Tea Time

Wednesday, August 30, 2006 | 0 Comments


Transcrevo alguns excertos traduzidos das primeiras páginas deste livro. Tudo o resto confio à vossa intimidade.

Teaism é um culto que assenta no encantamento pela beleza envolvente em contraponto aos factos prosaicos sobrevindos na nossa existência diária. Entranha-nos de pureza e harmonia, a prática do entendimento mútuo e a idealidade de uma ordem social conforme.Trata-se essencialmente de um propósito inalcançável, imperfeito, uma vez que é uma tentativa muito delicada de atingir algo possível nesta coisa impossível à qual chamamos vida. (…)
Na nossa linguagem comum costumamos dizer que um homem ´não tem chá´ quando não é sensível aos interesse trágico-cómicos do drama pessoal. (…)
Mas quando pensamos quão minúscula é afinal, a chávena do prazer humano, quão rapidamente transborda de lágrimas, quão facilmente se esgota devido a esta sede insaciável de infinito, não nos podemos culpar por dar tanta importância à chávena do chá. (…)Aqueles que não conseguem sentir a insignificância das coisas grandes nele próprios tendem a ignorar a grandeza das insignificâncias nos outros. O culto do chá é nobre segredo de rir de si mesmo, calma mas profundamente, e isto é a essência do humor – o sorriso da filosofia. (…)Entretanto bebemos um gole de chá. O brilho da tarde ilumina as canas de bambu, as fontes borbulham satisfeitas, o zunido do vento por entre os pinheiros ouve-se na nossa chaleira. Sonhamos pois com a evanescência e contemplemos a leve beleza das coisas."

O Livro do Chá foi escrito em 1906 por Kakuzo Okakura, um japonês que investigou e deu a conhecer as artes tradicionais japonesas, levando-as até à Europa, USA, China e Índia. Foi um forte contributo no desenvolvimento das artes no Japão e consegui um impacto notável em figuras do mundo ocidental tais como o filósofo Martin Heidegger, o poeta Ezra Pound, e especialmente no poeta Rabindranath Tagore e a filantropa Isabella Stewart Gardner, os quais foram seus amigos pessoais.

http://www.sacred-texts.com/bud/tea.htm

Fragilidade

Tuesday, August 29, 2006 | 0 Comments

Talvez pudesse o tempo parar
Quando tudo em nós de precipita
Quando a vida nos desgarra os sentidos
E não espera, ai quem dera

Houvesse um canto pra se ficar
Longe da guerra feroz que nos domina
Se o amor fosse um lugar a salvo
Sem medos, sem fragilidade

Tão bom pudesse o tempo parar
E voltar-se a preencher o vazio
É tão duro aprender que na vida
Nada se repete, nada se promete
E é tudo tão fugaz e tão breve

Tão bom pudesse o tempo parar
E encharcar-me de azul e de longe
Acalmar a raiva aflita da vertigem
Sentir o teu braço e poder ficar

É tudo tão fugaz e tão breve
Como os reflexos da lua no rio
Tudo aquilo que se agarra já fugiu
É tudo tão fugaz e tão breve.

Mafalda Veiga e Luís Represas

5:00 a.m.

Tuesday, August 29, 2006 | 0 Comments

A hora a que tudo dorme e a ainda nem o sol despertou levanto-me deixando para trás o teu corpo adormecido com um beijo solto da testa. É estranho o mundo a estas horas desusadas como se nada fosse igual ao de sempre, mas nada é igual nos nossos dias, nem em nós que dentro deles nos movemos.
A estrada é longa e há um denso nevoeiro cortado por carros velozes. Apresso-me. A ansiedade tem tenazes fortes. Apresso-me mais.
Hoje o dia começou antes do dia.

Hoje é dia de feira!

