Piquenicar

Friday, August 11, 2006 | 1 Comments

A hora de almoço é por si uma hora de calma e paragem. Um corte para carregar baterias e depois voltar ao trabalho. Mas o tempo é sempre tempo e escoa como areia, por isso fartas do roboliço do "ó menina, xaxavor!", do "psst psst" repedido à exaustão e culminado de uma bela canelada-toma-que-ja-andaste-tou-aqui-à-meia-hora-a-esbracejar! Resolvemos arrumar trouxa e aviar farnel e ir estrada fora até à beira rio. Não sei se é a nossa costela romani, se são os calores do verão se somos simplesmente duas moçoilas malucas, mas soube tão bem que repetimos. É verdade e garanto-vos que temos uma boa meia centena de testemunhas entre formigas, abelhas e moscas como qualquer bom piquenique. A comida é simples, sempre de improviso. Por mesa o mesmo que as cadeiras: relva. os pés descalços irrequietos com vontade própria de dançar e se estrear em arrojadas travesias. Assunto é o que se queira, até mesmo não haver assunto. Apenas um apontar de dedo ( e queremos lá saber se é feio) aos pormenores que nos acordam como um rádio a passar uma melodia desconhecida. Pois é, e assim vos desafiamos a se juntarem a nós, no banco de jardim mais próximo, na praia, num miradouro, num terraço, num qualquer espaço de evasão... levem alguém convosco e contém-nos o que sentiram. Partilhem e venham cá plantar uma florzinha no nosso jardim. Ficamos à espera. Florejos, borbolejos e outros solfejos.

1 comentários:

Jorge said...

Um destes dias de Agosto Outoneiro,
O Norte viajou até ao Centro e o Sul viajou até ao Norte... e encontraram-se!!
De uma forma tão ligeira e cativante como fora o seu primeiro Olá.
Não tinham nada de especial combinado ou preparado, mas algo de especial os envolvia nesse dia.
Partiram à descoberta da cidade e descobriram-se um ao outro.
Ele com seu jeito simples e ciente mas não crente, ela de forma frágil mas a brotar energia e vivacidade.
A tarde estava amena mas a conversa aquecia-lhes a alma, como um porto tomado à lareira. As ideias fluiam tão livre e serenamente como um riacho de água límpida e fresca em matinal primavera.
A ternura do seu jeito me seduziu... A doçura de seu olhar me cativou... O seu andar altivo e ligeiro... A serenidade com que se envolvia com o meio... O seu leve toque... Seu sorriso puro de inocente criança... Me maravilhou!!!
Seus lábios com sabor a cola e sua língua pipocada desejados pelo fascínio que criou em mim e manifestado pela audácia tal qual a de um lobo que se disfarça de avôzinha, fora meigamente negado por sua tão dócil forma de ser. E com isto ela ganhou o meu respeito e a minha vontade louca de a possuir sem a tornar possessa!!
É incrível como a negação daquele acto puro e natural teve em mim o efeito contrário aquando algo nos é negado... Foi quase como se ela tivesse agido da mesma forma que eu agiria em seu lugar... Caiu-me bem sua prudência, sua forma de ser e de estar!
Vivo agora respirando e suspirando... O pensamento de tão dócil e empolgante criatura deixa-me com um sentimento de Tudo e de Nada!
Anseio viver tudo de novo... seu riso, seu dócil sorriso, seu toque, suas ideias... sua companhia... Anseio por ela... por tudo e por nada... Apenas pela sua companhia e o resto... o resto fluirá... :-)

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Mei and Arawn