Saturday, April 12, 2008 | 1 Comments


o azul entrou.


não agora. não neste preciso momento.


não quando cantamos a mesma música debaixo da água morna do chuveiro. distantes. tão perto.


o azul entrou aos poucos.


apetecia-me trazer-te comigo. enchíamos o depósito e íamos sem destino. seguíamos ao sabor do vento, do capricho e do olhar. contava-te os meus planos, falava-te do futuro como se fosse fácil de fazer como um barco de papel. Tu, doce, ao ouvido sussurravas como nos imaginavas daqui a uns anos. não sei como seria, mas só o facto de pronunciares essa palavra, já traz luz e força. Ririamos muito de nos pensar a fazer, já muito velhinhos, corridas de andarilho no lar com a mesma animação com que antes fizemos de carrihos de rolamentos. a alegria contigo é tarefa fácil ou não fosses tu feita de sorrisos, de palavras soltas, que não nos interessa para nada senão para nos sentirmos, como se estivessemos no contorno das palavras, no fim dessa linha que se desdobra e nos redobra. Ganhar-te é bom como voar e difícil como fazer uma aula de trapézio e trampolim. os dias podem ser luminosos e ainda assim escuros, como as duas faces da mesma moeda, a revelar, uma e outra vez, que é a vida é assim, feita de contrastes. exorcizar a dor, que dará, depois, lugar ao ar fresco, à leveza. sublime, esses mergulhos, risos.


caminhamos juntos,


caminhamos separados,


caminhadas junto às ondas, até onde a pele encontra o sal.


caminhamos.

Declaração de amor

Friday, April 11, 2008 | 2 Comments

You Give Me Something

Thursday, April 10, 2008 | 1 Comments


Please give me something,
'Cause someday I might call you from my heart,
But it might me a second too late,
And the words I could never say
Gonna come out anyway.

Música.

Breath in breath out

Thursday, April 10, 2008 | 1 Comments

- Sabes o que é realmente bonito de se ouvir? mesmo muito bonito?
-Diz
-Prometes que não gozas?
- Prometo, diz.
- A sério?
- A sério. Diz.
- A coisa mais bonita de se ouvir, mais melodiosa, doce, que nos faz sentir bem e em paz, sentindo comunhão e paixão, desejo em comum e partilha.
- diz
- que nos explica porque viemos a este mundo e nos comprova que pertencemos a ele
- Desembucha
- que ao primeiro sopro nos mostra que estamos vivos, e que, acima de tudo, somos importantes, pelo menos para quem somo-lo, é...
- Diz, fala, fala de uma vez...
- tão só... em pequenas partículas de existência e ser
- diz diz
- de forma tão singela
- ...
- a respiração da outra pessoa ao nosso lado.
Paulo Ferreira in Cartas a Mónica


Música.

Ain't no sunshine when she's gone.

Wednesday, April 09, 2008 | 1 Comments




Ain't no sunshine when she's gone.
It's not warm when she's away.
Ain't no sunshine when she's gone
And she's always gone too long anytime she goes away.

Wonder this time where she's gone,
Wonder if she's gone to stay
Ain't no sunshine when she's gone
And this house just ain't no home anytime she goes away.

Hey, I ought to leave the young thing alone,
But ain't no sunshine when she's gone, only darkness everyday.
Ain't no sunshine when she's gone,
And this house just ain't no home anytime she goes away

ou aqui...
http://www.youtube.com/watch?v=UuQDAbfha3k&feature=related

...we'll make it grey(t)!!!

Wednesday, April 09, 2008 | 0 Comments

Touch me

Wednesday, April 09, 2008 | 0 Comments

O toque. Fala-se da importância que o toque tem, do quanto é fundamental para as pessoas tantas vezes privadas de tudo o resto, da diferença que pode fazer quando estão rodeadas unicamente de estranheza, abraçar, tocar, roçar ao de leve.
Neste instante lembrei-me da massagem divinal que te devo, da maneira como me tocas e da magia quando acontecem os nossos lábios.Tenho vontade de ti, saudades das mãos fortes e acolhedoras. Das palavras simples, do abraço seguro, é tão fácil chegares até mim. É tão fácil...