Saturday, August 26, 2006 | 3 Comments

Avé comecée em Viseu a Feira de São Mateus, a mais antiga das feiras francas que se realiza em Portugal, fundada em 1392. Eu, que não ia à feira desde os tempos em que a minha avó me fazia fatias douradas aos domingos de manhã e me ensinava contas de dividir com dois digitos e os nove fora que era sempre sete ou oito e nunca os tais nove, resolvi ir experimentar mais uma das pitorescas ofertas que esta terra tem para oferecer.
O chão de terra batida de meter inveja a a qualquer picadeiro, luzes de todas as cores e feitios de por a um canto qualquer iluminação natalícia e gente muita gente. Confesso que os 300 e tal stands e expositores com artesanato e outros produtos me surpreenderam pela sua resistência ao passar do tempo, são exactamente os iguais aos que me lembrava de tempos remotos, de tal forma que um arrepiozito de dejávu me subiu pelas costas. Os mesmos assa-chouriços, os mesmos pá e vassoura para a lareira, os mesmos zé-povinhos, os mesmos indios com os seus artefactos feitos e Taiwan e e cd´s de pan pipe. Acho que estes tipos devem ter franshizado o negócio, estão em todo o lado e são iguaizinhos, até o espectáculo ao vivo com a música a passar discretamente por trás, tipo karaoke sem tv à frente, é igualzito parecem goblins.
Passei para a parte dos restaurantes e tasquinhas e posso afiançar-vos més amis (notem que já vou apanhando a pronúncia de cá) que uma bifana ou um pão com chouriço comido aqui entre criancitas a chorar e a levar tabefes, encontrões, fumo da roulotte das farturas a entrar pela porta do pré-e-semi-fabricado dentro e cheiro a homem do campo, pujante que nem um boi, que cavou o dia inteiro, tem outro sabor. É verdade! é ainda mais exótico que as aquelas colchas feitas de retalhos de lã de todas as cores que nos punham na cama quando vinhamos à terra. Note-se que a música berrante do palco do fundo com a Ruth Marlene a berrar em plenos pulmões, seguida do rancho Folclórico da região ajuda a dar um toque ao ambiente.
Do outro lado os carroceis, esses ainda capazes de encantar miúdos e graudos não obstante toda a tecnologia que a eles se vá sobrepondo. O mais pitoresco que descobri, capaz de "emoção e aventura" segundo o rapaz da cabine de t-shirt branca de mangas rasgadas à Hulk Hogan da periferia, foi um barco que oscilva 180%, em alucinante velocidade. A engenhoca da qual saíam gritos estridentes (vá-se lá perceber porque é que o pessoal paga para sofrer quando há formas tão simples e gratuítas) fazia um grunhido de engrenagem semelhante a chicotes a zubir o que combinado com a gritaria criava a estranhada e,confesso, arrepiente sensação de estarmos perante um inferno cheio de alminhas a serem torturadas. Isto perante a pacata barraquita do algodão doce com música de caixa de brinquedos. Isto do universo popular tem a sua mística própria, c'ést vrai! E entre um "ó freguesa venha veri, hoje tá pá arrebentari, é quase dado filha!" dito de um só fôlego e um "Attendre! Attendre! óh puto dum c.... está quieto" este é o sabor das feiras e das gentes, castiças, brutas e generosas como em nenhum outro lado.

Hard balance

Friday, August 25, 2006 | 0 Comments

I felt discouraged
felt like my will is worthless
Lonely scared and nervous
In a life without no purpose
Hands start freezin'
what's the reason?

They say i'm a damaged good
supose I'd be better if I could
Cried out for a friend
but love is just an illusion
a mith,
another trend.

Changes

Thursday, August 24, 2006 | 0 Comments

http://www.youtube.com/watch?v=A6i1ywioIm0

I feel unhappy
I feel so sad
I lost the best friend
That I ever had
She was my woman
I loved her so
But it's too late now
I've let her go
I'm going through changes
I'm going through changes
We shared the years
We shared each day
In love together
We found a way
But soon the world
Had its evil way
My heart was blinded
Love went astray
I'm going through changes
I'm going through changes
It took so long
To realize
That I can still hear
Her last goodbyes
Now all my days
Are filled with tears
Wish I could go back
And change these years
I'm going through changes
I'm going through changes

Ozzy Osbourne

Ansiedade

Thursday, August 24, 2006 | 1 Comments


Tic Tac
Tic Tac
o tempo presente
corpo dormente
a dor que trespassa
Tic Tac
Tic Tac
sorrir no vazio
arriscar e perder
caminhar dentro do frio
fechar os olhos
desvanecer
Tic Tac
Tic Tac
a queda
o voo
a lama
a nudez crua
ausência
a minha a tua
Tic Tac
Tic Tac
a hora
o punhal
a chama
o rio que arrasta
o silencio
a força que não basta
Tic Tac
Tic Tac
passividade
gritar
contorcer
agressividade
outra vez revolver
Tic Tac
Tic Tac
correr sem sair do lugar
estar preso sem estar
ter ar e sufocar
partir e nunca chegar
a hora com gume
faca afiada
querer tudo
nao alcançar nada
e de tanto tentar
de ser
de esperar
de sonhar
de escrever
de desesperar
de acreditar
de crer
assim o rumo mudou
sem querer saber idade
consumida pela ansiedade
o coração parou

Dance with me

Wednesday, August 23, 2006 | 0 Comments

Marc Collin and Olivier Libaux, uma dupla francesa que convidou sete cantoras para regravar clássicos do final dos anos 70 e início dos anos 80 ao som de ritmos totalmente Bossa Nova. Entre as regravações têm Joy Division, Depeche Mode, The Clash, The Cure, Dead Kennedys, The Undertones entre outros. É interessante lembrar que essa mesma dupla estava por trás do ''Volga Select''.As sete cantoras convidadas são Camille Dalmais, Sir Alex, Alice, Melanie Pain, Silja, Daniela D'Ambrosio e Marina Celeste. O resultado é simplesmente delicioso!


