A moda devia receber um Nobel da Paz

A nossa janela

Friday, November 12, 2010 | 1 Comments

A nossa janela é feita de lápis e palavras, é transparente como água e resistente como o vidro. O vidro já tem riscos e algumas manchas do tempo e do desgaste, mas tem as cores reluzentes e alegres de todo um mundo descoberto, mundo que espreitámos vezes sem fim, juntas, através do calor da nossa alma e onde desenhámos histórias de encantar. A nossa janela faz lembrar as casas doces das histórias de embalar. Os seus vidrinhos encerram aventuras e calmarias, quedas e voos, finais tristes e outros mais felizes.
A nossa janela é tua e minha e sentiu a tua falta, nesse espaço onde deixaste um coração desenhado com as nossas iniciais, há muito, muito tempo. E é tão bom voltar a espreitar o mundo por aqui, contigo ao meu lado.

Até já, Sr do Adeus

Thursday, November 11, 2010 | 0 Comments

Chamava-se João, mas a maioria dos lisboetas conheciam-no apenas por Sr. do Adeus. O seu gosto por cinema e por pessoas, a sua generosidade feita gesto a quem passava, a melancolia e a timidez quando falava, e a dádiva de mão aberta e sorriso em riste para quem passasse por ele, não serão esquecidas. Aqui fica a nossa homenagem sentida a alguém que, parecendo ser um estranho, entranhava-se em nós, como açucar na alma.
Até já, Sr. do Adeus!

I'm a Power Girl

Thursday, November 11, 2010 | 1 Comments

Não importa o obstáculo que se meta pela frente - "Damos cabo dele!"
Nós, as mulheres modernas somos assim, miúdas cheia de genica para dar conta de todas as tarefas do dia a dia, de salto alto e corpinho de ginásio sempre em forma.
Nem uma ida a hospital para exames chatos nos tiram o glamour. :)

Receitas na Caneca

Wednesday, November 10, 2010 | 0 Comments




A brincadeira é que bates os ingredientes na própria caneca com um garfo e pões no microondas durnte 3 minutos. 
A massa crua é mais mole que a de um bolo normal mas é assim mesmo. 
Não aumentes a farinha ou terás um bolo duro. 

Bolo de caneca
Prepare na própria caneca em que irá consumir e em apenas 3 minutos no microondas. 
Ingredientes: 
- 1 ovo pequeno 
- 4 colheres (sopa) de leite 
- 3 colheres (sopa) de óleo 
- 2 colheres (sopa) rasas de chocolate em pó 
- 4 colheres (sopa) rasas de açúcar 
- 4 colheres (sopa) rasas de farinha de trigo 
- 1 colher (café) rasa de fermento em pó 
Modo de Preparo: 
- Coloque o ovo na caneca e bata bem com um garfo. 
- Acrescente o óleo, o açúcar, o leite, o chocolate e bata mais. 
- Acrescente a farinha e o fermento e mexa delicadamente até incorpar. 
- Leve por 3 minutos no microondas na potência máxima. 
Dicas 
- A caneca deve ter capacidade de 300ml. 
- A medida de colher é sempre rasa. 
- Você pode servir este bolo com coberturas, caldas, castanhas e sorvete. E pode comer quente. 

Viver amantizada! :D

Wednesday, November 10, 2010 | 0 Comments

Hoje ouvi no rádio que o ano passado a taxa de divórcio era de 1 em cada 2 casamentos e que actualmente ocorrem 72 divórcios por mês.
Não sei se isto é sinónimo de que já ninguém vive em resignação e sem amor ou se simplesmente já ninguém atura ninguém e já não há o mínimo esforço de compreensão e crescimento conjunto. Possivelmente os dois.
Os inquéritos dão como maior causa dos divórcios "somos muito diferentes" o que me parece uma desculpa esfarrapada. Ninguém é igual a ninguém e além dos kaziliões de hormonas que fazem uma mulher diferente de um homem, se fossemos iguais ou bem que estávamos no coro de Sto Amaro de Oeiras, ou bem que éramos siameses, ou bem que era um tédio.
Eu nunca casei, mas moro amantizada, que é um termo antigo e altamente saboroso para quem mora junto sem estar casado. Somos muito diferentes, mas esses é o tempero que faz valer a pena estarmos juntos. Não sei se é para sempre, nem sequer penso nisso, se não for não é nenhum drama. Nós mudamos o que queremos da vida, portanto é natural que mudemos de companheiro para rumos diferentes se o anterior não o quiser fazer, mas... se amamos de verdade vale a pena investir tempo e trabalho na relação, não é uma coisa amorfa que existe por morarmos na mesma casa,aliás se assim fosse as celas todas das prisões por esse mundo fora estavam cheias de pessoas com relações. Vale a pena tentar fazer a metamorfose fantástica que é envelhecer com a pessoa com que amamos!