Acho que nunca ninguém valsou comigo nestes labirintos de desejo e palavra.

Hoje a saudade apertou, voltou em força, junto com a certeza de que és uma pessoa especial que faz parte de mim, isso faz-me crer que estás aqui e que não estou só contra o mundo, sou muitas, escudada pelo que trago dentro.

Hoje vou partir o cinzento e fazer azul das palavras, azul que nos encha o dia, os sonhos e as promessas. Azul que nos encha os gestos e encha a espera de um compasso morno.

Cinemania em dia!

Tuesday, April 08, 2008 | 1 Comments

A nossa rubrica de cinemania desta semana é de grande variedade e qualidade como poderão verificar em qualquer cinema perto de vocês.
Amor em Tempos de Cólera - Já escrevemos neste blog (aqui) acerca da expectativa que pesava sobre esta adaptação do romance de Manuel Garcia Marquez. E confirma-se. Esta adaptação para a fita mágica resulta num épico romântico bonito, sensual, apaixonadamente arrebatador e quase que nos leva a sair na demanda enamorada de amores impossíveis. Muito embora a caracterização e a escolha do local das filmagens, Cartagena, na Colômbia sejam excelentes, é pouco aceitável que sendo o elenco maioritariamente latino se fale em inglês quando a esmagadora maioria deles poderia facilmente falar na língua original do romance. Há uma distância emocional relativamente ao amor impossível de Fermina e Florentino que não deixa passar a profunda angústia em que o nosso protagonista vive... não se entranha em nós a dor da mesma forma que no romance original, muito porque Mike Newell faz um trabalho de edição à pinça, colada aos factos, arrancando páginas de paragens necessárias para a assimilação afectiva das emoções. Contudo é uma obra bem conseguida, sobretudo devido à notória direcção de arte.
Fica (mais uma vez) a banda sonora para vosso deleite.

Entrevista - Pierre Peters (Steve Buscemi) é um repórter auto-destrutivo que já viajou pelo mundo cobrindo grandes reportagens em cenários de guerra. Quando é destacado para entrevistar a estrela televisiva Katya (Sienna Miller), sente-se humilhado por ter de desempenhar um trabalho menor, sentindo-se frustado. Os dois encontram-se num restaurante e daí resulta a colisão quase cómica de dois mundos opostos: o mundo sério e político de Pierre e o mundo superficial de celebridade de Katya. O filme avança para uma cena à maneira de duelo psicológico bem estruturado, onde revelações honestas rapidamente se transformam em decepções e o confronto evolui para um apaixonado jogo de xadrez verbal repleto de intriga e tensão sexual. Entrevista é um remake realizado pelo director Steve Buscemi que também protagoniza junto com a actriz e modelo Sienna Miller. No final, Buscemi dedica o filme a Theo, que é na realidade Theo van Gogh, director do filme original que tinha uma carreira promissora a qual foi fatalmente interrompida no dia 2 de novembro de 2004 quando foi assassinado por um fundamentalista irado com o retrato do Islão que o cineasta fez num dos seus filmes.

Vantage Point - Oito personagens com um ponto de vista privilegiado do assassinato do presidente dos EUA. Vemos repetidamente os mesmos 15 minutos sob estas várias perspectivas, filmadas de uma forma dinâmica e que cativa o espectador mais adormecido. É verdade que tem alguns clichés, é verdade que quase roça o 24h e quase juramos que vai aparecer a qualquer momento o Jack Bauer, mas as perseguições têm um toque bem europeu e é um filme que entretém eficazmente. Thomas Barnes e Kent Taylor (Dennis Quaid e Matthew Fox) são Agentes dos Serviços Secretos, designados para proteger o Presidente Ashton, numa cimeira sobre a guerra global contra o terror. Quando o Presidente Ashton é baleado, momentos após a sua chegada a Espanha, o caos instala-se. No meio da multidão, Howard Lewis (Forest Whitaker), um turista americano, estava a gravar o acontecimento histórico para mostrar aos seus filhos no seu regresso a casa. Há também Rex (Sigourney Weaver), uma produtora de televisão americana que é inquirida sobre a conferência. A terrível verdade sobre o atentado apenas nos é revelada à medida que observamos as perspectivas de todas as personagens, naqueles fatídicos 15 minutos antes e depois do tiro ter sido disparado.