Let's dance little stranger
Show me secret sins
Love can be like bondage
Seduce me once again

Burning like an angel
Who has heaven in reprieve
Burning like the voodoo man
With devils on his sleeve

Won't you dance with me
In my world of fantasy
Won't you dance with me
Ritual fertility

Like an apparition
You don't seem real at all
Like a premonition
Of curses on my soul

The way I want to love you
Well it could be against the law
I've seen you in a thousand minds
You've made the angels fall

Won't you dance with me
In my world of fantasy
Won't you dance with me
Ritual fertility

Come on little stranger
There's only one last dance
Soon the music's over
Let's give it one more chance

Won't you dance with me
In my world of fantasy
Won't you dance with me
Ritual fertility

Take a chance with me
In my world of fantasy
Won't you dance with me
Ritual fertility

Contracção

Wednesday, August 23, 2006 | 0 Comments

Contraio os musculos a cada passo
a cada respirar profundo
a boca seca, o olhar sem fundo
trincar pó sabor a cansaço
o tempo desfaz-se na aresta
do espaço.

Mãos abertas contra costas voltadas
sorriso ténue a arrombar portas fechadas
Suspensa na curva da noite
à deriva no pensamento
toda a esperança vale quase nada
apenas do caminho me alimento.

Contraio os musculos
agora que a força nao chega para andar
cerro os dentes,
grito para nao chorar
resistir para nao me deixar vencer
se eu falhar como to poderei dizer?
no lugar da vontade apenas obstinação
que esta luta ferroz nao seja em vão....

Here

Monday, August 21, 2006 | 1 Comments

Here I stand
throught day, night
wind and dust,
Here I write
because in you I trust.

I have no wings to reach the sky
but in the streets my feets aren' t shy
The city is a word to discover
people in every window
abband houses to recover
foreign faces passing by
so many things to try
turists asking for a postcard
emigrants who's lifes are hard
tiny restaurants promissing delights
posters of labers claiming their rights

Here I found out the summer rain
the humble people and silent pain
Mountains, founts, wonder everywhere
nothing matter if you can't share

I hope see you soon
under sun or full moon
I'm tired of running away
here is just another day
and take a wild guess
my life is the same mess
can I stop can I be ok?
will be always the same way?

Here where I stand
I' m trying to be free
I'm trying to succed
I'm trying being me
as weell I have you my friend
I'll ever believe in a happy end
Here or wherever I'll be
please stand next to me.

Waiting

Saturday, August 19, 2006 | 1 Comments

I'm laying in the darkness,
I cannot fall asleep.
I wish for a call or beep.
I wake up early in then morning.
I crossed every road every street.
I just stopped when I couldn't stand on my feet.

I can't stop now, if you depend on my will.
I cry very quiet laying very still.
I have no ideias I'm so blue.
I don't know what to do.
No keys turning, nobody coming in the door.
No footsteps on the floor.

I went out for a walk,
for fresh air and moonlight
I have no friends for a talk.
I'm a foreigner crossing the night.
In my head a huge fight
drowning in so many things to say
about about what I did today.

I'm laying in the darkness,
I cannot fall asleep.
I wish for a call or beep.
I feeling odd, kind of sick, so fragil, so small.
I wish that someone notice, someone give me call.
The only ringing is the sound of my heart.
I do everything I can
and even do wherever I go
it seems I can't do my part.

anoitece

Thursday, August 17, 2006 | 1 Comments

anoitece.os cães uivam como lobos. as pessoas desaparecem das ruas. chove. o frio repassa o ossos mais rijos. a casa dorme. pego nas chaves.trinco uma maçã. a ultima. engulo a custo.hoje doi-me mais a garganta. o médico supõe amigdalite. eu sei que é apenas da raridade que é dedilhar as cordas vocais. doi-me o peito do cansaço que é respirar. é como se alguém se tivesse esquecido de um saco de pedras duras aqui. esta calma é um mar de sargaço. ajeito a camisa como que a suster o calor. fecho os olhos que fervem. inspiro. saio para a rua à procura do cheiro a gente viva. à procura da noite acessa nos cafés e nas montras. à procura de palavras acostumadas a bocas.