Os idosos e a cidade de Lisboa

Wednesday, November 10, 2010 | 3 Comments


Nesta demanda diária de andar de transportes públicos, há uma coisa que me intriga: o que andam os velhotes a fazer às 8:30 da manhã nos autocarros? Porque andam eles, a esta hora da manhã, atulhados em transportes que visivelmente não fazem percursos turisticos, lutando pelos poucos lugares vagos que obviamente lhes são cedidos pelos utilizadores mais cívicos, esses sim em idade produtiva, carregados com computadores portáteis, pastas e demais carregos que o seu dia de trabalho exige? Porque passeiam os velhotes desta forma, fazendo os percursos de autocarros até à paragem final e apanhando outro transporte de seguida onde também só sairão na última paragem, como forma desesperada de matar o tempo?
E claro que os velhotes têm pressa! Estão mais próximos da morte, por isso têm de passar à frente nas filas, têm de correr mal há um lugar vago para acalmarem a dor nas cruzes, têm de refilar e têm de se queixar a alto e bom som do governo, das reformas baixas, da poluição, das dores e de tudo o que a sua lucidez e imaginação permitirem.
Muitas são as freguesias da nossa cidade que dispõem de transporte para os idosos se deslocarem para tratamentos, consultas ou outras coisas que necessitem. Porque não são usados pelos milhares de idosos que todos os dias circulam nos nossos transportes públicos? Porque, basicamente, eles querem passear. Querem aproveitar o tempo que lhes resta a fazer alguma coisa.
Porque se amontoam os velhotes nos jardins e noutros locais, onde a poluição e falta de condições é preemente para as suas necessidades de conforto, quando podiam estar calmamente, na sua aldeia de origem ou em qualquer outro local calmo e aprazível, a passear pela natureza e a gozar com qualidade o tempo que lhes resta?
Se eu não tiver a lucidez de chegar a velhota e mudar-me para um local prazenteiro, tranquilo e muitas vezes bem mais económico que a cidade, obriguem-me, por favor!
Temos uma cidade que em vez de ser o local de morada dos jovens em idade produtiva, de rendas actualizadas e edifícios dignos, é a cidade das rendas miseráveis, dos prédios a cair por falta de dinheiro para a manutenção, tendo a classe activa de viver nos subúrbios e gastar 2h diárias de viagem para poder trabalhar. Temos idosos que em vez de cuidarem dos netos, de aprenderem alguma arte e se sentirem úteis, se sentam surumbaticamente nos bancos de jardim ou entopem os trajectos utilitários de quem precisa de trabalhar para que exista Segurança Social e os demais instrumentos sociais à disposição das faixas mais carenciadas da população.
O desafio não é fácil, mas é possível.
A questão do envelhecimento apresenta-se como um desafio actual para toda a sociedade e em particular, para os seus governantes. Recordo que tal processo exige cada vez mais modificações e actualizações nas políticas públicas para que ultrapassem a esfera da saúde biológica, tendo, portanto que incorporar uma ampla cobertura psicológica, com preocupação também em relação às dimensões sócio-culturais, económicas, urbanas, espaciais, pois são questões pertinentes à contemporaneidade vivida por este segmento etário.

Na reflexão sobre a relação entre o idoso e as políticas públicas inerentes a uma cidade, na qual os mesmos estão inseridos, deve-se considerar a velhice - não somente como um fenómeno biológico que traz em si um entrave na vida do idoso -, pois tal fenómeno também possui uma dimensão existencial a ser considerada, visto que implica uma relação com o outro, uma troca que enriquece a todos.

Mediante um diagnóstico de muitas cidades do nosso país, podemos identificar problemas e propor algumas linhas para uma política pública para idoso na cidade. Entre essas linhas destacam-se: a melhoria da qualidade de vida do idoso; os seus rendimento e o dos seus familiares; o acesso por parte dos idosos a novas tecnologias e alternativas de empregabilidade; a infra-estrutura da cidade e o seu espaço arquitectónico; a assistência aos idosos; a implementação de mais cursos e a formação de profissionais na área gerontológica; a qualidade da educação dispensada aos idosos; o seu acesso à saúde gratuita; a valorização do conhecimento e da cultura da população idosa, a participação da sociedade nas decisões que envolvam as políticas públicas do idoso.

