Tuesday, June 20, 2006 | 1 Comments

Em nome do amor vim até aqui e parei a contemplar-te
Em nome do amor me despi e abri a minha mão até os punhos cerrados serem mãos abertas,
E o sol ser um reflexo do meu sorriso
E os barcos serem gestos à deriva no teu corpo
E as flores restos do teu perfume na minha roupa
Em nome do amor deixei que a vertigem
Se chamasse abraço
E o abraço florecesse em ternura
E a ternura se enrolasse no linho dos lençóis

De cada dúvida fiz um nó pequenino entre retalhos
E aos poucos vou tecendo uma corda sólida para me evadir da minha torre, há pesadelos pesados como os dias, há medos que nos prendem como âncoras, mas assim como o poema se deixa espraiar em mansas palavras como uma camisola que se deixa desfazer em linha e de novo em novelo, assim os passinhos miúdos se passem caminho e o coração que bate baixinho no peito borboleja dançante embalado por uma lira desconhecida...

Em nome do amor, nos entregamos sem rede no trapézio mais alto.

1 comentários:

Hugo Alves said...

E depois fazemos como o Damiel no Asas do Desejo e dizemos:

Jetzt ich weiss was kein Engel weisst (agora sei o que nenhum anjo sabe) :-)

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Mei and Arawn