Cobertor quente II

Wednesday, August 16, 2006 | 0 Comments

Foi para aquecer as tuas mãos
que me despi
foi para fazer do meu corpo novo chão
que morri
foram tantas as vezes que falhei
mais ainda os caminhos que nem tentei
Eram tantas as palavras a nascer
e a boca tão pequena para as conter
E assim andei para trás na memória
aqui parei a contar-te uma história...

acordei com as bategas fortes da chuva na vidraça e com o frio a entrar junto as costas,num corredor estreito entre a t-shirt e a toalha de praia. é agosto e chove com a força de dezembro. ainda ontem mastigava o fumo dos fogos e o calor como uma mortalha. o tempo é incerto como os dias. a casa é grande e silenciosa como um grande elefante adormecido. lavei a cara com agua fria a cortar-me os dedos. vesti uma roupa leve. trinquei uma maçã. li. peguei numa caneta e escrevi um postal. tenho um vicio por esses artecfactos que nos ficam e nos recebem como braços.escrevi um breve comentário de passagem a recordar uma açorda quente partilhada a beira de um mar nocturo escondido do olhar mas imenso ali entre nós. abri a internet que é como quem diz que pega no megafone e se anuncia em alarido. procurei a torneira do gaz e deixei o esquentador engasgar-se com o inesperado trabalhar do estomago desacostumado. todos os triunfos sao grandes quando se está assim em estranhas terras. a agua quente fumegou e eu sorri. saí a pé. dei a volta ao largo.sentei-me tímida no café perante os olhares inquisidores. estendi o meu melhor sorriso como quem estende uma passadeira vermelha e pedi um galao e um croissant quente de chocolate. comi a ver uma novela estranha que me fez lembrar pinnypons esquizofrénicos,uma tal floribela que deixa miudos e graudos com o mesmo olhar pasmo das vacas nos prados. paguei e perguntei onde podia colocar o anuncio. foi o primeiro de muitos que espalhei e que a cidade viu nascer como cogumelos nas vitrines. passei por todas as ruas. as gotas grossas a escorrerem pelo rosto. a camisa preta colada a pele. o cheiro a bolos no ar a misturar-se com os dos queijos. gente muita gente de chapeu de chuva aberto. uma confusao de linguas misturada exoticamente na massa de bola doce. postais. mais postais. aqui é bem fácil fazer chegar aí este pedaço de terra e passado. escolho um que fala de um arco de cavaleiros por achar que nós somos meio artureanos na nossa audácia, no nosso arrojo e na maneira como lutamos ao lado e por aqueles que amamos.precisei de ti ali comigo rua de calçada acima no recorte da pedra desta babel improvisada por isso liguei-te e deixei que a tua voz escreve por mim as palavras a selar rapidinho para sair as 18h.há aqui muitas rotundas como se os homens revolvessem sobre si antes de escolher direcção. a camisa começa a empapar nas mangas e torna-se desconfortavel sentar na cadeira, por isso espraio-me em todos os balcões meio perdida em pensamentos forçando-me a sorrir sempre, a falar, a perguntar, a entregar de mão em mão a minha fragilidade. de que matéria seremos feitos, se de matéria tão diferentes somos. paro numa florista está lá a familia inteira. o rapaz moreno de olhos verdes fato preto pouco adequado ao seu corpo esguio conta-me a historia do seu patrão anterior que tinha sido agente imobiliário. o pai e a mae lamentam nao poder mudar de casa para me ajudar. falamos numa simpatia e familiaridade desusada entre estranhos. saio para a chuva. o rapaz moreno de olhos verdes segue-me e para-me diz que quer apenas saber o meu nome, respondo-lhe com vontade de lhe dar um nome lustroso e cantante, mas dou apenas o meu que já de tão usado quase nem corpo tem e do pouco corpo que lhe resta ainda o sovo para que seja capaz de ter sombra e hálito nas bocas dos que o balbuciam. ligo o calor no máximo assim que chego ao carro. oiço um cd que trouxe aí de casa e me acalma por dentro e me aquece e de repente robustas e viçosas como mulheres beirãs as memórias vão chegando espessas como chavenas de chocolate quente a fumegar à lareira. navego pelas estradas transbordantes sem destino, apenas experimentando aquele sem fim de saídas de rotundas e de placas indicando outras direcções. nunca percebi porque é que me perco sempre se querendo outras direcções aquelas nunca servem. estaciono. há um miado familiar que me segreda que é a morada certa. entro. pego ao colo no meu gato e deixo-o ronronar junto ao peito.ponho a água do banho a correr quente. tão quente que quase me deixo queimar para sentir de novo as pontas dos dedos. passo pelo pc à procura de um calor que encha como a maré cheia invade as praias. tenho a sensação que deixaste aberta uma página do teu diário aqui. sorrio por o teres deixado. gostava que me tivesses contado algo que eu fosse capaz de partilhar e não de hoje onde o tempo me excluiu de pertencer a toda a parte. dei por mim a desejar que tivesses escrito algo que eu provavelmente teria escrito e foi nesse instante que fiquei feliz por teres escrito apenas fosse o que fosse era essa a tua dádiva a minha foi ter desfeito um bocadinho de imperfeição.
Já te disse que o título me lembra Calvin & Hobbes?