Autópsia de um Crime - Delicioso. Simplesmente delicioso. O remake do filme Sleuth (Autópsia de um Crime) tem como únicos protagonistas Michael Caine e Jude Law. Este remake do clássico de Joseph L. Mankiewicz, de 1972, realizado agora por Kenneth Branagh, conta também com Michael Caine no papel do excêntrico Andrew Wyke. Há 35 anos, Caine integrou o elenco do filme original, no papel que agora cabe a Jude Law.
Em jeito de duelo psicológico, o enredo adensa-se através de um jogo perigoso entre dois homens igualmente astutos e perversos e que resultará no crime perfeito. Explicando...Milo Tindle (Jude Law), um jovem actor desempregado, dirige-se à mansão de campo do bem sucedido escritor de romances policiais Andrew Wyke (Michael Caine) para lhe confessar que tem mantido um romance com a sua mulher. Andrew afirma aguardar há muito por aquele momento - que considera ideal para cometer o crime perfeito - e propõe a Milo que este roube as jóias do cofre da sua mansão, ficando o dinheiro do seguro para Andrew e as jóias e a sua mulher para Milo. Milo acede ao desafio mas cedo percebe que aquilo que parecia um simples e inconsequente jogo elaborado por um escritor obcecado por romances policiais pode, afinal, ter consequências trágicas e inicia-se uma batalha de génios entre os dois onde nada é o que parece. Quanto ao resto que gostavam de saber, só podem descobrir indo ver. O remake mantém o título e a ideia original do filme de Mankiewicz, inspirado na peça de teatro de Anthony Shaffer, mas tem argumento renovado. A estrutura de um crime perfeito é agora assinada pelo dramaturgo e Prémio Nobel da Literatura, Harold Pinter.

Parabéns!!!

Tuesday, April 08, 2008 | 0 Comments

Parabéns Ogâmico!
Parabéns Nuno e João!



Pelo amor com que nos recebem;
Pelo vinho quente que nos resguarda a alma na tempestade;
Pelo sítio fantástico onde podemos naufragar;
Pelo cais onde podemos iniciar novas viagens na noite;
Pelos amigos que reunem;
Pela música que nos embala;
Pela sede de ficar;
Pelos petiscos gourmet em especial pelo crumble de maçã! :D
Pela abnegação e esforço diários para nos proporcionarem algo assim;
Por acreditarem e concretizarem um sonho que já leva 3 aninhos!! Parabéns!

Sing with me

Monday, April 07, 2008 | 1 Comments


Stranded - Jennifer Paige

Náufragos, no areal plácido da nossa nostalgia
Adormecidos
Achados nos versos ternos de uma velha cantiga
Enamorados
Perdidos na vaga de sons que a pele arrepia
Amenos
Abalroados pela onda quente que tudo contagia
Devassos
Inebriados pelo sabor acanelado de doces lábios
Travessos
Embalados pelo musicar sem pauta nem batuta.
Alinhados
Confidentes no sofá morno dos nossos pecados
Amantes

Crush...