A elaboração de políticas públicas, porém, é apenas o início do processo. Resta saber como essas políticas serão implantadas, ou seja, operacionalizadas e, mais que isso, como elas serão monitorizadas e avaliadas, pois entende-se que o seu objetivo último seja a melhoria da qualidade de vida da população idosa, bem como da restante população no activo, para o exercício pleno da democracia para todos.

Unbreakable

Tuesday, November 09, 2010 | 1 Comments

Ninguém pode parar o amor! Nem mesmo a nossa racionalização dos factos.
É preciso crescer para ver mais além, é preciso crescer para aprender a ser mais forte e saber gritar.
"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades" dizem, mas há coisas que simplesmente não podemos mudar, seria como decidir que não precisamos de respirar ou de beber água.
Às vezes precisamos de tempo.
Às vezes só precisamos dizer.
Neste momento não me apetece ser romântica, apenas pragmática. Estou de volta :) e feliz por isso.
Metamorfose feita, ficou-nos o amor para reconstruir o futuro.

Set it Free!

Tuesday, November 09, 2010 | 1 Comments

Penso no perdão como uma grandiosa capacidade de sobrevivência. Para mim mesma. Saber perdoar ajuda-nos a encontrar um caminho alternativo à maldade, à falta de compreensão, à mágoa, ao ressentimento e ao ódio. E torna-nos pessoas melhores e mais felizes. :)
Há uma frase de Lewis Smedes que diz tudo:“To forgive is to set a prisoner free and discover that the prisoner was you.”


O segredo é não esperar que o outro mude ou peça desculpa. O segredo é descobrir que a mudança está em nós. :)

A pensar na malinha de viagem

Thursday, October 28, 2010 | 0 Comments

Uma mala de viagem não é apenas mais uma mala cheia de coisas. Encerra a esperança dos dias que aí vêm. Cada casaco que escolhemos representa uma passeata, um cappuccino sorvido numa esplanada a ver os transeuntes apressados a passar. Cada peça, uma promessa de risos e de aprendizagens novas. Hoje farei a minha mala com 4 dias dentro cheios de ternura e aventuras. Madrid, cá vou eu. Até 2ª feira!

Segredo de um casamento feliz :)

Wednesday, October 27, 2010 | 0 Comments

"Um Segredo de um Casamento Feliz", por Miguel Esteves Cardoso, in "Jornal Público"


"Desde que a Maria João e eu fizemos dez anos de casados que estou para escrever sobre o casamento. Depois caí na asneira de ler uns livros profissionais sobre o casamento e percebi que eu não percebo nada sobre o casamento.

Confesso que a minha ambição era a mais louca de todas: revelar os segredos de um casamento feliz. Tendo descoberto que são desaconselháveis os conselhos que ia dar, sou forçado a avisar que, quase de certeza, só funcionam no nosso casamento.

Mas vou dá-los à mesma, porque nunca se sabe e porque todos nós somos muito mais parecidos do que gostamos de pensar.

O casamento feliz não é nem um contrato nem uma relação. Relações temos nós com toda a gente. É uma criação. É criado por duas pessoas que se amam.

O nosso casamento é um filho. É um filho inteiramente dependente de nós. Se nós nos separarmos, ele morre. Mas não deixa de ser uma terceira entidade.

Quando esse filho é amado por ambos os casados - que cuidam dele como se cuida de um filho que vai crescendo -, o casamento é feliz. Não basta que os casados se amem um ao outro. Têm também de amar o casamento que criaram.

O nosso casamento é uma cultura secreta de hábitos, métodos e sistemas de comunicação. Todos foram criados do zero, a partir do material do eu e do tu originais.
Foram concordados, são desenvolvidos, são revistos, são alterados, esquecidos e discutidos. Mas um casamento feliz com dez anos, tal como um filho de dez anos, tem uma personalidade mais rica e mais bem sustentada, expressa e divertida do que um bebé com um ano de idade.

Eu só vivo desta maneira - que é o nosso casamento - vivendo com a Maria João, da maneira como estamos um com o outro, casados. Nada é exportável. Não há bocados do nosso casamento que eu possa levar comigo, caso ele acabe.

O casamento é um filho carente que dá mais prazer do que trabalho. Dá-se de comer ao bebé mas, felizmente, o organismo do bebé é que faz o trabalho dificílimo, embora automático, de converter essa comida em saúde e crescimento.