Cobertor Quente

Wednesday, August 16, 2006 | 0 Comments

Neste dia de chuva de Agosto (soa propositadamente contraditório) pediram-me uma "coisa quentinha". Passei o dia com frio, apanhei umas pingas no caminho e por mais chá verde esfumaçante que tivesse entre as mãos, custou a arrancar esta sensação de arrepio do corpo que me cobria da cabeça aos pés. Mas lá consegui. Abri os ombros, enchi o peito, tirei o casaco e lá me coloquei em busca desses envelopes mágicos que sei que tenho guardados algures. Abri um caderninho antigo que mudei para o escritório quando mudei de empresa. Vasculhei, abri e fechei as gavetas da memória e de vez em quando lá espreitava um pensamento mais morninho. Recordei sons e cheiros de quando era muito pequena. Sei que ainda não andava na escola. Olha o parapeito do rés-do-chão da D. Laurinda onde ela me deixava fazer bolinhas com detergente que colocava cuidadosamente numa tigela e um arozinho de plástico. E o pequeno "Lord", cãozinho rafeiro mas simpático que abanava sempre muito a cauda, à espera de guloseimas. Lembro-me do calor a entrar pela janela e do final de tarde a cheirar a campo e a florinhas amarelas. Lembro-me do cheiro do tempero que colocava nos bifes e da calma que empregava em tudo o que fazia.
Aos domingos levantava-me muito cedo e deslizava de pézinhos descalços pelo corredor até ao quarto dos meus pais e a minha mãe segredava baixinho " O pai está muito cansado (ele fazia turnos e acumulava vários "trabalhos") e precisa de dormir mais um bocadinho". Levantava os lencóis com várias camadas de cobertores macios e pesados e deixava-me dormir ali um bocadinho no meio deles. Lembro-me que às vezes não dormia, ficava simplesmente ali, como se fosse o último refúgio de tranquilidade no planeta.
Por vezes acordava muito cedo e ficava em silêncio a fazer legos na sala. Tinha todo o tempo do mundo e podia construir tudo antes de todos acordarem. Também gostava de desenhar. Adorava quando me ofereciam lápis e canetas novos. Embora soubesse que as cores eram as mesmas, um conjunto novo de lápis de côr sempre exerceu um grande fascínio em mim. Ainda continua a fazer. Vá-se lá explicar porquê. Material de papelaria novo, sejam lápis, canetas, papeis ou blocos, sempre exerceram em mim o efeito de "mundo novinho em folha" a descobrir.
Uma folha nova para começar tudo, um desenho para modificar e dar nova vida. Assim continua a ser. Acabei de almoçar e estivemos à conversa de como iriamos re-organizar o escritório/biblioteca lá de casa e conciliar com isso todos os instrumentos de música e os meus quadros e respectivo material de pintura. Os livros, as estantes, o cheiro das tintas, o pó do pastel, as telas. A bateria, as guitarras, os sintetizadores. As coisas que têm a nossa história dentro. E tudo isto porque abri um caderno antigo e uns postalinhos que vou coleccionando daqueles que me querem bem. Gosto de ter isso tudo perto de mim, seja em casa ou na empresa. Lembram-me quem sou e de quem gosto para além das convenções, diplomacias e reuniões de blazer e saia a condizer.
São como cobertores quentinhos que aquecem por dentro, que evocam serões calmos com lenha a crepitar, a mantinha no colo, a cabeça enroscada no teu ombro, as palavras derramadas em riso morno.

Partir

Sunday, August 13, 2006 | 0 Comments

Partir,
fazer as malas
acontecer, ferir.

Partir,
descoberta,
porta estreita,
estrada incerta.

Partir,
loucura,
desagravo,
vida dura,
olhar escravo.

Partir,
não deixar nada,
nem casa
nem gente
nem lugar quente
ou sorriso à chegada.

Partir
procurar,
abrir asas,
tentar o vento,
cair,
recomeçar
escritas rasas
afogar pensamento.

Metamorfose

Saturday, August 12, 2006 | 0 Comments

Lentamente o metal arrefece sobre a pele
armadura fina de gelo
distância calculada em cada gesto
que se corta à nascença
impossível amar, apenas resto.

