Como era, como é

Wednesday, April 01, 2009 | 2 Comments


Forehead

Finalmente lá vou conseguir responder ao desafio do Afternoon Delights:

1. Noutros tempos, andava muito a pé e sabia os horários de todos os autocarros, eléctricos e comboios de cor. Agora fico perdida se tenho de me desenrascar um dia sem carro.

2. Noutros tempos acreditava em tudo, tudinho mesmo que me diziam. Agora já sou um bocadinho (não muito) desconfiada.

3. Antes comprava o jornal, normalmente o "Público" e ia uma hora mais cedo para o trabalho para poder lê-lo enquanto tomava o pequeno-almoço. Agora acordo às 4:30 da manhã e leio as principais notícias no meu Iphone.

4. Antes ia muito a bibliotecas e consultava muitos dicionários. Agora googlo tudo. Ainda vou a bibliotecas porque gosto do cheiro dos livros antigos, da calma que se respira e das histórias dos bibliotecários.

5. Antes escrevia pouco e lia muito. Agora escrevo mais, blogo, para ser mais exacta. Blogar tornou-se um momento de introspecção e ao mesmo tempo de libertação diária, verdadeira purga dos sentimentos condensados do dia.

6. Dizia a tradição que o Domingo é o dia do descanso. Agora trabalho aos domingos, aos sábados e a todos os dias da semana. Damn!

7. Antes ver um programa nobre na TV era "No interruptions - No commercials!" E hoje é a vergonha que se sabe!

8. Antes comiamos todos juntos na mesa da cozinha, agora cada um tem o seu tabuleiro e tecla no messenger à hora de almoço ou do jantar com amigos e familiares, porque é a única forma de ir mantendo o contacto.

9. Em tempos idos os mais velhos da família cuidavam dos mais novos e tinham uns dinheirinhos guardados para qualquer necessidade, sobretudo para a sua velhice. Agora damos emprego aos pais e andamos preocupados com a sua subsistência quando era suposto estarem a sopas e descanso.

10. Antes saía-se de casa dos pais aos 20's e agora nem aos 30's conseguem pôr a filharada a milhas e a viver de forma independente. Nós ainda fomos dessa fornada que aos 20 estavam a fazer pela vidinha sozinhos e a viver aventuras longe das asas da mamã.

11. Agora temos ginásios, personal trainers, nutricionistas, psicólogos e terapeutas para todas as maleitas do corpo e da alma e ainda andamos às cabeçadas para saber quem somos e o que queremos ser. Problema: demasiado "eu". Antes a integração familiar e fortes laços da rede interpessoal mais próxima resolviam a maior parte dos problemas. Nada como um mimo da mãe ou da mana, um abraço ou um puxão de orelhas de um amigo ou o beijo do nosso companheiro de vida para curar todas as inseguranças e dúvidas. Isso e um belo passeio à beira-mar, de mãos dadas.

2 comentários:

Nuno C. said...

Ah pois é. Mesmo retrocedendo meia dúzia de anos já vemos tantas diferenças. Em nós, nos nossos hábitos, na forma como vivemos.
Mas tens muita razão quanto ao último ponto. As pessoas com tantas ajudas e recursos esquecem-se muitas vezes do mais básico para se conhecerem a si e aos outros e no limite do que é verdadeiramente necessário para se ser feliz: o carinho, a confiança e a relação com os outros.
Muito bom Jamaica. Tornaste um desafio trivial numa reflexão que vai bem mais além. As usual. Bjs

Mei said...

Uma outra coisa curiosa dos tempos que correm e que vem a propósito do escrito no post: os filhos ficam cada vez até mais tarde em casa dos pais mas isso não significa mais proximidade a estes últimos. Muitas das vezes a função da casa dos pais limita-se a ser um estilo de pensão familiar, onde se tem cama, comida e roupa lavada e a desresponsabilização total de fazer frente às despesas próprias da vida numa casa por si mesmo. Contudo permanece a lacuna da tal relação significativa de laços fortes que suportem afectivamente as crises e as dúvidas. Conheço um caso muito próximo, de uma neta e uma avó, em que a casa da avó serve simplesmente como hotel e lavandaria, mal trocando 2 ou 3 palavras por dia. Será um estilo de "solidão assistida"...?
Estranhos tempos estes, não?
Só para reflectirmos.

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