Monday, April 07, 2008 | 0 Comments

Pede-se, Dá-se

Monday, April 07, 2008 | 2 Comments

Waiting for...Better days

Monday, April 07, 2008 | 0 Comments

Love heals what love kills

Friday, April 04, 2008 | 0 Comments





Amar é resistir:
ao dia seguinte
mesmo que o dia seguinte seja pior que o primeiro
às manhãs de chuva e cinza
à subida dos impostos
à miopia dos hábitos implantados
aos rumores
ao trabalho monótono
à corrupção
à distância
à febre de ser ilha e solidão
às flores que murcham nas jarras
aos sonhos que morreram
ao gesto em vão
à vontade de não ser nada
ao silêncio granítico depois de cada palavra
às pessoas que vivem dentro das paredes
às gargalhadas que não entendemos
aos que nos golpeiam
aos erros
ao que nunca entenderemos
aos desterros
à demência.
Amar é resistir a nós,
Amar é resistir a tudo.

One night to be confused

Friday, April 04, 2008 | 1 Comments



One night to be confused
One night to speed up truth
We had a promise made
Four hands and then away

Both under influence
We had divine scent
To know what to say
Mind is a razor blade

To call for hands of above
To lean on
Wouldn't be good enough
For me, no

One night of magic rush
The start a simple touch
One night to push and scream
And then relief

Ten days of perfect tunes
The colors red and blue
We had a promise made
We were in love

To call for hands of above
To lean on
Wouldn't be good enough
For me, no

To call for hands of above
To lean on
Wouldn't be good enough

And you, you knew the hands of the devil
And you, kept us awake with wolf teeth
Sharing different heartbeats
In one night

To call for hands of above
To lean on
Wouldn't be good enough
For me, no

To call for hands of above
To lean on
Wouldn't be good enough
For me, no

Amor em tempo de Cólera

Thursday, April 03, 2008 | 0 Comments

Acordei cansada mais uma vez, demasiado cansada para uma manhã, não há meio de deixar cair este sargasso.
Talvez entendas se um dia se um dia tiveres de esconder. Tapar a cara, sentir vergonha de ti. por não te apetecer falar, apenas chorar. Desejo de teres um chuveiro em cima de ti que te afogasse a alma, te limpasse os cheiros, a dor a mágoa de ser magoada. Tapar a cara, esconder os minutos em que choraste por um sonho que não era só teu, depois deixou de ser sonho e passou a ser uma volátil trivialidade. Desejo de teres um buraco onde saltar, que te cobrisse a alma, te matasse o ar, a dor, a mágoa de porem te porem em dúvida, depois de teres cumprido tudo o que era suposto, de teres feito tudo o que te haviam pedido que fosse feito. Se um dia tivesses de aceitar, sem nenhuma argumentação possível o bater da porta, a cadeira vazia? Eras capaz de dizer que te pediam acções e as tuas acções eram pesadas numa balança diferente? Que o teu projecto é dispersão e o projecto de outro não? Não nascemos uma vez, nascemos muitas, todas as vezes que nos matam qualquer coisinha que brilhava cá dentro, o que realmente brilhava quando acordava a cantarolar todos os dias para fazermos algo nosso, o que brilhava quando dizia com orgulho no nosso projecto, sim porque o que me fazia brilhar não é ser empresária, eu não tenho o sonho de ser empresária, nunca tive, é problema dos líricos, também nunca me moveu o dinheiro, gosto dos pequenos luxos, mas nunca hesitei nem uma vez quando o dinheiro não chegava para os ter e poder partilha-los em tos dar, esse presente, em forma de sapatinhos de encantar ou de aroma de países distantes, fazia-me tão ou mais feliz. Como é que posso ouvir sem o coração se desmanchar que alguma vez te tiraria alguma coisa, ou prejudicaria ou trairia? Seremos as mesmas que almoçamos gelado, falamos de fadas mundos élficos e amor? Eu até posso ser uma sombra, eu até posso ser infantil, impossível, imprevisível e irrascível, posso não saber muita coisa, mas sei que faria tudo por ti, até daria a vida por ti e amo, muito... e tu, sabes?
Afogar-nos no som alto e vibrante que nos ensopa e atordoa, deixar finalmente cair o corpo e as lágrimas.