A voracidade dilacerante
a fome maior que todas as fomes
o vazio maior que todos os vazios
na espuma dos dias
que rebenta no peito.
E tentar e nunca lá chegar
e fugir sem sequer partir
por dentro um deserto
a boca gretada de vomitar areia
o corpo a tremer pela convulsão dos pesadelos
pelo rasgar desta fimbria de aço
dos estilhaços que abrem aljavas no lugar de bolsos
olhar de betume negro
como os bélicos céus em fogo.

Carla Bruni - Quelqu'un m'a dit

Friday, August 11, 2006 | 0 Comments



On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses.
On me dit que le temps qui glisse est un salaud
Que de nos chagrins il s'en fait des manteaux
Pourtant quelqu'un m'a dit...

{Refrain:}
Que tu m'aimais encore,
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore.
Serais ce possible alors ?

On me dit que le destin se moque bien de nous
Qu'il ne nous donne rien et qu'il nous promet tout
Parait qu'le bonheur est à portée de main,
Alors on tend la main et on se retrouve fou
Pourtant quelqu'un m'a dit ...

{au refrain}

Mais qui est ce qui m'a dit que toujours tu m'aimais?
Je ne me souviens plus c'était tard dans la nuit,
J'entend encore la voix, mais je ne vois plus les traits
"Il vous aime, c'est secret, lui dites pas que j'vous l'ai dit"
Tu vois quelqu'un m'a dit...

Que tu m'aimais encore, me l'a t'on vraiment dit...
Que tu m'aimais encore, serais ce possible alors ?

On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses
On me dit que le temps qui glisse est un salaud
Que de nos tristesses il s'en fait des manteaux,
Pourtant quelqu'un m'a dit que...

{au refrain}

Piquenicar

Friday, August 11, 2006 | 1 Comments

A hora de almoço é por si uma hora de calma e paragem. Um corte para carregar baterias e depois voltar ao trabalho. Mas o tempo é sempre tempo e escoa como areia, por isso fartas do roboliço do "ó menina, xaxavor!", do "psst psst" repedido à exaustão e culminado de uma bela canelada-toma-que-ja-andaste-tou-aqui-à-meia-hora-a-esbracejar! Resolvemos arrumar trouxa e aviar farnel e ir estrada fora até à beira rio. Não sei se é a nossa costela romani, se são os calores do verão se somos simplesmente duas moçoilas malucas, mas soube tão bem que repetimos. É verdade e garanto-vos que temos uma boa meia centena de testemunhas entre formigas, abelhas e moscas como qualquer bom piquenique. A comida é simples, sempre de improviso. Por mesa o mesmo que as cadeiras: relva. os pés descalços irrequietos com vontade própria de dançar e se estrear em arrojadas travesias. Assunto é o que se queira, até mesmo não haver assunto. Apenas um apontar de dedo ( e queremos lá saber se é feio) aos pormenores que nos acordam como um rádio a passar uma melodia desconhecida. Pois é, e assim vos desafiamos a se juntarem a nós, no banco de jardim mais próximo, na praia, num miradouro, num terraço, num qualquer espaço de evasão... levem alguém convosco e contém-nos o que sentiram. Partilhem e venham cá plantar uma florzinha no nosso jardim. Ficamos à espera. Florejos, borbolejos e outros solfejos.

Impregno-me de ti

Friday, August 11, 2006 | 0 Comments

impregno-me de ti
como se fosses brisa ou perfume
como quem veste a pele de seda e vestidos longos
como se fossemos muitos enlaces
asas delicadas suspensas por laços
abraços fitas ou fio transparente
assim suspenso tenuemente

Delicada como a manhã cristalina
assim me acordas com patinha felina
em pétalas de rosa e jasmim brilhando
uma prenda nas mãos brancas de menina vestida de lumes
incandescendo incandescente
sorrindo como se fosse para sempre.

Assim te recordo qual princesa
embrulhada em véus de estrela e brocado
encantada a voz os gestos e o sonho que te trago
feiticeira que meus cabelos entrança
e quando me toca o coração eu abro

caixinha de música
dentro
com bailarina que dança

Mylene Farmer & Seal - Les mots

Thursday, August 10, 2006 | 0 Comments



Mylene Farmer e Seal fazem um dueto arrebatador. A letra e a melodia são sublimes.
O vídeo é de uma beleza desarmante.

