flores dariam à princesa a ilusão da neve e ela ficaria curada da sua saudade. Na Primavera seguinte, o rei levou Gilda à janela do terraço do castelo e a princesa sentiu que as suas forças regressavam ao ver aquela visão indiscritível das flores brancas que se estendiam sob o seu olhar. O rei mouro e a princesa viveram longos anos de um intenso amor esperando ansiosos, ano após ano, a Primavera que trazia o maravilhoso espectáculo das amendoeiras em flor.

Desgaste...

Friday, February 09, 2007 | 0 Comments


Um gesto,
um simulacro apenas.
Como quando arrefece
e acendes a lareira
para dar sangue às brasas.
No halo do vazio,
tudo se torna mais pesado
os voos são rasantes
o corpo apenas uma ancora.
O desgaste da espera,
tudo importa
e tudo corta.
... o vento desfaz os cartazes apodrecidos dos filmes que já ninguém vê

Paciência...

Thursday, February 08, 2007 | 0 Comments

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não para
Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora vou na valsa
A vida é tão rara
Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência
E o mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência
Será que é tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (Tão rara)
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para(a vida não para não)
Será que é tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (tão rara)
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não rara(a vida não para não...a vida é tão rara)


Uma canção para animar e para mimar

Thursday, February 08, 2007 | 0 Comments

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Mei and Arawn