Smokers Outside The Hospital Doors

http://www.youtube.com/watch?v=blP9LWyKqzI&NR=1

Pull the blindfold down
So your eyes can't see
Now run as fast as you can
Through this field of trees

Say goodbye to everyone you have ever known
You are not gonna see them ever again
I can't shake this feeling I've got
My dirty hands
Have I been in the wars?
The saddest thing that I'd ever seen
Were smokers outside the hospital doors

Someone turn me around
Can I start this again?

How can we wear our smiles
With our mouths wired shut
'Cause you stopped us from singing

I can't shake this feeling I've got
My dirty hands
Have I been in the wars?
The saddest thing that I'd ever seen
Were smokers outside the hospital doors

Someone turn me around
Can I start this again?
Now someone turn us around
Can we start this again?

We've all been changed from what we were
Our broken hearts left smashed on the floor
I can't believe you if I can't hear you
I can't believe you if I can't hear you

We've all been changed from what we were
Our broken hearts smashed on the floor
We've all been changed from what we were
Our broken hearts smashed on the floor

Someone turn me around
Can I start this again?
Now someone turn us around
Can we start this again?

An End Has A Start

http://youtube.com/watch?v=NMKEHQqREMo

I don't think that it's
Gonna rain again today
There's a devil at your side
But an angel on her way

Someone hit the light
'Cause there's more here to be seen
When you caught my eye
I saw everywhere I'd been
And wanna go to

You came on your own
That's how you'll leave
With hope in your hands
And air to breathe

I won't disappoint you
As you fall apart
Some things should be simple
Even an end has a start

Someone hit the light
'Cause there's more here to be seen
When you caught my eye
I saw everywhere I'd been
And wanna go to

You came on your own
That's how you'll leave
With hope in your hands
And air to breathe

You lose everything
By the end
Still my broken limbs
You find time to mend

More and more people
I know are getting ill
Pull something good from
The ashes now be still

You came on your own
That's how you'll leave
With hope in your hands
And air to breathe

You lose everything
By the end
Still my broken limbs
You choose to mend

You came on your own
That's how you'll leave
You came on your own
That's how you'll leave

You came on your own

You came on your own

Quebramos

Wednesday, April 02, 2008 | 0 Comments

Eu quebro
Tu quebras
Ele quebra
Nós quebramos....

Dia das mentiras

Wednesday, April 02, 2008 | 0 Comments

Quem me dera que fosse tudo mentira e não estivesse aqui a ouvir-te, nem a noite a enevoar-se, nem a as palavras as cravarem-se na pele como dardos.

Quem dera que fosse mais uma tola mentira...

Golpes

Tuesday, April 01, 2008 | 0 Comments

Há pequenos cortes que fazemos quase sem dar conta, num qualquer pedaço de vidro perdido num sofá, numa folha de papel que dobramos de repente, num qualquer roçar distraído numa parede mais rugosa.
Chegamos-lhes os lábios, curadores, e ainda assim ardem.
Há cortes que nos fazem, em gestos de impulso, quase sem pensar, numa qualquer conversa escutada de fininho, numa qualquer oportunidade aproveitada à revelia ou numa expectativa frustada, numa crescente perda de confiança. Há cortes que vêm de onde menos esperamos, silenciosos e matreiros. E começamos a ter mais cuidado, a querer evitar essa superfície perigosa, ciosos pela sobrevivência.
Há o ardor que nos anuncia do corte, mas que nem sabemos bem porquê nem de onde vem, mas do qual temos a certeza da existência pois dói e arde e incomoda de cada vez que alguma coisa lá toca. Há golpes dos quais adivinhamos a iminência, no desconforto, na falta de atenção ao pormenor, na atitude repetida, numa palavra mais dura ou num gélido ignorar das nossas necessidades. Estes cortes que não se veêm, que parecem quase-nada, que nem sequer sangram para fora, não nos deixam dormir, revolvem-nos na cama, obrigam-nos a ter tiques nervosos miudinhos e não nos abandonam, não passam. Simplesmente não se curam. São como espinhos finos cravados na pele e que tentamos retirar com pinças... e perguntamos: "consegues vê-lo, sei que está aí, pois sinto-o a morder-me a pele".

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