a) Ambições profissionais: ser chefe e atingir depressa a reforma;
b) Desejar que todo e qualquer feriado calhe a uma terça ou quinta feira para fazer ponte, ou pelo menos à sexta que é dia santo;
c) Achar que todos os trabalhadores deviam ser funcionários públicos, para “verem como elas mordem”;
d)"A antiguidade é um posto";
e) Rejeitar qualquer inovação no serviço: mudar de agrafes para clips “baralha logo o esquema todo”;
f) Deixar para amanhã o que pode ser feito hoje, se não der muito nas vistas, deixar para o mês que vem;
g) Dizer mal do governo, porque eles são todos “uns chulos que se andam a encher à custa do nosso trabalho”;
h) Combater a frustração de trabalhar pensando que há quem viva pior;
i) Sonhar que um dia ganhará o euromilhões e poderá finalmente trocar os 15 de time-sharing por um mesito no sul de Espanha ;
j) Tratar tudo o que é hierarquia superior por Drº ou Engº com esperança de ser tratado da mesma forma;
k) Considerar-se em todos os momentos um agente da moral e da ordem;
l) Manter sempre a clientela: um indivíduo vai, por exemplo, a uma repartição das finanças e sai de lá depois de ter visitado cada guichet pelo menos duas vezes - se voltou é porque estava satisfeito!;
m) Manter o suspense:“a assinatura que o formulário precisa vai demorar pelo menos 15 dias”, porque é assinado pelo chefe de secção (secretária ao lado);
n) Cantarolar a música do Avante quando o rádio do local de trabalho não funcionar.
o) Lamentar que a assinatura do papel que já passou por três repartições esteja pouco legível e portanto seja preciso tirar um novo documento;
p) Ter o autocolante de “Por favor não fume” na secretária ao lado de um cinzeiro a apoiar um cigarro aceso;
q) Fechar a porta meia hora antes para “arrumar assuntos” e poder sair a horas, mesmo com uma velhota de cajado a acabar de subir o último dos cinco degraus que lhe levaram vinte minutos de esforço;
r) Rejeitar a clientela toda afirmando que “o sistema tem estado todo em baixo”, quando é só o Solitaire que dá erro;
s) Vestir sempre cores pastel para ter um ar cansado de quem se mata a trabalhar;
t) Perguntar sempre “Está à espera de alguém?” quando chega ao balcão e está lá um indivíduo à espera;
u) Começar o discurso por “Olhe, meu/minha amiga/o” sempre que vai dizer que não pode resolver o problema apresentado;
v) Fazer greve porque quer ganhar mais e trabalhar menos, não obstante a produtividade estar perto de zero;
w) Aproveitar sempre que o “cliente” se apresente com melhor aspecto para dizer que “isto pelo processo normal demora «um bocadinho» mas se calhar eu posso fazer-lhe um jeitinho e apressar as coisas”, olhando descaradamente para o bolso da pessoa;
x) Insistir que “o formulário EQ3-B/125 versão 16 é no guichet ao lado” quando atrás tem um cartaz de dois metros quadrados alertando: “Formulário EQ3-B/125 versão 16 – Peça aqui”;
y) Disfrutar de uma pausa para café de 2/3 do dia de trabalho;
z) Não trabalhar eficientemente porque é mal pago e seria um ultraje à sua honra fazer alguma coisa bem com tão baixa remuneração. Além disso não ia trair os camaradas de trabalho e “armar-se em espertinho” mostrando resultados ao chefe.

1 comentários:

Pink Butterfly said...

Minha querida coleguinha bloguista, estou encostada na minha cadeira a tentar manter o equilíbrio para não cair com as gargalhadas. Condensaste de forma magistral o sentimento dos muitos infelizes que, como eu, aguardam ad nauseam para ser atendidos em repartições públicas, dando graças a todos os santinhos e restantes querubins por ser atendida ao fim de 1 hora e 46 minutos por uma senhora de meia-idade de óculos e nariz adunco com ar de quem me vai dar uma coça mal lhe peça para fazer aquilo para que é suposto ali estar. E depois ainda temos de lá voltar e perder mais 2 dias de trabalho (sim por estranho que pareça há seres no universo que até trabalham) para lá regressar com os outros 17 papéis pelos quais me esqueci de perguntar, pois deveria ser do meu ofício a adivinhação e outras artes do oculto e não da alminha que me atendeu informar, porque diz ela "as pessoas é que têm de se informar". O que vale é que a memória é curta e a minha é particularmente selectiva.

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