Fixement, le ciel se tord
Quand la bouche engendre un mot
Là, je donnerais ma vie pour t'entendre
Te dire les mots les plus tendres

When all becomes all alone
I'd break my life for a song
And two lives, that's to tomorrow's smile
I know, I will say goodbye
But a fraction of this life
I will give anything, anytime

L'univers a ses mystères
Les mots sont nos vies
We could kill a life with words
Soul, how would it feel
Si nos vies sont si fragiles
Words are mysteries

Les mots, les sentiments
Les mots d'amour, un temple
If I swept the world away
What could touch the universe
I would tell you how the sun rose high
We could with a word become one

Et pour tous ces mots qui blessent
Il y a ceux qui nous caressent
Qui illuminent, qui touchent l'infini
Même si le néant existe

For a fraction on this life
I will give anything, anytime
L'univers a ses mystères
Les mots sont nos vies

We could kill a life with words
Soul, how would it feel
Si nos vies sont si fragiles
Words are mysteries
Les mots, les sentiments
Les mots d'amour, un temple


Em taxa de catitividade, este lindissimo vídeo da Mylene Farmer bate tudo: ela faz um dos strips mais doces e sensuais que já assisti.
Deve ser crime mas sejam meus cúmplices e deleitem-se com esta líndissima princesa da música francesa. Nem ponho a letra para não se distrairem.

Choices...

Wednesday, August 09, 2006 | 0 Comments


How can I stay....
How can I go?

Strings III

Wednesday, August 09, 2006 | 0 Comments



Já é o terceiro post eu sei. Mas desta vez sem mais palavras e de cortar a respiração.

Ontem fomos ver Romance & Cigarettes e confesso que nem só de espanto e riso se encheu a sala. Com o elenco majestoso de James Gandolfini, Susan Sarandon, Kate Winslet, Steve Buscemi, Mandy Moore, Bobby Cannavale, Mary-Louise Parker, Aida Turturro, Eddie Izzard e o inimitável Christopher Walken, sob a batuta de Jonh Turturro e co-produção de Jonh Penotti, assistimos a um musical negro, uma verdadeira tragicomédia da vida contemporânea americana, um reflexo do amor, da sexualidade, e do caminho de um homem pela mortalidade e pela redenção, com uma banda sonora de luxo e tão variada como James Brown, Janis Joplin, Nick Cave, Tom Jones ou Bruce Springsteen.
Com tanto de perplexo como de comovente, é um filme que nos enche por dentro, com uma fotografia e um universo visual de uma originalidade sublime, tão própria dos Coen Brothers.
Em ROMANCE & CIGARETTES, Turturro cria um argumento intenso, hilariante e kitsh. Ele próprio descreve o filme como um "musical selvagem": "When the characters can no longer express themselves in words, they break into song, lip-synching the tunes that are lodged in their subconscious. It is their way to escape the reality of their world: to dream, to remember, to connect to another human being" diz Turturro.
Os diálogos têm tanto de acutilante como de picante, com verdadeiras pérolas expressivas que guardo para quem se aventurar a ver esta negra comédia musical.
A não perder.

For you my friends...

Wednesday, August 09, 2006 | 0 Comments

Some people think there are many categories of friendship
There are casual, bad and good friends they say
But for me a friend is just the one who stay.
What will our life be if they go away?
Without their gentle hand telling you the way?
My friends are closer to me than familyIf I happen to fall,
They will be there to give me a call.

Friends who can turn release you from your fears
Friends who can dry your tears
Friends to give you a honest advice
Friends will never abandon you twice.
Fluffy friend, so soft to hold
Cuddly friend, when I am cold
Leaping friend, wow, you jump high
Funny friend, you almost fly.

Is your brother or sister your best friend?
I mean the friend who always assists you
To solve difficult personal problems
Is your father or mother your best friend?
I mean the friend you feel safe to keep secrets
the friend you can tell anything
For all your private thoughts and the most shy
For all your ups and downs, smiles and frowns
For popcorns and ice cream, to tea and vegetables pie.
A friend calls you when there is wind on the beach
Calls you to when there is something new to reach
Calls you to when there is a beautiful dress on the mall
Calls you for no reason at all.

I don’t know how to put it on words unless,
You could see in my eyes my happiness
Whoever may be your friends are, remember that
It’s the most precious treasure you can get.

Candy

Tuesday, August 08, 2006 | 0 Comments

Baseado no best-seller de Luke Davies, realizado por Neil Armfield, é um impressionante retrato sobre o amor que conta a história de Candace (Abbie Cornish) e Dan, Danny boy, (Heath Ledger), um casal de adolescentes tecido na fragilidade de uma vida entre o real e o induzido pela heróina, a espiral de desespero, emoções, perdas, escolhas de uma vida intensa, levada ao limite.
Esta é uma história que nos arranca por dentro a inocência e nos incomoda, doce como todos os amantes, decadente como só o mundo da droga é capaz, nada em nós fica igual depois deste carrossel feito de loucura e desejo.




http://www.dendyfilms.com.au/candy/

Windmills of Your Mind

Monday, August 07, 2006 | 1 Comments

Round, like a circle in a spiral
Like a wheel within a wheel.
Never ending or beginning,
On an ever spinning wheel

Like a snowball down a mountain
Or a carnaval balloon
Like a carousell that's turning
Running rings around the moon
Like a clock whose hands are sweeping
Past the minutes on it's face
And the world is like an apple
Whirling silently in space
Like the circles that you find
In the windmills of your mind
Like a tunnel that you follow
To a tunnel of it's own
Down a hollow to a cavern
Where the sun has never shone
Like a door that keeps revolving
In a half forgotten dream
Or the ripples from a pebble
Someone tosses in a stream.

