O que poderei escrever?

Thursday, April 06, 2006 | 1 Comments

Todas as palavras me desapetecem.
O silêncio é como uma gota de água num torrão de açucar, uma pequena gota entranha-se num grão, depois no outro e às tantas, como um rastilho líquido, uma ínfima particula embebe todo o corpo branco.
Poderia dizer que usei um vestido novo e que amadureci ao espelho em silêncio.
Enquanto escrevo e o mundo continua.
Uso o lápiz com a minha dor suada com que o agricultor empurra a charrua no sulco árido da terra.
Poderia dizer que os acontecimentos mágicos vão desaparecendo por desencantamento, como um iceberg que descongela até dele restar nada. Houve uma outra hora mais atrás em que espreitava como uma criança para o rosto oculto das coisas, sem desconfiar. E não fazia questão de desconfiar. Porque fazia questão apenas que o azul continuasse azul onda e o amarelo amarelo arco-íris. Fazia questão da fome de pequenos nadas e sede de tudo, nada mais.
Além de acreditar no amor, além de acreditar em histórias e caixas de música.

1 comentários:

Hugo Alves said...

c'est beau.

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