Também o casamento precisa de ser alimentado mas faz sozinho o aproveitamento do que lhe damos. Às vezes adoece e tem de ser tratado com cuidados especiais. Às vezes os casamentos têm de ir às urgências. Mas quanto mais crescem, menos emergências há e melhor sabemos lidar com elas.

Se calhar, os casais apaixonados que têm filhos também ganhariam em pensar no primeiro filho que têm como sendo o segundo. O filho mais velho é o casamento deles. É irmão mais velho do que nasce e ajuda a tratar dele. O bebé idealmente é amado e cuidado pela mãe, pelo pai e pelo casamento feliz dos pais.

Se o primeiro filho que nasce é considerado o primeiro, pode apagar o casamento ou substitui-lo. Os pais jovens - os homens e as mulheres - têm de tomar conta de ambos os filhos. Se a mãe está a tratar do filho em carne e osso, o pai, em vez de queixar-se da falta de atenção, deve tratar do mais velho: do casamento deles, mantendo-o romântico e atencioso.

Ao contrário dos outros filhos, o primeiro nunca sai de casa, está sempre lá. Vale a pena tratar dele. Em contrapartida, ao contrário dos outros filhos, desaparece para sempre com a maior das facilidades e as mais pequenas desatenções. O casamento feliz faz parte da família e faz bem a todos os que também fazem parte dela.

Os livros que li dão a ideia de que os casamentos felizes dão muito trabalho. Mas se dão muito trabalho como é que podem ser felizes? Os livros que li vêem o casamento como uma relação entre duas pessoas em que ambas transigem e transaccionam para continuarem juntas sem serem infelizes. Que grande chatice!

Quando vemos o trabalho que os filhos pequenos dão aos pais, parece-nos muito e mal pago, porque não estamos a receber nada em troca. Só vemos a despesa: o miúdo aos berros e a mãe aflita, a desfazer-se em mimos.

É a mesma coisa com os casamentos felizes. Os pais felizes reconhecem o trabalho que os filhos dão mas, regra geral, acham que vale a pena. Isto é, que ficaram a ganhar, por muito que tenham perdido. O que recebem do filho compensa o que lhe deram. E mais: também pensam que fizeram bem ao filho. Sacrificam-se mas sentem-se recompensados.Num casamento feliz, cada um pensa que tem mais a perder do que o outro, caso o casamento desapareça. Sente que, se isso acontecer, fica sem nada. É do amor. Só perdeu o casamento deles, que eles criaram, mas sente que perdeu tudo: ela, o casamento deles e ele próprio, por já não se reconhecer sozinho, por já não saber quem é - ou querer estar com essa pessoa que ele é.
Se o casamento for pensado e vivido como uma troca vantajosa - tu dás-me isto e eu dou-te aquilo e ambos ficamos melhores do que se estivéssemos sozinhos -, até pode ser feliz, mas não é um casamento de amor.

Quando se ama, não se consegue pensar assim. E agora vem a parte em que se percebe que estes conselhos de nada valem - porque quando se ama e se é amado, é fácil ser-se feliz. É uma sorte estar-se casado com a pessoa que se ama, mesmo que ela não nos ame.

Ouvir um casado feliz a falar dos segredos de um casamento feliz é como ouvir um bilionário a explicar como é que se deve tomar conta de uma frota de aviões particulares - quantos e quais se devem comprar e quais as garrafas que se deve ter no bar, para agradar aos convidados.

Dirijo-me então às únicas pessoas que poderão aproveitar os meus conselhos: homens apaixonados pelas mulheres com quem estão casados.

E às mulheres apaixonadas pelos homens com quem estão casadas? Não tenho nada a dizer. Até porque a minha mulher continua a ser um mistério para mim. É um mistério que adoro, mas constitui uma ignorância especulativa quase total.

Assim chego ao primeiro conselho: os homens são homens e as mulheres são mulheres. A mulher pode ser muito amiga, mas não é um gajo. O marido pode ser muito amigo, mas não é uma amiga.
Nos livros profissionais, dizem que a única grande diferença entre homens e mulheres é a maneira como "lidam com o conflito": os homens evitam mais do que as mulheres. Fogem. Recolhem-se, preferem ficar calados.
Por acaso é verdade. Os livros podem ser da treta mas os homens são mais fugidios.
Em vez de lutar contra isso, o marido deve ceder a essa cobardia e recolher-se sempre que a discussão der para o torto. Não pode ser é de repente. Tem de discutir (dizê-las e ouvi-las) um bocadinho antes de fugir.
Não pode é sair de casa ou ir ter com outra pessoa. Deve ficar sozinho, calado, a fumegar e a sofrer. Ele prende-se ali para não dizer coisas más.