Like a clock whose hands are sweeping
Past the minutes on it's face
And the world is like an apple
Whirling silently in space
Like the circles that you find
In the windmills of your mind

Keys that jingle in your pocket
Words that jangle your head
Why did summer go so quickly
Was it something that I said
Lovers walking allong the shore,
Leave their footprints in the sand
Was the sound of distant drumming
Just the fingers of your hand
Pictures hanging in a hallway
And a fragment of this song
Half remembered names and faces
But to whom do they belong
When you knew that it was over
Were you suddenly aware
That the autumn leaves were turning
To the color of her hair

Like a circle in a spiral
Like a wheel within a wheel
Never ending or beginning,
On an ever spinning wheel
As the images unwind

Like the circle that you find
In the windmills of your mind
Pictures hanging in a hallway
And the fragment of this song
Half remembered names and faces
But to whom do they belong
When you knew that it was over
Were you suddenly aware
That the autumn leaves were turning
To the color of her hair

Like a circle in a spiral
Like a wheel within a wheel
Never ending or beginning,
On an ever spinning wheel
As the images unwind
Like the circles that you find
In the windmills of your mind
The noon is hot, and the wind is still
against this sleep only my will
So I write to you,
just to say, as an ordinary day
I miss you...

I Just left this here so you’d know
I still think of you from time to time
And I miss the last week
When we could talk
About anything, our thoughts,
The way we grow.

I Just left this here so you’d know
You have been a friend to me
A sweeter soul, there will never be
I talk to you and my world is all right
Your kindness brings me sweet delight
You hold me up, you make me fly
You comfort me so I won't cry
You fill me up with self-esteem
You truly are a fairy queen
I want to stay always beside you
If you need a shoulder, remember I have two
I shall forever be your friend
Your luminiscent angel till the faiding end

Letters to the wind....

Friday, August 04, 2006 | 1 Comments

To you I write, my love,
because I'm fealing so lonely
Left with and empty heart only.
Here I am wondering what will I be tomorrow
Trying to write my path of no sorrow.
I have been happy, tho' in a dream.
I have not understood and I love the theme:
Dreams! in their vivid coloring of life,
As in that fleeting, shadowy, misty strife
Of semblance with reality, which brings
To the beautifull blue sky, wide open wings
A Paradise of Hope and all our own!
Than the rush of youth, just wants an arms to call home. That I known.
O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada
-Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos

My life...

Wednesday, August 02, 2006 | 0 Comments

Klimt, o homem e o filme

Tuesday, August 01, 2006 | 0 Comments

Gustav Klimt nasceu em 14 Julho de 1862, em Baumgarten, perto de Viena. Mas o ano pouco importa na definição de um homem à frente do seu tempo.
O filme , realizado por Raoul Ruiz, passa-se em 1900, entre a romântica e revolucionária Paris e a conservadora Viena
onde Klimt é encarado como um provocador, e a sua pintura erótica é considerada degradante.
O artista vive a vida como a pinta, entre modelos e musas. Uma vida boémia de relações apaixonadas com as mulheres na busca eterna da perfeição e do amor que se reflecte-se em todas as suas obras e constrói um estilo muito sexualizado e exuberante, onde se revelam elementos característicos da Arte Nova. Os seus personagens parecem flutuar como figuras leves e etéreas de um sonho, da mesma forma assim o filme se desenrola.
Numa época em que a arte floral estava na moda, Klimt inovava no exotismo e cambiantes. Nada era convencional e o filme, segue essa vida vertiginosa, quase alucinante, decomponto a narrativa em blocos, em fragmentos modulares uns pacificos, outros estilizados ao histerismo, procurando retratar a própria personalidade do pintor.
Retratando um mundo marcado pelo florescimento de uma nova visão do corpo, da mulher e da própria sexualidade, o filme cria uma alegoria da vida do pintor com o mesmo caracter efusivo e experimentalista que afoi a vida do homem.
Não esperem um filme fácil, o feio, por ser útil, por nos incomodar e fazer pensar, é belo.

http://www.klimtderfilm.at/
http://www.ocaiw.com/catalog/index.php?lang=pt&catalog=pitt&author=472

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Mei and Arawn