Against the cold outside

Friday, November 17, 2006 | 0 Comments

Vou contar-te um segredo,
a medo,
como se a vida estivesse toda aqui,
jardim, praia,
rasto de ti.

Quem amou como nós amamos?
Quem fez das cinzas antigas do coração queimado
um campo aberto, iluminado?
Quem fez da flor desabitada
da vaga, da onda, da corrente
o princípio dos sonhos, a alvorada?

Amamos a terra e os frutos
somos a luz que continua, a espiga delicada.
Somos o corpo do amor sepultado pelo vazio,
pela lama da chuva forte, pela primavera,
pelo esquecimento, pelo desabrochar tardio.

Às vezes tentamos.
Às vezes queremos falar e não temos palavras
como o amor antigo que caminha em silêncio
numa eternidade de promessas enterradas.
Às vezes paramos e temos frio.
Às vezes queria saber ser o que me pedes,
ou muro, ou casa, ou abrigo
para te proteger da noite
Queria ser guarda-chuva,
manta ou cachecol,
como a lareira acessa contra o ar.
Queria ser uma história por inventar
Refugiar-te no meu colo por causa da trovoada,
Uma mantinha para te aquecer,
Dar e receber beijinhos por tudo e por nada
Abraçar-te e nunca mais te deixar crescer.

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Mei and Arawn