As más coisas ditas não se podem desdizer. Ficam ditas. São inesquecíveis. Ou, pior ainda, de se repetirem tanto, banalizam-se. Perdem força e, com essa força, perde-se muito mais.
As zangas passam porque são substituídas pela saudade. No momento da zanga, a solidão protege-nos de nós mesmos e das nossas mulheres. Mas pouco - ou muito - depois, a saudade e a solidão tornam-se insuportáveis e zangamo-nos com a própria zanga. Dantes estávamos apenas magoados. Agora continuamos magoados mas também estamos um bocadinho arrependidos e esperamos que ela também esteja um bocadinho.

Nunca podemos esconder os nossos sentimentos mas podemos esconder-nos até poder mostrá-los com gentileza e mágoa que queira mimo e não proclamação.

Consiste este segredo em esperar que o nosso amor por ela nos puxe e nos conduza. A tempestade passa, fica o orgulho mas, mesmo com o orgulho, lá aparece a saudade e a vontade de estar com ela e, sobretudo, empurrador, o tamanho do amor que lhe temos comparado com as dimensões tacanhas daquela raivinha ou mágoa. Ou comparando o que ganhamos em permanecer ali sozinhos com o que perdemos por não estar com ela.

Mas não se pode condescender ou disfarçar. Para haver respeito, temos de nos fazer respeitar. Tem de ficar tudo dito, exprimido com o devido amuo de parte a parte, até se tornar na conversa abençoada acerca de quem é que gosta menos do outro.Há conflitos irresolúveis que chegam para ginasticar qualquer casal apaixonado sem ter de inventar outros. Assim como o primeiro dever do médico é não fazer mal ao doente, o primeiro cuidado de um casamento feliz é não inventar e acrescentar conflitos desnecessários.
No dia-a-dia, é preciso haver arenas designadas onde possamos marrar uns com os outros à vontade. No nosso caso, é a cozinha. Discutimos cada garfo, cada pitada de sal, cada lugar no frigorífico com desabrida selvajaria.

Carregamos a cozinha de significados substituídos - violentos mas saudáveis e, com um bocadinho de boa vontade, irreconhecíveis. Não sabemos o que representam as cores dos pratos nas discussões que desencadeiam. Alguma coisa má - competitiva, agressiva - há-de ser. Poderíamos saber, se nos déssemos ao trabalho, mas preferimos assim.
A cozinha está encarregada de representar os nossos conflitos profundos, permanentes e, se calhar, irresolúveis. Não interessa. Ela fornece-nos uma solução superficial e temporária - mas altamente satisfatória e renovável. Passando a porta da cozinha para irmos jantar, é como se o diabo tivesse ficado lá dentro.

Outro coliseu de carnificina autorizada, que mesmo os casais que não podem um com o outro têm prazer em frequentar, é o automóvel. Aí representamos, através da comodidade dos mapas e das estradas mesmo ali aos nossos pés, as nossas brigas primais acerca das nossas autonomias, direcções e autoridades para tomar decisões que nos afectam aos dois, blá blá blá.

Vendo bem, os casamentos felizes são muito mais dramáticos, violentos, divertidos e surpreendentes do que os infelizes. Nos casamentos infelizes é que pode haver, mantidas inteligentemente as distâncias, paz e sossego no lar."

:)

Unintended

Thursday, October 07, 2010 | 0 Comments

You could be my unintended
Choice to live my life extended
You could be the one I'll always love
You could be the one who listens to my deepest inquisitions
You could be the one I'll always love

I'll be there as soon as I can
But I'm busy mending broken pieces of the life I had before

First there was the one who challenged
All my dreams and all my balance
She could never be as good as you

You could be my unintended
Choice to live my life extended
You should be the one I'll always love

I'll be there as soon as I can
But I'm busy mending broken pieces of the life I had before

I'll be there as soon as I can
But I'm busy mending broken pieces of the life I had before

Curtas: Cenas com que me identifico :)

Thursday, September 23, 2010 | 0 Comments

A alteridade...
«A mim os fulgores dos seus olhos revelaram-me de súbito que nós, os homens, não pertencemos a uma só espécie, mas a muitas, e que de espécie para espécie há, dentro do género humano, distâncias infranqueáveis, mundos irredutíveis a um termo comum capazes de produzir, se a partir de um deles se olha para o fundo do que lhe opõe, a vertigem do outro.»

