Unsent Love

Tuesday, July 08, 2008 | 6 Comments

O que acontece ao amor que não enviamos? Será que fica preso numa pasta de "não entregues" à espera de novo reenvio?
O que acontece às palavras que escrevemos e que não chegam aos lábios de quem pensámos ao tecê-las? Será que ficam a pairar invisíveis no éter, à espera de serem lidas?
O que acontece às lágrimas que não choramos, que contemos à última da hora de deslizarem pela face? Será que ficam guardadas para outras marés cheias do olhar?
O que acontece às palavras que lemos enternecidos e que não eram para nós? Será que ficam despidas a meio caminho pela insensatez de as julgarmos nossas expondo a nossa patética fragilidade?
Será que há um cofre à deriva na alma onde conseguimos guardar todo o não dito, o não expresso, o não amado, o não abraçado, o não vivido, o não destinado, à espera de uma maré que o leve e que pela fúria da rebentação de uma onda mais forte o abra expondo o seu conteúdo?
Pergunto-me se haverá um destino último paradisíaco para este tesouro precioso, cheio de ternura e bem querer, guardado e fechado a cadeado nos perdidos da vida? E será que podemos resgatá-lo todo de uma vez no reduto de um derradeiro sopro?
Ou então se calhar podemos abrir aos poucos o cofre e oferecer pedaços de amor como uma criança travessa que retira moedas do mealheiro às escondidas para poder comprar doces coloridos na mercearia...

Eu não sei o que fazer ao meu cofre... mas quando o encontrar digo-vos.

6 comentários:

Deirdre said...

Quando estamos predispostos para partilhar, quando percebemos que a linguagem do amor é uma linguagem aberta, onde não existem territórios demarcados, números de porta ou pretensões de possessão, sabemos que as palavras ganham vida e forma nas nossas memórias e que podem ser nossas, sempre que quisermos.
Em vez de pensarmos na denominação de origem, podemos concentrar-nos na felicidade que aquela palavra traz consigo, para nós ou para os outros.
A minha irmã tem esta frase no mns: "Ambição é desejarmos aquilo que queremos. Felicidade é desejarmos aquilo que temos".
Hihi.
Se calhar, a verdadeira inteligência está em retirar a suprema felicidade daquilo que já temos ou podemos ter.
Será?

Mei said...

Sim sem dúvida. Sentimo-nos abençoados todos os dias pelo amor que partihamos e vivemos. Não há um dia que passe em que não tentemos fazer um pouquinho mais e não há um dia que passe em que demos por garantido seja o que fôr. O amor é luta e entrega diária, é dedicação permanente e escolha. Só assim se mantém, cresce e se espalha. A questão no post era um pouco outra...;)Acho que todos nós também temos momentos na vida em que guardamos os sentimentos ou retraímos gestos por motivos maiores que nós. Quem diga que nunca o fez ou mente ou simplesmente nunca se importou com os sentimentos dos outros de quem diz gostar ;)Tb faz parte do amor não apenas o bom tempo como os dias de chuva, da mesma forma também fazem parte do amor essas vivências guardadas, desejadas, esperadas para outros dias de bom tempo ;)
Sweetkisses my friend

Chihiro said...

Eu acho que temos dentro diques enormes. O nosso interior é tipo países baixos :D

Golddust said...

Visito sempre que posso este blog. Simplesmento amo cada palavra em siêncio. Adorei o texto e escrevesse eu assim que de certeza deixava mais comentários. Identifico-me completamente com a Mei e com a resposta dela. Quem vier dizer que nunca guardou secretamente amor, que nunca deixou de dizer o que queria ou de beijar quem gostaria, ou de com isso proteger outros que ama mente de certeza. Eu sei que devo ter um desses cofres. Claro que a felicidade começa no amor ao que temos, mas também se expande a mais que isso. E não me parece que desejar que algo bonito nos tenha sido dirigido seja sinónimo de "possessão ou de território demarcado". Todos gostamos de mimos especiais que nos sejam endereçados e que não se vulgarizem a cada esquina, com qualquer um. Não tem nada de mal!Claro que não se gastam mas sabe bem que alguns sejam para nós.
Mei, adoro-te! És simplesmente a pessoa mais LINDA com que já me cruzei.

golddust said...

Ah... esqueci-me de uma coisa, desculpem. Eu ainda sou do tempo em que a Mei escrevia com a Chihiro. Eram a dupla mais bonita de toda a blogosfera! Se alguém se der ao trabalho de ler bem lá para trás dos 1000 posts, vê que há muito amor neste cofre virtual, e que sabe mesmo bem meter a mão e tirar "pedaços de amor" daqui. Dava um belo livro de amor. Pensem nisso! Mas justiça seja feita, a Mei manteve com muita beleza e carinho o "estaminé", como gosta de lhe chamar. bjos!

Lilith said...

Que texto bonito Marisa.
Acho que o teu cofre está mesmo aqui, debaixo do nariz! ;)

Beijokas!

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Mei and Arawn