Thursday, November 30, 2006 | 2 Comments

O tempo, subitamente solto pelas ruas e pelos dias, como a onda de uma tempestade a arrastar o mundo,
mostra-me o quanto te amei antes de te conhecer.
Eram os teus olhos, labirintos de água, terra, fogo, ar, que eu amava quando imaginava que amava.
Era a tua a tua voz que dizia as palavras da vida.
Era o teu rosto.
Era a tua pele.
Antes de te conhecer, existias nas árvores e nos montes e nas nuvens que olhava ao fim da tarde.
Muito longe de mim, dentro de mim, eras tu a claridade.

José Luís Peixoto.

Hoje na Antena 3, Prova Oral, às 19h.
Por ocasião do seu novo livro Cemitério de Pianos.
Eu cá vou estar colada à telefonia.

2 comentários:

Chihiro said...

Escrevi-te muitas vezes palavras parecidas ou iguais a estas, até elas não quererem dizer nada, até tu não quereres dizer nada,até não haver nada a dizer.
Os poetas vendem palavras como quem vende castanhas, com a infeliz excepção de que a árvore à qual arrancam as castanhas são os próprios ossos.

Pink Butterfly said...

:( A faca afiada em riste.

A ausência, a falha, o espaço, o silêncio, fazem também parte do que sou e dos meus dias. Também fazem parte de ti e nunca me ouviste nem leste nesses termos em que te diriges a mim.
Quantos silêncios e caras viradas já me deste? Quantas vezes deixaste na soleira da minha porta os carinhos que genuinamente te ofertei? Nunca isso te definiu aos meus olhos. Sempre te definiu o mimo em forma de cartolina colorida e as flores perfumadas deixadas pelas tuas mãos cuidadosamente pela manhã.
As pessoas têm dias assim, semanas, meses, até mesmo fases.

Enquanto não aprenderes isso não terás nada nem ninguém que te chegue.

Quanto às castanhas eu ofereço-as.
E não sou poeta.

E só te respondo agora porque apenas agora vi o teu post e não por "não querer dizer nada" ou por nada ter sentido para ser dito.

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