A côr do Medo

Tuesday, December 30, 2008 | 4 Comments

Ontem a coisa não correu bem... 
Três marmanjos com aspirações de masculinidade labrega decidiram (se é que animais podem decidir alguma coisa) estragar-me o dia. Ainda não regressei de todo a mim. Até porque ficaram lascas do orgulho altivo desta vossa amiga na calçada enlameada da rua e as nódoas negras que mais me doem não se veêm a olho nu.
Mas fiquei com vontade de frequentar um desses cursos de defesa pessoal. Não que pudesse ter feito alguma coisa se o tivesse. Mas pronto, era reconfortante.
Não queriam assaltar-me. Queriam brincar, como um gato brinca com um rato. Empurrão para este, empurrão para o outro. E para o outro. Zonza. Meio enojada pelo cheiro do suor, das roupas, do hálito demasiado próximo. E porque é que estes jagunços têm sempre de cheirar tão mal? Há assim uma relação tão directa entre a propensão para a violência e a falta de higiene pessoal?
Até já fui assaltada muitas vezes em adolescente. Não é novidade para mim. Mas foi diferente.
Perguntaram-me pela côr dos meliantes... A côr do medo não era negra. Não era cigana. Não era romena. Era simplesmente igual à minha. Mas brutal, ignorante, estúpida. Cobarde. 
Ficaram os sons a ecoar na memória: "olha que é bem girinha!" "Pois, nunca tinha tocado numa gaja assim tão gira, men!"... até parece elogioso right? Deixem-me recordar-vos, seus troglóditas de meio neurónio, que só puseram as manápulas aqui na je à força!
Não percebo. É que não percebo mesmo. O acaso da coisa, a sua total irracionalidade não deixa de ser assustadora. Mas... "podia ter sido pior", disse-me alguém. Pois podia. Mas ainda assim foi suficientemente mau. Chegou por um dia.
Escrevo isto apenas para expurgar, para que me largue. Para arrumar em algum lado onde me possa esquecer e continuar a passar naquela rua sem medo. Porque o medo só corrói quem com ele vive. E eu não vivo assim. 
E não, não chorei.
Ainda, pelo menos.
Não sei se é coisa boa ou não.

4 comentários:

Lita said...

Horrível, essa história. Degradante, o quanto os seres humanos podem ser tão pouco humanos...´
... um abraço... e que bom que estás bem, ainda que somente por fora! :)

Sayuri said...

Há gente muito estúpida e perigosa nas ruas, e cruzamo-nos com esta gente todos os dias!...

Um beijinho, e força. Dá-lhe a volta!

Mei said...

Obrigada lindas. Já passou ;)
I'll survive :D
Bijufinhas :*

anysilva said...

Então maninha não disseste nada nada aqui à je???Podias ter desabafado comigo!!mas eu percebo...é muito revoltante!... é incrivel o quanto os seres humanos cada vez são mais parecidos com animais!Mas já nada me admira... no ano passado quando fui uma vez visitar a mãe, de comboio, na estação de Barcarena aconteceu-me uma situação semelhante e deveras desagradável...já nem fui nesse dia visitar a mãe, nem ninguém...regressei apenas a casa...revoltada e com vontade de fazer nem sei bem o quê...porque é tão revoltante esse sentimento de impotência!...Mas...como dizem as pessoas "podia ter sido pior!Pois podia... mas já bastou por um dia!... e também para deixares aqui a maninha um pouco assustada e preocupada cntg!!Mas já passou ...E sim não devemos nunca viver com medo pois o medo só corrói quem com ele vive ... e tu nem eu nem niguém deve viver assim...Eu também não chorei...na altura...como tu fiquei sem reacção...é uma sensação de impotência e de raiva!Um beijinho e força! dá-lhes com força! Já PASSOU...ADORO-TE MANINHA QUERIDA

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