Martín Luis Guzman

Sweet Tides

Friday, September 10, 2010 | 0 Comments

Esta noite senti todos os abraços que me deste. Mesmo sonolenta, dei por eles. Dei por cada abraço como quem dá conta de um anjo protector ou de uma brisa suave que roça a pele de mansinho.
Sei que me retiraste o cabelo do rosto, que me cobriste com os lençóis, que me beijaste a face vezes sem conta. E acordei com um sentimento de tranquilidade, como se me tivesse banhado em águas tranquilas toda a noite. Velaste pelo meu sono. Há poucas criaturas no mundo que tenham velado por nós algum dia. Tu velas sempre.

Sweeter than This

Wednesday, September 08, 2010 | 0 Comments

Pézinhos na areia é um restaurante. Mas não é apenas um restaurante.
É sobretudo um local de prazer e beleza. É onde o romantismo mora.
Fica na Praia Verde, em Castro Marim, a seguir a Tavira.
O preço médio por pessoa é de 25€ e lá podem desfrutar de peixe e mariscos deliciosos e de um pôr-do-sol de suster a respiração. O Site é http://www.pezinhosnareia.com/
Marquem sempre reserva. Enjoy!

Loving Days Jukebox

Monday, August 16, 2010 | 0 Comments

Someday we'll find it, the rainbow connection, the lovers, the dreamers and me... :)

Can't wait! :)

Thursday, July 29, 2010 | 0 Comments


SUCKER PUNCH YOUR BEDROOM WALLS

Six character posters for Zack Snyder's first foray into non-adapted storytelling, Sucker Punch, have been unleashed upon us and one look at these babies shows us that we may be dealing with a new cult obsession. 

Next year's Comic-Con will be swarmed with girls done up like Baby Doll, Blondie, Rocket, Sweet Pea, and Amber. 

I'm calling it now.

From what I've read, Sucker Punch is going to be an off the charts freak fest; full of machine guns, musical numbers, giant mechs, and as we can see right here, scantily clad young ladies. 

IMDB says:

A young girl is institutionalized by her wicked stepfather. Retreating to an alternative reality as a coping strategy, she envisions a plan which will help her escape from the facility.

Sucker Punch stars Emily Browning, Abbie Cornish, Jamie Chung, Vanessa Hudgens, Carla Guigno, Jena Malone, and Jon Hamm. 

Check 'em out:

Sucker-Punch-Character-Poster-4.jpgSucker-Punch-Character-Poster.jpgSucker-Punch-Character-Poster-1.jpgSucker-Punch-Character-Poster-5.jpgSucker-Punch-Character-Poster-3.jpgSucker-Punch-Character-Poster-2.jpg



Depois de uma época batida de remakes, sequelas, vampirismo adolescente e muito filme pipoca, eis que surge algo realmente desafiante, inteligente e com tudo o que o bom cinema deveria ser: divertimento, mistério, estímulo intelectual e deslumbramento. O mestre de tal achado chama-se Christopher Nolan, e é a ele que temos que agradecer por essa maravilha chamada Inception.
Este senhor tem vindo a fazer filmes únicos e revolucionários: relembro Memento,  Insomnia, The Prestige e The Dark Knight, enquanto exemplos de inteligência, originalidade e arranque aos paradigmas cliché do cinema.
De novo, com Inception, Nolan consegue o feito extraordinário de nos colocar no limbo, na expectativa constante, no maravilhamento. Põe-nos a sonhar. E este é um filme sobre sonhos e sobre o seu poder na nossa vida consciente. É um filme de questionamento psicológico e filosófico. De como a perda e a morte podem não ser ultrapassadas e  seu poder de aprisionar a nossa mente em labirintos mentais, mesmo a mente mais treinada.
Todo o filme é construído labirinticamente o que, aliado a uma acção vertiginosa e a uma inteligência rara, torna este filme mais uma obra prima a guardar no baú das preciosidades cinematográficas. 
Com um elenco de luxo, com um Leonardo Di Caprio irrepreensível e cada vez mais perfeccionista na sua capacidade de interpretação, Nolan consegue mexer connosco emocional e racionalmente. Simplesmente brilhante. Vão ver. Mais que uma vez!


A ORIGEM (INCEPTION) - Trailer PT
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